O anjo exterminador e a saúde pública

09/06/2020 às 15:54 | Publicado em Artigos e textos, Baú de livros, Zuniversitas | 2 Comentários
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Muito bom esse artigo de Emiliano José, bem como a indicação do livro.

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Quem quiser baixar o livro (de graça): https://terrasemamos.files.wordpress.com/2020/03/coronavc3adrus-e-a-luta-de-classes-tsa.pdf


O anjo exterminador e a saúde pública

A Caixa de Pandora está aberta e o nosso implacável sistema econômico está tornando tudo muito pior. A afirmação é de Mike Davis, escritor americano, teórico urbano e historiador. Abre o artigo “A crise do coronavírus é um monstro alimentado pelo capitalismo”, integra o livro “Coronavírus e a luta de classes”, da editora Terra Sem Amos, à disposição de quem quiser baixar na rede. Aconselha-se em tempos de simplificações fáceis. Os leitores se encontrarão com teóricos do nível de David Harvey, Slavoj Zizek, Alan Badiou, Alain Bihr e Raúl Zibechi, além do próprio Davis. Um luxo, tudo escrito a quente.

A humanidade não estava preparada para essas novas doenças, surgidas desde meados dos anos 1990, iniciadas com o Ebola, passando pela gripe aviária e pela Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), até chegar ao coronavírus. E a humanidade não estava preparada porque não houve de parte dos sistemas de saúde baseados na lógica capitalista preocupação no sentido de enfrentar pandemias novas, que se anunciavam havia tempo. E no enfrentamento do coronavírus, dirá Davis, daqui a um ano podemos olhar para trás com admiração para o sucesso da China em conter a pandemia, “mas com horror para o fracasso dos EUA”.

Ele demonstra a absurda redução de investimentos nos EUA com saúde pública, devido à política de austeridade. Mostra a superioridade, por exemplo, da Coreia do Sul, com três vezes mais leitos do que os norte-americanos. Houve desinvestimento na preparação médica de emergência, e o principal país capitalista do mundo não constitui exceção. David Harvey, noutro artigo, demonstra o desinteresse completo da indústria farmacêutica mundial na pesquisa sem fins lucrativos sobre doenças infecciosas, “como toda classe de coronavírus conhecidos desde os anos 60”. Trata-se, portanto, de um desastre anunciado, de alguma forma preparado.

Alain Bihr, sociólogo francês, faz a mesma crítica. As políticas de austeridade causaram o desastre enfrentado agora na saúde em seu País. O hospital público é vítima das políticas de estrangulamento financeiro, e encontra-se cada vez menos capaz de cumprir as tarefas de acolhimento e cuidado dos pacientes. Esse sistema, deliberadamente dilapidado, dirá Bihr, revela-se incapaz de lidar com a pandemia, “forçando os prestadores de cuidados a separar os pacientes de acordo com a sua expectativa de sobrevivência e idade” – como em tempos de guerra, como nos hospitais de campanha, na retaguarda e na linha de frente.

Tudo isso está ocorrendo no Brasil, em escala ampliada, sobretudo diante da deliberada política de destruição do SUS. O coronavírus, Lula disse, veio para demonstrar o quanto o Estado, o quanto a saúde pública, no Brasil e no mundo, são essenciais. Espera-se que após a passagem do anjo exterminador, mude radicalmente a política, e o SUS volte a ganhar força e possa o País estar aparelhado para novas pandemias. A saúde não pode ser encarada como mercadoria. Eis a lição.

(Emiliano José)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 09.06.2020

A ONU e a defesa da vida no Brasil

01/06/2020 às 15:58 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Esse título do post bem que poderia ser também o deste artigo de Emiliano José. Em tempos de pandemia e de proto-fascismo, o mundo está assombrado com nosso país. Confiram.

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Defender a vida contra o pulsão da morte

Não se trata de uma tragédia anunciada. Não. A tragédia está em andamento. E o País submetido a um governo sem qualquer compromisso com a vida do povo brasileiro. Um presidente guiado pela pulsão de morte, a ironizar permanentemente o sofrimento das famílias, a zombar da dor das pessoas. Já ultrapassamos o número de mortos e de infectados da China, cuja população excede a nossa muitas vezes.

Nos últimos dias, relatores da ONU produziram um documento consistente criticando duramente “as políticas irresponsáveis” do governo frente à pandemia, colocando em risco a vida de milhões de pessoas. Propõem, de modo claro, o abandono das chamadas medidas de austeridade tomadas desde o governo Michel Temer, sobretudo com o enfraquecimento das políticas públicas voltadas aos mais pobres, especialmente a clara tentativa de sucateamento do SUS.

A chamada PEC do Teto de Gastos, ou PEC da Morte, ao congelar os investimentos públicos por 20 anos, condena o Estado brasileiro a ficar sem dinheiro para a Saúde e Educação e, num momento de pandemia isso fica evidente, com o colapso do sistema de saúde em vários estados, com o desespero de populações inteiras sem chance de atendimento e às vezes sem poder sequer enterrar seus entes queridos. E o presidente da República, no auge da pandemia, propondo a saída do povo de suas casas de modo a imolar-se em praça pública, expor-se à inevitável contaminação por um vírus para o qual ainda não há vacina.

Os relatores da ONU foram contundentes: inadiável aumentar os gastos para o combate à desigualdade e à pobreza, exacerbados sob Temer, mais ainda sob Bolsonaro, e extremamente agravados pela pandemia. O relatório da ONU foi feito diante da gravidade do quadro brasileiro, e é uma rara iniciativa feita contra um país específico.

Todos os padrões de direitos humanos foram violados com a diminuição de financiamentos para áreas básicas de saúde, moradia, alimentação, água, saneamento, igualdade de gênero. E as recomendações da Organização Mundial de Saúde, solenemente ignoradas pelo presidente da República. Até mesmo a ultraliberal OCDE, tão cortejada pelo atual governo, recomendou nos últimos dias “aumentar e acelerar a concessão de benefícios do programa Bolsa Família”.

Nossa torcida é que a atitude responsável dos governadores ajude no enfrentamento dessa pandemia, de modo especial a dos governadores nordestinos, liderados pelo governador Rui Costa, não obstante saiba-se muita coisa dependa do governo federal. Tentar unir todos os defensores da vida – essa a nossa tarefa central nesse momento. Defender o nosso povo, sobretudo o mais pobre, dos terríveis efeitos dessa pandemia. Garantir políticas, sobretudo renda, a assegurar a permanência do maior número pessoas em suas casas até que novas condições permitam a volta às ruas. Do atual presidente, espera-se muito pouco. Ou nada.

(Emiliano José)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, hoje

O Cavaleiro do Morro do Moinho: a saga de Rodolpho Theóphilo contra a varíola em Fortaleza

27/05/2020 às 3:30 | Publicado em Midiateca, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Interessantíssima essa história. De um tempo em que farmácia se escrevia com “ph”… Confiram !


A Verdade da Pandemia – Dr. Carlos Machado

21/05/2020 às 3:13 | Publicado em Midiateca, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Esse foi um dos melhores vídeos que vi ultimamente sobre a pandemia. Desafio qualquer um, mesmo da área de saúde, a não encontrar algo de novo nele. Não vou antecipar nada aqui para que vocês mesmos confiram. Obrigado Dr. Carlos Machado !


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