A Estatística e o Juiz Sérgio Moro

26/07/2017 às 11:02 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Uma análise sucinta, com dados simples e claros, feita pelo Professor Wanderley Guilherme dos Santos​, para alguns o maior Cientista Político vivo do nosso país.

“Não fosse o Brasil de hoje um hospício continental, como o qualificou um jurista, e nenhuma sentença do juiz Sergio Moro, assentada estritamente em sua convicção, mereceria credibilidade.”

 

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O juiz que sequestra liberdade  wanderley1

O Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF-4) modificou 34 das 48 apelações de sentenças do juiz Sergio Moro em processos da Lava Jato, assim distribuídas: 18 penas foram aumentadas, 10 reduzidas e, 6, anuladas. A taxa de acerto impecável limitou-se a 30% das sentenças. Os estatísticos da magistratura avaliarão a normalidade ou a excepcionalidade das correções impostas a um juiz primário. Surpreende que o número de sentenças modificadas por maior severidade (18) seja praticamente igual ao de sentenças retificadas em favor dos réus (16). Em estatística geral, decisões que ora caem 50% de um lado e ora 50% do outro indicam a predominância do acaso. Estatisticamente, as chances de um acusado ser favorecido ou injustiçado seriam as mesmas, mas este não é o caso de nenhum dos 50% das sentenças do juiz Sergio Moro, seja condenando, seja passando a mão na cabeça do réu.
Em algumas sentenças, a revisão da TRF-4 condenou a quem o juiz Sergio Moro havia declarado ser inocente. Não são erros de pequena monta para um magistrado que defende suas decisões com o argumento da imparcialidade e da estrita aplicação da lei. A avaliação da TRF-4 de que 18 sentenças, em 48, estiveram aquém do que a justiça recomendava expôs o discernimento do juiz Sergio Moro a justas interpelações, afinal, trata-se de número superior ou de sentenças impecáveis (14). E permanece em suspenso a avaliação da soltura do doleiro Alberto Youssef, anteriormente condenado pelo mesmo juiz Moro, pelos mesmos crimes, e também posto em liberdade vigiada pela benesse da delação premiada. Pois não é que o criminoso repete os crimes, agora em escala gigantesca, e o juiz Sergio Moro decide com a mesma benevolência, devolvendo Alberto Youssef e esposa, sua cúmplice, ao aconchego do lar?
As penas modificadas em favor dos réus incluíram a redução de 10 e anulação de 6. Ou seja, a correção absoluta das sentenças condenatórias, anulando-as, somou cerca de 40% do total de 16 sentenças modificadas em favor dos réus, também superior ao número de sentenças impecáveis. Das sentenças modificadas em favor dos réus, quase 50% (6) foram simplesmente anuladas, sem retificação possível, imperitas. Entre elas, alguns casos célebres; por exemplo, o de João Vaccari Neto, sentenciado a 15 anos de reclusão, a maior das condenações impostas por Sergio Moro. Atenção, a maior pena deliberada por Sergio Moro entre as sentenças por ele aplicadas a João Vaccari Neto, foi considerada insubsistente, vazia, sem provas, por se socorrer tão somente de duas delações premiadas e, ademais, por nenhuma das duas haver afirmado ter tratado de propina com o réu. Convido o leitor a reler esta última frase. Não fosse o Brasil de hoje um hospício continental, como o qualificou um jurista, e nenhuma sentença do juiz Sergio Moro, assentada estritamente em sua convicção, mereceria credibilidade. O juiz Sergio Moro, pela amostra aqui examinada, não é equilibrado.
Trinta e seis anos seriam subtraídos à vida em liberdade, se as pessoas entregues ao profissionalismo do juiz Sergio Moro não tivessem as penas anuladas pela TRF-4. Esse é o total dos anos de cadeia que o juiz Sergio Moro distribuiu passionalmente, inclusive a dois apenados que, como verificou a turma da apelação, não fizeram mais do que, por função administrativa assalariada, promoveram a movimentação de recursos da empresa OAS. A iluminada convicção do juiz Sergio Moro não hesitou, contudo, e gratificou a um com 11 anos de cadeia e com 4 anos a outro. Se não havia evidência para a condenação, é óbvio que também não existia base probatória para a incrível diferença no tamanho das penas. Finalmente, quantos anos de liberdade foram resgatados a favor dos réus que conseguiram, de justiça, redução das penas. De que é feita, afinal, a subjetividade desse juiz? O que quer ele dizer quando se refere à sua convicção ao sequestrar a liberdade de cidadãos e cidadãs brasileiros?

(Wanderley Guilherme dos Santos​)

FONTE: https://www.conversaafiada.com.br/brasil/wanderley-moro-sequestra-a-liberdade

Gráficos coloridos golpeiam a verdade e o Brasil

24/03/2014 às 3:26 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Gráficos e estatisticas… Com a palavra os Economistas, os Matemáticos e os Estatísticos.


Gráficos coloridos golpeiam a verdade e o Brasil

Truque das barrinhas: mídia manipula infográficos para mostrar quadro pior do que a realidade

Os “nervosinhos” estão mais nervosos que nunca. Afinal o mundo não acabou. Só resta, então, mostrar, ou melhor, desenhar (para que qualquer Homer entenda) que o mundo vai acabar. Quem sabe aí o mundo não acabe numa espiral de caos?

Ontem, o UOL estampou na capa de sua página principal uma matéria da Folha que mostrava a triste realidade de brasileiros que passaram a realizar “compras de mês”, aquelas que se faziam nos tempos de hiperinflação, quando os índices de preços chagavam a 14% (ou até 40%) AO MÊS.

Para provar que a hiperinflação já afeta os consumidores brasileiros, recolheu o depoimento de duas, isso mesmo, DUAS aposentadas que fazem sua compra de supermercado mensalmente. As pobres senhoras, vejam só, ainda têm que comprar peixe ou frango quando a carne está cara, ou, ainda, vejam só, têm que trocar a marca de óleo ou sal por outras mais baratas…

Como se isso não fosse feito desde quando mercado existe; como se isso não fosse feito também entre pessoas de menos renda nos países desenvolvidos.

Mas a evidência cabal foi apresentada pelo fantástico e fofinho infográfico. Para ilustrar a reportagem sobre as “compras de mês”, a reportagem compilou uma lista de 26 itens, dos quais 18 subiram acima da média de inflação (segundo o IPCA).

Só que entre os itens da lista de compras da Folha estão produtos como “passagem aérea”, “empregada doméstica” e “alimentação fora do domicílio”. Não sei em que supermercado o jornal faz a sua compra do mês, mas na lista da Folha NENHUM produto (ou grupo de produtos) pode ser encontrado nas gôndolas de supermercados:

G1

Agora, a bola da vez é internacional. O jornal neoliberal britânico Financial Times decidiu abrir fogo contra os países emergentes. O Brasil é um de seus alvos favoritos. Na notícia de ontem publicada pelo FT, o periódico chegou à conclusão que não são apenas 5 os países emergentes “frágeis” (carinhosamente apelidados pelo jornal de “Fragile Five”). Agora a lista de emergentes frágeis, dos quais o investidor deve evitar a todo custo, é composta por 8 países.

Para demonstrar a “fragilidade” dos países, o FT enfatizou um (isso mesmo, apenas UM…) indicador de vulnerabilidade mostrando a relação entre reservas internacionais e necessidade de financiamento externo (veja a situação no Brasil em OITO indicadores de vulnerabilidade no post Mitos Econômicos Brasileiros #4: “2014 será o ano da ‘tempestade perfeita’ no Brasil”).

Pois bem, para ilustrar a fragilidade financeira dos países, o jornal também lançou mão de um bonito e fofinho infográfico, estampado em cores vivas no Twitter do jornal, em que os 8 países são comparados. A imagem era fundamental para dar sustância para a manchete bombástica (“‘Fragile Five’ falls short as tapering leaves more exposed”) de uma matéria vazia.

O problema começa com um dos dados: as reservas internacionais do Brasil fecharam o 3º trimestre de 2013 em US$ 376 bilhões e não US$ 369 bilhões. Mas esse não foi o maior problema do infográfico: as proporções das barras nos gráficos são sempre de tamanho semelhante, o que dá a impressão de que os oito países estão “no mesmo saco” – que é exatamente a tese do artigo.

No gráfico, os US $369 bilhões (sic) de reservas do Brasil são iguais aos US$ 45 bilhões da Hungria ou os US$ 53 bilhões da África do Sul. Sem essa imagem forte e fofinha, fica difícil de acreditar no malabarismo argumentativo do FT. Mas olhando com cuidado, vemos que o gráfico diz uma coisa (estão todos no mesmo saco); os números dizem outra (uns são laranjas, outros são maçãs).

G2

Refazendo o gráfico (infelizmente sou incapaz de fazer um tão bonito e fofinho quanto o da equipe de ficção ilustradores do FT) de tal modo que os números digam a mesma coisa que ilustram as barras, temos o seguinte quadro:

G3

Fonte: FT e Banco Central do Brasil

As manipulações das reportagens da Folha e do FT se somam à famosa distorção do gráfico de inflação no Brasil medida pelo IPCA, no programa Conta Corrente, da GloboNews, publicado na sexta-feira (10). Apesar dos números corretos, a imagem (que vale mais do que mil palavras) é clara: mostra que a inflação é a maior dos últimos 5 anos, pelo menos.

Aqui, novamente, os números dizem uma coisa, a imagem, outra. Infelizmente não há mais registro do erro no site do programa. Mas milhares de pessoas espalharam a reprodução da imagem com o erro:

G4

Depois do rebuliço que gerou na internet, o Conta Corrente apresentou uma errata, já na edição seguinte do programa (dia 13), e mostrou o gráfico com as proporções corretas. OK. Erros acontecem. Um jornalismo ético deve reconhecê-los, mostrá-los ao público e corrigi-los o mais rápido possível. Foi o que o Conta Corrente fez.

Esse e outros erros (manipulações?) podem até ter sido sinceros e involuntários. Mas diante da linha editorial apocalíptica desses veículos, não deixa de ser sintomático. Pode ser um caso grave de “nervosite” ou um “wishful thinking”, não sei. Freud explica.

do Novas Cartas Persas, via Julio Cesar Macedo Amorim

(publicado em 16 de janeiro de 2014 às 21:11)

Como salvar vidas com Matemática

27/04/2013 às 3:50 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Este post é dedicado a todos os profissionais de saúde: de como uma brilhante enfermeira utilizou métodos estatísticos e matemáticos para melhorar a saúde pública de seu país (Fonte: Revista Cálculo nro. 24/2013).

FLORENCE NIGHTINGALE USOU MUITA ESTATÍSTICA PARA MELHORAR A SAÚDE PÚBLICA DA INGLATERRA. DEU TÃO CERTO QUE QUASE DOIS SÉCULOS DEPOIS ESPECIALISTAS AINDA USAM SEUS MÉTODOS PARA MELHORAR A VIDA DA POPULAÇÃO.

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Como salvar vidas com Matemática

Uma garotinha inglesa de nove anos, chamada Florence Nightingale, vai até a horta de sua casa colher pepinos, pêssegos e morangos. Sempre que colhe alguma coisa, toma notas. Depois de meses, examina o caderno cheio de tabelas e anotações e busca formas de organizar os dados da melhor maneira possível. Uns 30 anos mais tarde, trabalha num hospital militar na guerra da Crimeia (veja quadro), onde faz novas anotações. Mas desta vez toma notas sobre mortos, doentes e feridos.

Há alguns anos Eileen Magnello, especialista no trabalho de Florence Nightingale, era como muitas pessoas: sabia que Florence tinha reformado a saúde pública no século 19, e que tinha formalizado o papel da enfermagem, mas não sabia que figurava entre as primeiras a organizar e estudar estatísticas sociais. Aliás, na maior parte da reforma que fez na saúde, usava estatística: primeiro para descobrir o que tinha de errado no sistema, depois para convencer políticos a lidar com as descobertas. Ainda hoje, porém, muitos a conhecem apenas como “a senhora da lâmpada”, uma bondosa enfermeira que vagava à noite pelo hospital cuidando dos soldados que lutavam na guerra.

Eileen trabalha no departamento de ciência e tecnologia da University College London (UCL) e só conhece o trabalho estatístico de Florence porque fez um doutorado sobre Karl Pearson (1884-1936), matemático fã das ídeias e trabalhos estatísticos da enfermeira. Quando conseguiu uma bolsa de pós-doutorado no Instituto Welcome para a História da Medicina na UCL, Eileen explorou melhor o trabalho e a influência de Florence nas estatísticas médicas. “Florence Nightingale é reconhecida e venerada por seu papel na reforma de enfermagem, mas merece mais reconhecimento por usar estatística nessa reforma”, explica Eileen. “Seu
trabalho de pesquisa estatística reduziu as mortes evitáveis em hospitais ingleses, sejam militares ou civis. Ela foi pioneira, e transformou a medicina baseada em evidências numa diretriz apoiada por médicos e políticos.”

Combate às estatísticas

Florence era de família rica, porém liberal para a época. Seu pai acreditava que as mu-
lheres deviam estudar, por isso ele mesmo lhe ensinava matérias como matemática, filosofia e latim. Desde cedo ela demonstrou gosto por números e estatística. Eileen escreve num de seus artigos que, aos 20 anos, Florence tinha aulas de matemática com um tutor de Cambridge e ocupava suas manhãs examinando tabelas com dados a respeito de hospitais. Ela acumulava listas e listas de dados, e achava “renovador” olhar para aquele monte de nú-
meros.

Logo decidiu que queria ser enfermeira, mas sua família não era tão liberal a ponto de apoiá-Ia. Naquela época, as enfermeiras tinham péssima fama: viviam bêbadas, falavam palavrões, roubavam os pacientes, tiravam sarro quando um deles morria, e faziam sexo com os que podiam fazer sexo. Então, até os 31 anos, quando conseguiu sair de casa, Florence passou anos estudando medicina e saúde pública, e visitando sempre que podia crianças doentes e hospitais de bairros pobres.

A guerra da Crimeia estourou em outubro de 1853. Os jornais noticiavam a história de
soldados doentes e feridos que eram deixados para morrer sem nenhum cuidado médico.
Florence viu ali uma boa oportunidade de carreira. Mandou uma carta ao amigo e secretário de guerra, Sidney Herbert, para se voluntariar nos hospitais militares. Herbert tinha tido ideia parecida e a convidou para ser superintendente de enfermagem no Hospital Geral Inglês na Turquia.

Quando Florence chegou ao local, em outubro de 1854, encontrou instalações com pulgas e ratos por todo lado. Além disso, os relatórios sobre pacientes não eram padronizados e ninguém registrava muitas informações importantes, inclusive mortes. Com os dados que coletou, Florence descobriu que, por exemplo, em fevereiro de 1855, 42,7% das pessoas tratadas morreram. Além disso, as pessoas morriam mais por falta de higiene, isto é, de doenças que podiam ser evitadas, do que por ferimentos de guerra. Ela tinha dinheiro, doado por pessoas e instituições privadas, com o qual melhorou as condições do hospitaL Em poucos meses, reduziu as mortes de pacientes já tratados de 42,7% para 2,2%.

Após o final da guerra, em 1856, Florence voltou para a Inglaterra e usou estatística para convencer as autoridades de que, em outros hospitais militares, soldados também morriam por doenças evitáveis. Mostrou que a taxa de mortalidade de soldados doentes na guerra da Crimeia não era muito maior que o número de mortes de soldados na Inglaterra. Aliás, a taxa de mortalidade total das tropas britânicas na Crimeia era apenas 2/3 da mortalidade dos soldados na Inglaterra, ou seja, eles estavam morrendo porque viviam em condições insalubres. Eileen conta o que Florence escreveu: “Nossos soldados se alistam para morrer nos quartéis.”

Números convincentes

Florence gostava da pesquisa de campo, de coletar dados antes de tirar conclusões.
Mostrou o que hoje parece óbvio: a importância de obter informações sobre o paciente
antes de definir um tratamento. Ou ainda a importância de saber por que certo paciente
morreu e se os médicos poderiam ter evitado a morte. Florence promoveu a investigação
empírica que quase dois séculos depois ainda tem papel fundamental na saúde pública.
Hoje profissionais da saúde, pesquisadores e epidemiologistas usam análises estatísticas
aos montes para aumentar a qualidade de vida das pessoas, encontrar tratamentos para
novas doenças e combater epidemias.

Eileen conta que Florence também popularizou o uso de gráficos para comunicar os dados estatísticos dos hospitais: com os gráficos, conquistaria o apoio de políticos importantes, visto que os políticos da época não tinham o hábito de examinar tabelas. Criou o gráfico polar e até lhe deu um toque feminino. “Foi um projeto artístico arrojado, com fatias e contornos bem definidos”, diz Eileen. “Ela inovou ao usar cores atribuindo ao gráfico uma individualidade inconfundível.” Sem esse gráfico, Florence teria mais trabalho para convencer políticos e médicos de que novas políticas sanitárias reduziriam as taxas de mortalidade nos hospitais. Ao invés disso, conseguiu mudar até projetos arquitetônicos. As autoridades passaram a projetar hospitais com mais portas para melhorar a circulação do ar e reduzir o contágio por vias respiratórias.

Se hoje as estatísticas estão em todo lugar para o bem e para o mal da população, naquela época era bem diferente. “Os políticos usam hoje dados estatísticos para fins eleitorais, muitas vezes para distorcer as informações em benefício próprio. Na era vitoriana [1837-1901, período em que a rainha Vitória comandou o Reino Unido], políticos negligenciavam as informações estatísticas.” Só se interessavam por estatísticas que lhes mostrassem quantos cidadãos poderiam se alistar no exército ou pagar impostos. Outras pessoas usavam estatísticas no comércio ou em propriedades rurais. Isso levou Florence a pensar na possibilidade de criar um departamento de estatística na Universidade de Oxford para que as pessoas aprendessem a coletar e interpretar dados estatísticos. “Mas a ideia não avançou, pois não recebeu apoio de outros acadêmicos.”

Além de diagramas e gráficos, especialistas também usam outra técnica influenciada por Florence: os ensaios clínicos aleatórios. Nesse método, o pesquisador organiza um
experimento com mais de uma intervenção e realiza cada intervenção a esmo nos pacien-
tes, isto é, sem escolhê-los. Funciona mais ou menos assim: um especialista separa os par-
ticipantes em dois grupos aleatórios, de maneira que formem grupos com características
parecidas. Um grupo (o de estudo) recebe o tratamento A, o outro grupo (de controle)
recebe um placebo; então o especialista compara uma informação estatística num grupo
com a mesma informação no outro. Depois verifica se, por exemplo, no grupo de estudo
as pessoas apresentaram menos casos de uma doença X, enquanto as pessoas que recebe-
ram o placebo apresentaram mais casos da doença X.

Eileen explica que Florence não pensava em teorias estatísticas como as conhecemos hoje, pois especialistas as criaram após seu tempo, mas seus trabalhos empíricos os influenciaram bastante. “Foi a introdução da matemática nos dados estatísticos, principalmente a partir de Karl Pearson no final do século 19 e de R. A. Fisher na década de 1920. Ambos forneceram a base teórica para essas teorias que conhecemos hoje.” Florence não se preocupava com a teoria matemática que pudesse explicar os dados, mas sim com “dados vitais”, isto é, dados ligados à saúde e à morte.

Ao longo dos anos, Eileen mudou de idéia sobre o trabalho de Florence Nightingale, pois percebeu que a enfermeira do século 19 é muito mais competente e capaz do que ela imaginava quando começou a pesquisa há 16 anos. O contato com o trabalho “prodigioso
e exaustivo” de Florence faz “muitas de suas ideias estatísticas continuarem relevantes
até hoje”. Eileen não pretende guardar o que descobriu nesses anos todos para si mesma. Irá publicar um livro sobre como Florence moldou a vida dela e suas ações com trabalhos estatísticos. Para Eileen, o assunto é tão universal que escreverá tanto para historiadores,
estatísticos, enfermeiros quanto para o público em geral. “Com esse livro quero colocar Florence Nightingale na vanguarda da ciência e da estatística, ao invés de relegar seu trabalho a segundo plano, como tantos autores têm feito. Ela era uma cientista e estatística
muito mais competente do que se pensa atualmente. Era muito mais do que apenas a
“senhora com a lâmpada.”


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Os números de 2011

02/01/2012 às 7:51 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Compartilho com meus leitores, neste primeiro dia útil do mês, a estatística do ZEducando de 2011. Agradeço a todos as visitas, os emails e os comentários. E vamos em frente !


Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

O Museu do Louvre, em Paris, é visitado todos os anos por 8.5 milhões de pessoas. Este blog foi visitado cerca de 72.000 vezes em 2011. Se fosse o Louvre, eram precisos 3 dias para todas essas pessoas o visitarem.

Clique aqui para ver o relatório completo

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