E VIVA O SUS !

09/07/2021 às 16:34 | Publicado em Fotografias e desenhos | Deixe um comentário
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A maior droga atual

03/07/2021 às 3:30 | Publicado em Midiateca | Deixe um comentário
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Para reflexão !


SIDARTA RIBEIRO: SONHO, MEMÓRIA E MACONHA

25/05/2021 às 2:34 | Publicado em Artigos e textos, Midiateca, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Excelente esse cientista. Há algum tempo ouvi uma entrevista dele para a Rádio Metrópole de Salvador-BA e gostei muito do seu trabalho. Parabéns SIDARTA RIBEIRO !


SIDARTA RIBEIRO: SONHO, MEMÓRIA E MACONHA

Fundador do Instituto Cérebro, o neurocientista fala sobre o uso de canabinoides no tratamento de doenças como o câncer, a importância do sono e como o excesso de telas está nos deixando mais burros

Uma breve apresentação mal dá conta de enumerar todos os títulos de Sidarta Ribeiro. Fundador e vice-diretor do Instituto Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), onde cuida do laboratório Sonho, Sono e Memória, o neurocientista é mestre em biofísica, doutor em comportamento animal, pós-doutor em neurofisiologia e, bem, pra longe da ciência, contramestre de capoeira, discípulo de Mestre Caxias e Paulinho Sabiá.

Ele já publicou mais de uma centenas de artigos, mas foi seu livro, O Oráculo da Noite, que levou a história e a ciência dos sonhos para a cabeceira de milhares de pessoas que nunca folhearam um periódico científico. Para além de sua extensa pesquisa sobre nosso sono, Sidarta também é um dos maiores nomes do país quando se fala em substâncias psicoativas, em especial a maconha. O neurocientista defende que a cannabis é a grande revolução da medicina do século 21, assim como os antibióticos foram no século passado. “O Brasil ainda não conseguiu regulamentar coisas básicas como o direito ao cultivo em casa ou em associações e cooperativas, a disponibilidade de canabinoides para pesquisa, e continua agredindo a população por comercializar remédios”, diz. “É preciso regulamentar o uso medicinal da maconha imediatamente, porque a população sofre muito”.

No papo com o Trip FM, Sidarta fala sobre o avanço dos estudos que mostram os efeitos de canabinoides no tratamento de doenças como Alzheimer, Parkinson e até mesmo no controle de tumores de câncer, as consequências do uso excessivo de telas em crianças e adolescentes e a importância do sono de qualidade em nossa vida. Ouça o programa no Spotify, no play abaixo ou leia um trecho da entrevista a seguir.

 

Trip. Quais são as novidades sobre os efeitos terapêuticos das substâncias que vêm da planta cannabis?

Sidarta Ribeiro. A cannabis não é uma planta que é um só remédio, ela é muitos remédios diferentes, porque ela tem diversas genéticas. Existem também diferentes maneiras de prepará-la, de curá-la, de fazer extratos e aquecimentos a diferentes temperaturas que vão permitir a utilização de mais de 400 compostos de interesse terapêutico, que a gente chama de canabinoides, terpernos, flavonoides. Então a cannabis veio para ficar. É importante que as pessoas entendam: a medicina do século 21 é uma medicina canábica. A cannabis é muito importante na neurologia, por exemplo, no controle de epilepsias, para mitigar e potencialmente reverter os danos cognitivos no Mal de Alzheimer ou para diminuir tremores no Mal de Parkinson. Também para controle de dores neuropáticas e crônicas, e, na clínica do câncer, não só pela mitigação dos efeitos colaterais de radioterapia e quimioterapia, mas também porque existem combinações de canabinoides que são antitumorais, em particular para gliobastoma. Mas é muito importante que a intervenção seja feita cedo, bem no início, e essa evidência da capacidade antitumoral dos canabinoides está crescendo muito rápido.

“A maconha está para o século XXI assim como os antibióticos estão para o século XX”
Sidarta Ribeiro, neurocientista

 

Eu tenho falado que a maconha está para a medicina do século 21 assim como os antibióticos para o século 20. Não dá para tapar o sol com a peneira. Existem muitos negacionistas da maconha medicinal no Brasil, mas isso está mudando porque os pacientes e seus familiares estão exigindo serem tratados com o que tem de melhor. Muitas vezes o que tem de melhor não é o canabinoide puro, que é caro, mas um extrato de amplo espectro de uma planta que é muito mais barata e que tem potencialidades terapêuticas do que a gente chama de efeito comitiva, que é um efeito sinérgico, de cooperação química entre diferentes canabinoides. Por exemplo, a combinação de THC com CBD é extremamente terapêutica. O CBD reduz alguns dos efeitos adversos do THC e permite que os efeitos benignos estejam presentes. E é muito interessante porque são duas moléculas praticamente idênticas, a diferença é uma ligação. Essa uma ligação faz com que ela se torne fisiologicamente quase que opostas, então uma equilibra a outra. Então existe uma química fina sendo feita hoje em países como Israel, Alemanha, Estados Unidos, mas o Brasil está muito atrasado nessa história toda. O país ainda não conseguiu regulamentar coisas básicas como o direito ao cultivo em casa ou em associações e cooperativas, a disponibilidade de canabinoides para pesquisa, e continua agredindo a população por comercializar remédios. Então é preciso realmente legalizar, regulamentar o uso medicinal da maconha imediatamente porque a população sofre muito. Inclusive em relação à Covid houve um aumento muito grande do consumo de maconha – não só aqui, mas em diferentes países do mundo –, só que em um ambiente de proibição, então com muitos danos farmatológicos e sociais aos usuários. Isso precisa mudar.

Sidarta Ribeiro formatura beca sorrindo

Sidarta Ribeiro, na formatura da Rockefeller University, em 2001Crédito: Arquivo pessoal

LEIA TAMBÉM: Chapado na Chapada: a viagem lisérgica de Sidarta Ribeiro

O uso de dispositivos eletrônicos também aumentou significativamente. 65% das crianças e adolescentes estão viciados em dispositivos e são incapazes de manter distância deles mesmo que por 30 minutos. As crianças estão completamente dependentes e os adultos também. Me fale um pouco dessa desgraça. Eu concordo contigo, é uma desgraça. Tenho um filho de 10 e outro de 3. Os dois são superdependentes de tela e eu limitei em duas horas, no máximo, para o mais velho, e o menor estou tentando que seja menos ou nada. Mas é uma guerra, uma dependência gigantesca, uma grande irresponsabilidade que a gente já cometeu com nossos filhos, netos e conosco também. Estamos também afetados por isso. É uma grande pandemia de celulares, de tablets, de laptops, de estarmos todos online o tempo todo, muita ansiedade. Tem um livro importante feito por um neurocientista francês, Michel Desmurget, que se chama A Fábrica de Cretinos. Ele argumenta que o uso excessivo de telas é a explicação para o fato de que essa geração mais jovem, com 15 anos ou menos, tem um QI menor do que seus pais. Isso nunca tinha acontecido desde que o QI foi inventado. A cada geração o QI aumentava, e agora caiu.

Isso tem a ver com um achatamento de uma experiência que era muito rica: você brincava, conversava, estudava mais, lia mais. As crianças e adolescentes do passado faziam uma diversidade de estimulações sensoriais e motoras que tinham pouca tela, no máximo uma televisão com dois ou três canais. Agora não, é uma coisa infinita. As crianças estão completamente dependentes e os pais, não conseguindo lidar com os filhos dentro de casa, entregam eles para as telas e, muitas vezes, também se entregam para as telas. Então você tem situações em que há quatro, cinco, seis pessoas na casa, cada um com uma tela diferente, às vezes com volume alto ao mesmo tempo, uma cacofonia. É uma fábrica de doidos, provavelmente uma fábrica de cretinos. Eu estou tentando convencer meu filho mais velho a entender a necessidade de regrar, de moderar e buscar um caminho do meio. A tela não é ruim. O excesso de tela, sim.

Sidarta Ribeiro neurocientista sorrindo foto preto e branca

Sidarta Ribeiro, neurocientista e professor, vencedor da categoria “Sono” do premio TRIP Transformadores de 2007Crédito: Divulgação

Há 15 anos a Trip fez uma espécie de statement, uma declaração das coisas que ela achava mais importante na vida, e uma delas é o sono. Desde lá a gente sabia que havia muito significado na ideia de dormir com qualidade, com tempo, com profundidade. Sidarta, o que é o sono e o que é o sonho? Ambos são extremamente importantes. O sono é fundamental. Sem ele, a vida humana não é possível. Um animal privado completamente do sono não sobrevive. O sono é superimportante para a formação de proteínas, então tanto para a pessoa que está querendo aprender muito quanto para a pessoa que está querendo fazer muito músculo. Aí se aproximam o intelectual do marombeiro, entendeu? O sono é fundamental para regulação hormonal, para a desintoxicação do cérebro, para limpar uma série de toxinas produzidas pelo próprio cérebro. Então são vários níveis de funções diferentes e, no topo do bolo, tem uma cereja que é o sonho. O sonho já é um processamento de mais alta ordem, mais complexo que diz respeito à simulação de situações, de comportamentos, de cenas, de imagens, de dilemas, de problemas. Eles dizem respeito à navegação do mundo complexo das cascatas de símbolos que a gente gera todos os dias. Todos esses níveis dizem respeito à saúde física e mental das pessoas. A pessoa que consegue ter um sono de boa qualidade – que começa não muito tarde, termina não muito cedo, não é fragmentado e que, ainda por cima, permite a lembrança do sonho – está muito bem na fita, está muito bem posicionada para ter saúde persistente do corpo e da mente.

FONTE: https://revistatrip.uol.com.br/trip-fm/sidarta-ribeiro-sonho-memoria-e-maconha?utm_source=whatsapp&utm_medium=site-share-icon

O exemplo dos nossos indígenas !

17/04/2021 às 2:03 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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A sabedoria, em qualquer situação, está com os povos originários. Salve os índios brasileiros !


Covid-19: Desamparados pelo governo, indígenas Kuikoro venceram a pandemia com base na ciência e ajuda de financiamento coletivo

Yanamá Kuikuro, um homem indígena com adereços tradicionais de seu povo, ao ar livre

CRÉDITO,ASSOCIAÇÃO AIKAX, Legenda da foto, Yanamá Kuikuro diz que os líderes de sua comunidade entenderam a gravidade da pandemia desde o começo

Enquanto o Brasil vive seu pior momento da pandemia, uma pequena comunidade indígena no alto Xingu conseguiu vencer a covid-19 mesmo sem amparo do governo federal ou das autoridades locais.

No ano passado, enquanto a gravidade da pandemia era negada pelo governo e subestimada por muitas pessoas no resto do Brasil, os indígenas Kuikuro fizeram lockdown em suas aldeias, fizeram vaquinhas para arrecadar dinheiro para suprimentos médicos e usaram sua experiência com um surto de sarampo para enfrentar o coronavírus.

Mais de 45 mil casos de covid-19 e 622 mortes foram registrados entre indígenas no Brasil, de acordo com dados oficiais da Sesai (a secretaria de saúde indígena). Mas a APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) afirma que os números são bem mais altos e contabilizou 1022 mortes e pelo menos 51 mil casos até terça (23/03).

No entanto, entre os cerca de 900 Kuikuro que vivem em oito aldeias no alto Xingu, não houve mortes, e apenas 160 pessoas foram infectadas. E agora todas as pessoas foram vacinadas.

O sucesso é um contraste em relação ao resto do país — o número de mortos já ultrapassou os 300 mil e a média móvel de mortes nos últimos dias chegoou a ultrapassar 3 mil em um único dia.

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Covid-19: cientistas descobrem americano com superanticorpos contra o coronavírus O líder indígena Yanamá Kuikuro deu um depoimento à BBC sobre como a comunidade conseguiu enfrentar o vírus com sucesso:

Yanamá Kuikuro, presidente da Associação Indigena Kuikuro do Alto Xingu (Aikax)

“A aldeia Ipatse, onde estou, é a aldeia principal. Somente aqui tem 390 pessoas, incluindo as crianças. Aqui a nossa fala e a nossa cultura estão vivas. Apesar que entrou um pouco de cultura não-indígena e a internet já está aqui, nem por isso esquecemos a nossa cultura. Essa tecnologia que entrou facilitou a nossa comunicação.

No ano passado eu viajei a Brasília e vi um aumento de casos de covid no Brasil inteiro. Quando eu cheguei na aldeia, conversei com o meu irmão Afukaká Kuikuro, cacique da aldeia Ipatse, que também já estava acompanhando esse alastramento do vírus. Ele também entendeu o perigo.

Um homem da comunidade kuikuro recebe uma vacina contra covid

CRÉDITO,ASSOCIAÇÃO AIKAX, Legenda da foto, Todos os membros da comunidade foram vacinados

Reunimos várias vezes a comunidade no centro da aldeia antes de chegar o vírus aqui. O que a gente pensou junto com a comunidade: como que a gente pode enfrentar esse novo vírus que está chegando? Quem pode nos ajudar?

Quando eu era criança, o meu pai contava que teve epidemia de sarampo aqui no Xingu e morreram muitas pessoas. Os Kalapalo, os Kamaiurás, muitos povos do Alto Xingu morreram. Então quando a gente viu esse vírus novo, os anciões logo lembraram disso. Quando a gente viu no noticiário da televisão que o vírus estava matando muitas pessoas, pensamos: ‘A gente tem que se organizar, tem que fazer lockdown’.

A gente pensou no governo. Mas se a gente pedisse apoio para o governo, não ia chegar logo, não ia acontecer. E o que é que a gente fez, nós mesmos? Primeiro passo: construímos uma casa de isolamento.

Alimentos e outros suprimentos para a aldeia foram entregues de barco

CRÉDITO,ASSOCIAÇÃO AIKAX, Legenda da foto, Alimentos e outros suprimentos para a aldeia foram entregues de barco

Ao mesmo tempo, pensamos também em procurar parcerias. Juntamos pesquisadores de universidades, por exemplo, o Museu Paraense Emílio Goeldi, a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a organização People’s Palace Project no Reino Unido e também a Pennywise Foundation dos Estados Unidos.

Eles fizeram uma campanha e arrecadaram R$ 200 mil. Com esse dinheiro, compramos cilindros de oxigênio e concentrador de oxigênio. Compramos remédios e camas para os pacientes se internarem. Contratamos uma médica e um enfermeiro. Isso foi tudo antes de o vírus chegar aqui.

O governo estava dando esse ‘Kit Covid’ e a nossa organização aqui não aceitou, porque não tem estudo [comprovando a eficácia]. A gente fez o nosso protocolo, diferente do protocolo do governo.

Teve umas pessoas da comunidade que ficaram com um pouco de raiva de mim porque eu estava falando todo dia de lockdown, falando para não sair para fora (da aldeia), para usar máscara, para higienizar [as mãos e objetos]. Muita gente ficou com raiva de mim, porque pensavam que eu estava mentindo. Aí depois que chegou esse vírus, eles viram realmente e acreditaram.

O povo Kalapalo pegou esse vírus primeiro. Foi bem grave, levaram algumas pessoas para fora [do território indígena] para entubar. Eles relataram casos de médico destratando indígenas dentro de hospital. Eles mandavam áudios para nós, dizendo que o hospital não estava cuidando bem, não estava dando alimentação.

Então a gente decidiu: quando o vírus chegar aqui na nossa aldeia, se a pessoa for infectada, vamos ter de hospitalizar aqui mesmo na aldeia.

Yanamá Kuikuro

CRÉDITO,ASSOCIAÇÃO AIKAX, Legenda da foto, Yanamá é o presidente da associação Kuikuro no Alto Xingu

No mês de junho, julho, a covid entrou aqui. Uns pacientes viajaram ao município de Gaúcha do Norte e de lá chegaram infectados. O médico daqui fez o teste rápido e deu positivo. Aí a família toda fez o isolamento domiciliar.

Aproximadamente 160 pessoas foram infectadas nesta aldeia e todas se isolaram nas suas casas. A nossa organização já tinha comprado alimentação de fora da cidade, e também preparamos a nossa comida para levar para aquelas pessoas que estavam isoladas. A equipe de saúde que estava acompanhando aquelas famílias levava a comida pra eles.

Algumas pessoas foram tratadas no hospital que a gente improvisou aqui, mas ninguém precisou receber oxigênio. A gente usou medicina tradicional para ajudar os medicamentos industrializados. O pajé ajudou o trabalho do médico que nós contratamos.

A gente faz uma campanha nas redes sociais e pela internet e levantamos R$ 44 mil. Com esse dinheiro, compramos cestas básicas e coisas que nós aqui já nos acostumamos a comprar na cidade: anzóis, fósforos, linhas de pesca, alguns alimentos das cidades, combustível para o nosso gerador, para motor de popa.

Eu e o meu tesoureiro da associação Aikax fazíamos a compra daqui mesmo e o frete trazia pra nós aqui na aldeia. Claro que era tudo higienizado antes de entrar na aldeia.

O Ministério da Saúde informou que ia priorizar a população indígena, os profissionais da saúde e os quilombolas no processo de vacinação. Algumas vacinas chegaram de avião, outras de carro, outras de barco.

Com a chegada da vacina, teve muita mentira, muitas fake news, muitas pessoas falando para a população indígena que não era para tomar a vacina. Alguns indígenas estavam acreditando nisso. Só que eu e meu cacique, Afukaká, não acreditamos isso. A gente conversou muito com a comunidade para não acreditar em fake news.

Poster diz para as pessoas ficarem em suas aldeias

CRÉDITO,ASSOCIAÇÃO AIKAX, Legenda da foto, Muitos ficaram irritados com as orientações para o isolamento; acima, pôster pede que as pessoas fiquem em suas casas

Eu e Afukaká já tínhamos recebido a primeira dose da vacina [CoronaVac]. Fomos vacinados no Distrito Sanitário Especial Indígena do Xingu [em Canarana] e as fotos foram colocadas no site, para ser um exemplo para o povo xinguano tomar a vacina. A segunda dose foi na aldeia – todos aqui já foram vacinados.

Quando a vacina chegou, eu lembrei daquela história que meu pai contava. O sarampo matou muitas pessoas, anciões que tinham a história e a cultura [dos seus povos]. Depois da vacina, não teve mais mortalidade.

Quando a gente viu a covid-19, eu pensei, “Nossa, se morrerem todos os anciões e a liderança, não vai ter mais a nossa cultura”.

Uma pequena clínica foi criada para atender os infectados

CRÉDITO,ASSOCIAÇÃO AIKAX, Legenda da foto, Uma pequena clínica foi criada para atender os infectados

A vacina ajudou. Hoje as crianças estão crescendo sem aquelas doenças que tinham na época do meu pai: sarampo, coqueluche, varicela. Hoje as crianças estão crescendo bem. Hoje a vacina chega aqui para prevenir gripes, proteger os idosos e as crianças.

Então quando chegou a vacina contra a covid-19 eu lembrei de tudo isso, e pensei, talvez a vacina CoronaVac vai melhorar (a situação) e não vai ter mortalidade na população brasileira.

A nossa luta aqui não acabou ainda. O Mato Grosso está em vermelho, as UTIs estão em colapso, estão aumentando [os casos de covid] e descobriram aquela variante [P.1] do vírus, que está matando mais jovens agora. A gente está vendo que está morrendo muito jovem por essa variedade desse vírus.

A minha preocupação é que o hospital da cidade não está atendendo bem a população indígena. Então eu estou muito preocupado. Como é que a gente pode se organizar de novo? Eu sei que é muito difícil instalar um mini-hospital aqui.

Mas a gente quer se tratar aqui mesmo, não se tratar fora, porque muita gente está morrendo no hospital. Até agora, com os que foram infectados pelo vírus na aldeia, nós conseguimos vencer o vírus aqui mesmo.”

FONTE: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-56519554.amp

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