As (quatro) origens da escrita

17/01/2019 às 3:47 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Muito interessante esse artigo !


As (quatro) origens da escrita

Recibo da troca de 30 cabras, de 3.200 aC

Como a escrita foi inventada?

Essa pergunta tem pelo menos quatro respostas.

Isso porque a escrita foi inventada independentemente pelo menos quatro vezes na história humana: na antiga Mesopotâmia, no Egito, na China e na Mesoamérica.

Os sistemas dessas civilizações são considerados intocados, ou desenvolvidos a partir do zero por sociedades sem exposição a outras culturas letradas.
Todos os outros sistemas de escrita foram provavelmente modelados a partir destes quatro, ou pelo menos de suas ideias.

O mais antigo texto conhecido

Cerca de 5 mil anos atrás, 30 cabras trocaram de mãos entre sumérios. Para registrar a transação, um recibo foi esculpido em um pedaço de argila de aproximadamente o tamanho de um post-it.

Sinais geométricos simples representavam o gado e o fornecedor. Círculos e semicírculos denotavam a quantidade trocada.

Imagine como essas pessoas ficariam surpresas ao saber que seu recibo está agora exibido em um museu como um dos primeiros textos do mais antigo sistema de escrita conhecido, o cuneiforme da Mesopotâmia, desenvolvido por volta de 3.200 aC na área do atual Iraque.

Como a maioria dos registros sobreviventes da época, este exemplo é econômico por natureza e tão fascinante quanto um livro de contabilidade. O interessante sobre ele, no entanto, não é o seu conteúdo, mas sim seu ineditismo.

Origens independentes

Conforme mais pesquisas são realizadas neste campo, o número de sistemas de escrita iniciais poderia diminuir ou aumentar, caso os arqueólogos encontrem evidências de que qualquer uma dessas culturas copiou a ideia de escrever uma da outra (provavelmente a Mesopotâmia e o Egito, por causa da geografia), ou de que outros sistemas de símbolos antigos existiam de forma isolada.

O que sabemos atualmente é que esses quatro sistemas comprovados tiveram origens independentes.

Tais “verdadeiros sistemas de escrita” usavam símbolos gráficos para representar a fala sem ambiguidade, permitindo que pessoas alfabetizadas escrevessem qualquer coisa que pudessem comunicar verbalmente, para depois ler exatamente como pretendido.

Quer saber, precisamos escrever

Muito antes da escrita, pessoas registravam ideias e informações de outras maneiras. Por exemplo, desenhavam figuras para retratar eventos.

E, ainda hoje, muito depois do surgimento da escrita, existem sistemas alternativos como a notação musical, símbolos matemáticos e instruções desenhadas para a construção de dispositivos ou moveis para transmitir certos conceitos com mais eficiência do que a escrita poderia. Mas estes são limitados a determinados tipos de informação.

A ideia revolucionária de ter signos que representam a fala surgiu em culturas distintas e em diferentes momentos: por volta de 3.200 aC na Mesopotâmia e no Egito, por volta de 1.200 aC na China e por volta de 400 aC na Mesoamérica.

Embora a história desses sistemas seja diferente, eles passaram por estágios de desenvolvimento amplamente semelhantes.

Evolução similar

Os textos sobreviventes mais antigos vêm de contextos muito específicos, como transações econômicas na Mesopotâmia e rituais divinos na China. De uma forma geral, estes primeiros caracteres eram principalmente sinais pictográficos, descrevendo exatamente o que se referiam.

Por exemplo, na antiga escrita chinesa, “peixe” era representado por uma imagem reconhecível de um peixe. Alguns sinais também foram emprestados de sistemas simbólicos preexistentes, como emblemas, símbolos e motivos de cerâmica, com os quais as pessoas já estavam familiarizadas.

Evolução do sistema cuneiforme ao longo do tempo

Com o passar do tempo, tais ícones se tornaram mais estilizados, de forma que eram mais fáceis de escrever e se pareciam menos com o objeto ou ação referente.

Em outro passo crucial, alguns caracteres passaram a significar sons, ao invés de palavras distintas e completas, embora essa substituição das palavras inteiras por símbolos fonéticos tenha ocorrido em grau e ritmo diferentes entre os sistemas.

A transição foi auxiliada pelo princípio do rébus: trocar uma palavra que é difícil de representar graficamente pelo seu homônimo, como usar a imagem de um “olho” para representar “eu”. Para ajudar a diferenciar caracteres com múltiplos significados, os sistemas também adicionaram marcadores semânticos que denotavam partes da fala e pistas de contexto.

Até chegar aqui

Através de séculos de inovação, os sistemas de escrita eventualmente avançaram ao ponto de transcrever a fala. Isso impulsionou a escrita infinitamente além de suas funções originais, em uma ferramenta capaz de gravar história, literatura e muito mais – ou seja, todo o conteúdo que preenche milhares de arquivos e bibliotecas pelo mundo hoje.

Evolução do sistema chinês ao longo do tempo

Adotados e modificados por culturas vizinhas, esses quatro sistemas persistiram por mais de um milênio. Enquanto os da Mesopotâmia, Egito e Mesoamérica eventualmente morreram, o sistema chinês permaneceu em uso contínuo por mais de 3.000 anos. [DiscoverMagazine]

(Natasha Romanzoti)

FONTE: https://hypescience.com/quantas-vezes-voce-acha-que-os-humanos-inventaram-a-escrita/

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Homenagem à Língua Portuguesa

11/05/2018 às 3:34 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Excelente esse artigo. Li no blog “O Bem Viver”. Bela língua essa nossa, a que beija bem !

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Homenagem à Língua Portuguesa

Volta e meia alguém olha atravessado quando escrevo “leiaute”, “becape” ou “apigreide” – possivelmente uma pessoa que não se avexa de escrever “futebol”, “nocaute” e “sanduíche”.

Deve se achar um craque no idioma, me esnobando sem saber que “craque” se escrevia “crack” no tempo em que “gol” era “goal”, “beque” era “back” e “pênalti” era “penalty”. E possivelmente ignorando que esnobar venha de “snob”.

Quem é contra a invasão das palavras estrangeiras (ou do seu aportuguesamento) parece desconsiderar que todas as línguas do mundo se tocam, e que falar seja um enorme beijo planetário.

As palavras saltam de uma língua para outra, gotículas de saliva circulando em beijos mais ou menos ardentes, dependendo da afinidade entre os falantes. E o português é uma língua que beija bem.

Quando falamos “azul”, estamos falando árabe. E quando folheamos um almanaque, procuramos um alfaiate, subimos uma alvenaria, colocamos um fio de azeite, espetamos um alfinete na almofada, anotamos um algarismo.

Falamos francês quando vamos ao balé usando um paletó marrom, quando fazemos um croqui ou uma maquete com vidro fumê; quando comemos uma omelete ou pedimos na boate um champanhe ao garçom; quando nos sentamos no bidê, viajamos na maionese, ou quando um sutiã (sob o edredom) provoca uma gafe – ou um frisson.

Falamos tupi ao pedir um açaí, um suco de abacaxi ou de pitanga; quando vemos um urubu ou um sabiá, ficamos de tocaia, votamos no Tiririca, botamos o braço na tipoia, armamos um sururu, comemos mandioca (ou aipim), regamos uma samambaia, deixamos a peteca cair. Quando comemos moqueca capixaba, tocamos cuíca, cantamos a Garota de Ipanema.

Dá pra imaginar a Bahia sem a capoeira, o acarajé, o dendê, o vatapá, o axé, o afoxé, os orixás, o agogô, os atabaques, os abadás, os babalorixás, as mandingas, os balangandãs? Tudo isso veio no coração dos infames “navios negreiros”.

As palavras estrangeiras sempre entraram sem pedir licença, feito uma tsunami. E muitas vezes nos pegando de surpresa, como numa blitz.

Posso estar falando grego, e estou mesmo. Sou ateu, apoio a eutanásia, gosto de metáforas, adoro bibliotecas, detesto conversar ao telefone, já passei por várias cirurgias. E não consigo imaginar que palavras usaríamos para a pizza, a lasanha, o risoto, se a máfia da língua italiana não tivesse contrabandeado esse vocabulário junto com a sua culinária.

Há, claro, os exageros. Ninguém precisa de um “delivery” se pode fazer uma “entrega”, ou anunciar uma “sale” se se trata de uma “liquidação”. Pra quê sair pra night de bike, se dava tranquilamente pra sair pra noite de bicicleta?

Mas a língua portuguesa também se insinua dentro das bocas falantes de outros idiomas. Os japoneses chamam capitão de “kapitan”, copo de “koppu”, pão de “pan”, sabão de “shabon”. Tudo culpa nossa. Como o café, que deixou de ser apenas o grão e a bebida, para ser também o lugar onde é bebido. E a banana, tão fácil de pronunciar quanto de descascar, e que por isso foi incorporada tal e qual a um sem-fim de idiomas. E o caju, que virou “cashew” em inglês (eles nunca iam acertar a pronúncia mesmo).

“Fetish” vem do nosso fetiche, e não o contrário. “Mandarim”, seja o idioma, seja o funcionário que manda, vem do portuguesíssimo verbo “mandar”. O americano chama melaço de “molasses”, mosquito de “mosquito” e piranha, de “piranha” – não chega a ser a conquista da América, mas é um começo.

Tudo isso é a propósito do 5 de maio, Dia da Língua Portuguesa, cada vez mais inculta e nem por isso menos bela. Uma língua viva, vibrante, maleável, promíscua – vai de boca em boca, bebendo de todas as fontes, lambendo o que vê pela frente.

Mais de oitocentos anos, e com um tesão de vinte e poucos.

(Eduardo Affonso)

FONTE: https://www.facebook.com/eduardo22affonso

DICAS DE INGLÊS PARA INICIANTES, INTERMEDIÁRIOS E AVANÇADOS

12/02/2018 às 3:39 | Publicado em Midiateca, Zuniversitas | 2 Comentários
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Mairo Vergara aqui outra vez. Alguns podem até dizer que a tríade de dicas para se aprender uma língua deste vídeo é óbvia. Mas o óbvio às vezes é difícil de enxergar !


Árvore mostra como todas as línguas estão conectadas

25/10/2017 às 3:33 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Muito interessante esse trabalho: as línguas e suas famílias.


Esta incrível árvore mostra como todas as línguas estão conectadas e mudará a forma como você vê o mundo

Você sabia que a maioria das diferentes línguas faladas no mundo todo tem origem em apenas um de dois grandes grupos?

Essa (e outras curiosidades) é o que a ilustradora Minna Sundberg tentou capturar em um infográfico incrível que revela as conexões fascinantes entre diversas línguas.

Usando os dados de pesquisa do portal Ethnologue, que possui informações sobre mais de 7 mil línguas usadas no globo inteiro, Minna usou a metáfora de uma árvore para ilustrar como todos esses idiomas – mesmo que pareçam não relacionados à primeira vista – podem ser agrupados em “famílias” por vezes inusitadas.

Árvore linguística incrível, mas não completa

No infográfico, os galhos maiores representam línguas com mais falantes nativos. Minna procurou incluir o maior número de línguas possíveis, mas mesmo esta imagem detalhada não abrange a imensa variedade que existe no mundo.

A artista explicou que a maioria das pequenas línguas não entrou no gráfico, especialmente as pouco faladas que não têm status oficial em algum lugar.

De onde vêm o português?

Os dois grandes troncos linguísticos são o indo-europeu e o urálico. O tronco indo-europeu possui um ramo europeu, que por sua vez se divide em outros três: eslavo, românico e germânico.

As línguas românicas possuem esse nome por terem surgido do latim, usado principalmente pelos povos romanos desde antes de Cristo. Atualmente, o latim é considerado uma língua morta e utilizado somente para nomenclatura científica e terminologias de outras áreas do conhecimento.

Entre as línguas românicas mais conhecidas estão o português, espanhol, francês, italiano e galego. Mas mesmo esses idiomas podem ser divididos em subgrupos. O português, o espanhol e o galego, por exemplo, são línguas ibero-românicas, enquanto o italiano é ítalo-dalmático, e o francês galo-ibérico.

Existem muitas outras línguas românicas menores, algumas usadas apenas por pequenos povos, como o sardo, o catalão e o rético.

Ramo europeu

No ramo europeu, uma relação bastante complicada entre as línguas eslavas é visível:

Ramo germânico

O inglês possui raízes germânicas, como o alemão:

Família urálica

Surpreendentemente, ao contrário dos seus vizinhos escandinavos, a língua finlandesa pertence à família urálica:

Ramo indo-iraniano

O ramo indo-iraniano revela as conexões entre hindus e urdus, bem como algumas línguas indianas regionais, como a língua rajastani: [BoredPanda, BastosMaia]

(NATASHA ROMANZOTI)

FONTE: https://hypescience.com/esta-incrivel-arvore-mostra-como-todas-as-linguas-do-mundo-estao-conectadas/

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