A César o que é de César

12/06/2014 às 3:50 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Hoje é um dia especial na vida de todo brasileiro. Como não poderia deixar de ser, havia eu que fazer um post igualmente especial. Segue, pois, um excelente texto para reflexão dos conterrâneos dessa bela Pindorama. Pouca gente se lembra, ou quer se lembrar, que foi ele, Lula, com o seu esforço e prestígio internacional, que conseguiu essa Copa para o Brasil. Mesmo correndo sério risco de perder mais alguns leitores, me sinto na obrigação de divulgar esse texto, porque do célebre complexo desvendado por Nélson Rodrigues eu já me considero livre: vira-lata nunca !

 

RUMO AO HEXA BRASIL !

Brasil_futebol


O mundo se encontra no Brasil

Quando era presidente da República, trabalhei intensamente para que a Copa do Mundo de 2014 fosse realizada no Brasil. E não o fiz por razões econômicas ou políticas, mas pelo que o futebol representa para todos os povos e, particularmente, para o povo brasileiro. A nossa população apoiou com entusiasmo a ideia, rejeitando o preconceito elitista dos que dizem que um evento desse porte “é coisa de país rico”, e se esquecem de que o Uruguai, o Chile, o México, a Argentina, a África do Sul e o próprio Brasil já o sediaram com sucesso.

O futebol é o único esporte realmente universal, praticado e amado em todos os países, por pessoas das mais diferentes classes, etnias, culturas e religiões.

E talvez nenhum outro país do mundo tenha a sua identidade tão ligada ao futebol quanto o Brasil. Ele não foi apenas assimilado, mas, de alguma forma, também transfigurado pela ginga e pela mistura de raças brasileiras. Nos pés de descendentes de africanos ganhou um novo ritmo, beleza e arte. Durante muitos anos, foi um dos poucos espaços, junto com a música popular, em que os negros podiam mostrar o seu talento, enfrentando com alegria libertária a discriminação racial. Não é por outra razão que o futebol e a música são muitas vezes a primeira coisa que um estrangeiro lembra quando se fala do Brasil.

Para nós, o futebol é mais do que um esporte, é uma paixão nacional, que vai muito além dos clubes profissionais. Milhões de pessoas o praticam, amadoristicamente, no seu dia a dia, nos quintais, nos terrenos baldios, nas praias, nos parques, nas praças públicas, nas ruas da periferia, nos pátios das escolas e das fábricas. Onde houver uma área disponível, por menor que seja, ali se improvisa uma partida de futebol. Se não tem bola de couro, joga-se com bola de plástico, de borracha ou de pano. Em último caso, até com uma latinha vazia.

Em 1958, na Suécia, uma seleção espetacular encantou o planeta, ganhando nosso primeiro título mundial. Eu tinha doze anos, e juntei um grupo de amigos para ouvirmos a partida final num campinho de várzea com um pequeno rádio de pilha. Nossa fantasia compensava com sobras a falta de imagens, viajando na voz do locutor. Ela nos transportava como num tapete mágico para dentro do Estádio Rasunda de Estocolmo. E ali não éramos apenas espectadores, mas jogávamos… Eu sonhava em ser jogador de futebol, não presidente do Brasil.

O grande escritor Nelson Rodrigues, nosso maior dramaturgo, disse que com aquela vitória conquistada por gênios da bola como Pelé, Garrincha e Didi o Brasil tinha superado o seu “complexo de vira-lata”. E que complexo seria esse? “É a inferioridade – dizia ele – em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do mundo”. Atrevendo-se a ser campeão, era como se o Brasil estivesse dizendo a si mesmo e aos demais países: “Sim, nós podemos ser tão bons quanto qualquer um”.

Naquela época, o Brasil estava começando a se industrializar, tinha criado a sua própria empresa de petróleo e o seu banco de desenvolvimento, as classes populares reivindicavam democraticamente melhores condições de vida e maior participação nas decisões do país – mas os setores privilegiados diziam que isso era um erro gravíssimo, fruto de “politicagem” ou “esquerdismo”, já que comprovadamente não existia petróleo em nosso território e não tínhamos necessidade alguma de inclusão social e muito menos de uma indústria nacional…

Alguns chegavam a afirmar que uma nação como a nossa, atrasada, mestiça – de povo “ignorante e preguiçoso”, segundo um estereótipo muito difundido dentro e fora do país – devia conformar-se com o seu destino subalterno, sem ficar alimentando sonhos irrealizáveis de progresso econômico e justiça social.

Na verdade, não é fácil superar o “complexo de vira-lata”. Fomos colônia por mais de 320 anos, e a pior herança dessa condição é a persistência da mentalidade colonizada de servidão voluntária…

Entre 1958 e 2010, ganhamos cinco campeonatos mundiais de futebol. Somos até agora a nação com maior número de títulos conquistados. Mas o melhor de tudo é que o saudável atrevimento do povo brasileiro não se limitou ao âmbito esportivo.

O Brasil que o mundo vai conhecer a partir de 12 de junho é um país muito diferente daquele que sediou a Copa de 1950, quando perdeu na final para o Uruguai. Ainda tem problemas e desafios, alguns bastante complexos, como qualquer outra nação, mas já não é mais o eterno “país do futuro”. O país de hoje é mais próspero e equitativo do que era há seis décadas. Entre outras razões porque a nossa gente – principalmente a que vive no “andar de baixo” da sociedade” – libertou-se dos preconceitos elitistas e colonialistas e passou a acreditar em si mesma e nas possibilidades do país. Descobriu que, além de vencer competições mundiais de futebol, podia também vencer a fome, a pobreza, o atraso produtivo e a desigualdade social. Que a mestiçagem, longe de ser um obstáculo – pior: um estigma – é uma das maiores riquezas do nosso país.

É esse novo Brasil que vai sediar a Copa. Um país que já é a sétima economia do planeta e que, em pouco mais de dez anos, tirou 36 milhões de pessoas da miséria e levou 42 milhões para a classe média. É o país com as taxas de desemprego mais baixas da sua história. Que, segundo a OCDE, entre todos os países do mundo, foi um dos que mais aumentou nos últimos anos o investimento em educação. Um país que se orgulha de todas essas conquistas, mas não esconde os seus problemas, e se empenha em resolvê-los.

Recentemente, a Copa do Mundo tornou-se objeto de feroz luta política e eleitoral no Brasil. Á medida que se aproxima a eleição presidencial de outubro, os ataques ao evento tornam-se cada vez mais sectários e irracionais. As críticas, naturalmente, são parte da vida democrática. Quando feitas com honestidade, ajudam a aperfeiçoar a preparação do país para esse grande acontecimento esportivo. Mas determinados setores parecem desejar o fracasso da Copa, como se disso dependessem as suas chances eleitorais. E não hesitam em disseminar informações falsas que às vezes são reproduzidas pela própria imprensa internacional sem o cuidado de checar a sua veracidade. O país, no entanto, está preparado, dentro e fora de campo, para realizar uma boa Copa do Mundo – e vai fazê-lo.

A nossa seleção foi a única a participar de as 19 edições da Copa do Mundo e sempre fomos muito bem recebidos nos outros países. Chegou a hora de retribuir com hospitalidade e alegria tipicamente brasileiras. A procura de bilhetes tem sido forte, com pedidos de mais de 200 países. Esta é uma oportunidade extraordinária para milhares de visitantes conhecerem mais profundamente o que o Brasil tem de melhor: o seu povo.

A importância da Copa do Mundo não é apenas econômica ou comercial. Na verdade, o mundo vai se encontrar no Brasil a convite do futebol. Vai demonstrar novamente que a ideia de uma comunidade internacional pacifica e fraterna não é uma utopia.

(Luiz Inácio Lula da Silva é ex-presidente do Brasil, que agora trabalha em iniciativas globais com Instituto Lula e pode ser seguido em facebook.com/lula).

A 30 dias da Copa !

12/05/2014 às 3:25 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Estamos a 30 dias do início da Copa. Faltando 50 dias recebi um email de um amigo com esses dados. Posto agora para justamente ir “contra a maré da grande mídia” e provocar o pensamento, razão primeira da existência deste blog.

Copa_do_Mundo_2014


50 dias para a Copa, 50 benefícios

A 50 dias de a bola rolar para Brasil x Croácia, na primeira das 64 partidas da Copa do Mundo, o Portal da Copa reuniu uma série de informações que detalham os investimentos feitos em várias frentes para o Brasil receber o Mundial. Investimentos que transcendem, e muito, a construção e reforma das 12 arenas. Envolvem infraestrutura turística, aeroportos, mobilidade urbana, terminais de passageiros em portos e estrutura em segurança que ficará para as cidades-sede. Também incluem qualificação profissional, incentivo ao voluntariado e promoção do artesanato e de eventos culturais com valorização da cultura nacional. Em outra frente, mexe com a economia, antecipa investimentos em telecomunicações, gera empregos em diversos setores e implementa novos padrões de sustentabilidade em obras. Confira:

1. Mais turistas
A Copa aumenta a visibilidade do Brasil e atrai milhares de turistas estrangeiros.

2. Mais turistas gastando mais
Estudo da Embratur mostra que os gastos dos turistas brasileiros e estrangeiros durante a Copa devem chegar a R$ 25,2 bilhões em todo país.

3. Mais estrutura para os turistas
R$ 196 milhões estão sendo investidos em infraestrutura turísticas nas cidades-sede: novos Centros de Atendimento ao Turista, mais sinalização e acessibilidade que ficarão para o país.

4. Mais infraestrutura
A Copa antecipa investimentos em infraestrutura necessários para o Brasil.

5. Melhorias no país
Os investimentos são em mobilidade urbana, portos, aeroportos, estádios, segurança, telecomunicações e turismo.

6. Investimentos
R$ 25,6 bilhões é o total de investimentos nas cidades-sede da Copa, detalhados na Matriz de Responsabilidades.

7. A Copa é do Brasil
As 12 sedes estão espalhadas nas cinco regiões do país.

8. Estádios financiados
Não há dinheiro do orçamento da União nos estádios. Eles foram erguidos com financiamento do BNDES, recursos locais e recursos da iniciativa privada e somam R$ 8 bilhões. O valor será pago de volta ao banco.

9. Saúde e educação
A Copa do Mundo não retirou nenhuma verba dos orçamentos da Saúde e da Educação – ambos aumentam a cada ano.

10. Arenas sustentáveis e seguras
Os 12 estádios da Copa são mais modernos e sustentáveis, e trazem conforto e segurança para os torcedores.

11. Transporte coletivo
São 45 obras de mobilidade urbana que priorizam o transporte coletivo e representam investimento de R$ 8 bilhões. Algumas ficarão prontas depois da Copa do Mundo.

12. Mais transporteOs projetos de mobilidade urbana para a Copa incluem corredores e vias para ônibus, Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs), projetos de Bus Rapid Transit (BRTs), estações, terminais e Centrais de Controle de Tráfego.

13. Portos
O investimento em portos é de R$ 587 milhões nas cidades-sede de Fortaleza, Natal, Recife, Salvador e Manaus, além de uma obra em Santos (SP).

14. Aeroportos mais modernos
Os 21 empreendimentos de reforma e construção de terminais aumentarão em 81% a capacidade de recepção de passageiros nas sedes da Copa do Mundo. Isso fica para o Brasil.

15. Investimentos em aeroportos
O investimento nos aeroportos é de R$ 6,28 bilhões, sendo R$ 3,62 bilhões de recursos privados.

16. Brasil em evidência
Um total de 90 aeroportos serão usados na Copa para o deslocamento de delegações, autoridades e público em geral.

17. Reforço na malha aérea
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorizou 1.973 novos voos entre 6 de junho e 20 de julho.

18. Mais voos, mais vagas
A oferta de assentos nos aviões para o período da Copa é 11,5 milhões.

19. Melhorias em telecomunicações
O Brasil está investindo R$ 404 milhões em telecomunicações para a Copa, sendo R$ 233 milhões da Telebras e R$ 171 milhões da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

20. Tecnologia 4G
A tecnologia móvel 4G, até 10 vezes mais rápida que a atual, já é uma realidade nas 12 cidades-sede.

21. Mais segurança
O investimento em segurança pública no país para a Copa é de R$ 1,9 bilhão.

22. Legado em segurança
Os Centros Integrados de Comando e Controle (12 regionais e 2 nacionais) são um dos grandes legados de segurança para o país.

23. Trabalho voluntário
Até 18 mil participantes do programa Brasil Voluntários do governo federal darão suporte aos torcedores nos pontos principais de movimentação das cidades-sede. Eles receberão certificados da Universidade de Brasília, valorizarão seus currículos e enriquecerão suas experiências pessoais.

24. Empregos
A Copa deve gerar cerca de 710 mil empregos permanentes e temporários.

25. Retorno de investimento
Pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e do Ministério do Turismo mostrou que somente a Copa das Confederações acrescentou R$ 9,7 bilhões ao PIB brasileiro.

26. Acréscimo ao PIB
A expectativa é de que a Copa gere quase R$ 30 bilhões de acréscimo ao PIB Brasileiro (Fonte: Pesquisa Mtur/Fipe).

27. Mais cultura
O investimento na revitalização de museus e de outros equipamentos culturais das cidades-sede é de mais de R$ 50 milhões.

28. Diversidade cultural
O concurso Cultura 2014 abriu espaço para a contratação de 1,2 mil apresentações para reforçar a programação cultural nas cidades-sede.

29. Mais artesanato
O artesanato também terá destaque na Copa com o projeto Vitrines Culturais, que está selecionando 60 mil peças para venda durante o Mundial.

30. Arenas multiuso
As arenas da Copa são multiuso. Além do futebol, recebem shows, congressos e diversos outros eventos.

31. Copa além das 12 sedes
Os Centros de Treinamento escolhidos pelas 32 seleções estão localizados em 27 cidades.

32. Oportunidades
Cerca de R$ 100 milhões já foram gerados em negócios para micro e pequenas empresas por oportunidades ligadas à Copa.

33. Mais exportações
A Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex-Brasil) atingiu US$ 1,8 bilhão em negócios no Projeto Copa somente durante a Copa das Confederações.

34. Capacitação
Cerca de 10 mil profissionais de saúde foram capacitados para atuar na Copa do Mundo ao longo dos últimos três anos.

35. Saúde
As 12 sedes possuem, ao todo, 531 unidades do (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), 66 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e 67 hospitais para atender a população local e os turistas durante o Mundial.

36. Torcida em peso
2,57 milhões de ingressos da Copa foram alocados para torcedores brasileiros e estrangeiros até o dia 1º de abril.

37. Recorde de solicitações
A Copa do Mundo no Brasil teve um recorde de solicitações de ingressos. Foram 11 milhões de pedidos.

38. Mais hotéis
R$ 1,03 bilhão foi o valor destinado para a construção ou reforma de hotéis em cidades-sede e redondezas pela linha de financiamento ProCopa Turismo do BNDES.

39. Sustentabilidade
O lixo sólido produzido nos 12 estádios da competição será coletado e encaminhado para reciclagem em cooperativas.

40. Preços justos
Um comitê interministerial foi criado para discutir e fiscalizar tarifas de passagens e hotéis durante o torneio.

41. Transparência
As obras da Copa são fiscalizadas por órgãos de controle regionais e federais, como o Tribunal de Contas da União (TCU) e os tribunais estaduais.

42. Qualificação profissional
166 mil pessoas foram matriculadas em cursos de qualificação do Pronatec Turismo, ultrapassando a meta de 157 mil vagas até a Copa do Mundo.

43. Qualificação turística
O Pronatec Turismo ofereceu 54 cursos de idiomas e profissionalizantes ligados ao setor de turismo em 120 cidades.

44. Integração
A Copa está sendo planejada de forma integrada. Comitê Organizador Local, governos federal e estadual e prefeituras atuam em conjunto na preparação do evento.

45. O mundo de olho no Brasil
Aproximadamente 18 mil jornalistas estão credenciados para a cobertura da Copa. Mais um recorde do Mundial do Brasil.

46. O Brasil campeão
A final da Copa das Confederações atraiu a maior audiência em esportes da TV Brasileira, com cerca de 42 milhões de pessoas sintonizadas.

47. Lembranças da Copa
O Banco Central do Brasil lançou nove modelos de moedas oficiais comemorativas do Mundial, com tiragem de 165 mil exemplares.

48. Selos comemorativos
Os Correios colocaram em circulação 12 selos que retratam as cidades-sede, com tiragem de 600 mil exemplares.

49. Experiência para a vida toda
Cerca de 700 adolescentes terão a oportunidade de vivenciar os jogos da Copa como gandulas.

50. Segurança das fronteiras
A Operação Ágata fará ações de segurança nos quase 17 mil quilômetros de fronteiras brasileiras com os países sul-americanos. Serão mais de 33 mil militares.

O Brasil precisa muito mais de bons cidadãos que de filantropia

11/11/2012 às 17:46 | Publicado em Artigos e textos | 2 Comentários
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Tostão, o craque da bola e da pena, de vez em quando passa aqui com suas boas crônicas dominicais. Segue mais uma. Eu, e acho que a maioria, não sabia o que ocorreu com a escola próxima ao Maracanã… Mas e o futebol ? Fica só como pano de fundo, confiram !


DIVERSIDADE E CONTRADIÇÃO (Tostão)  tostao

É absurda a demolição da Escola Pública Municipal Friedenreich, com 349 alunos, a quarta melhor da cidade, por causa de obras no Maracanã, para a Copa. No local, haverá a construção de duas quadras cimentadas, para aquecimento dos jogadores. Além da importância da escola, os vestiários do Maracanã são enormes, e os jogadores, geralmente, se aquecem, antes das partidas, no gramado.

Faltam ainda quase dois anos para a Copa e, por ter sido campeão do mundo, já recebi convites para participar de fan fests, encontros públicos de torcedores que não terão ingressos para ir aos estádios, talk shows e outros eventos relacionados ao Mundial. Sempre recuso. Muitas pessoas não entendem. Não sou ex-jogador que escreve sobre futebol. Sou um cidadão, colunista, que foi jogador. Não quero que uma coisa interfira na outra.

Apesar de a maioria das pessoas se dizer democrática, aberta, as opiniões diferentes, mesmo com conhecimento, costumam ser ignoradas, como se contrariassem uma verdade estabelecida. Elas não escutam nem querem aprender. As que sabem menos são, geralmente, as que têm mais certeza.

Um dos papos mais furados que ouço, desde a adolescência, é que o esporte de alto rendimento é um bom lugar para se aprender e desenvolver os valores éticos e morais. Nunca foi. A ambição, o desejo de ser herói e de ganhar muito dinheiro costumam ser mais fortes.

Há exceções.

Lance Armstrong, o mito do ciclismo, bastante elogiado por suas obras sociais, dopou-se durante toda a carreira. Dizem que a maioria se dopa no ciclismo. Na semana passada, o presidente da federação brasileira respondeu a um repórter sobre o assunto com uma pergunta: “Por que os ciclistas são excepcionais nos clubes e, quando chegam à seleção, caem bastante de produção?”. Foi despedido.

No passado, por não haver exames antidoping, os jogadores de futebol se dopavam muito mais que hoje. Evidentemente, o doping era amador, menos sofisticado. Mas a intenção era a mesma.

Entre esportistas, empresários, políticos e profissionais de todas as áreas, muitas vezes, belos discursos e ações generosas e humanitárias convivem com uma desmedida ambição, de querer levar vantagem em tudo. O Brasil precisa muito mais de bons cidadãos que de filantropia.

É preciso separar a contradição e a incoerência humana do marginal, que se finge de honesto. Às vezes, as duas coisas se misturam.

Em um mundo tão contraditório, é esperar demais que um jogador, na emoção da partida e em uma fração de segundo, reprima e sublime seus impulsos agressivos e tenha sempre condutas educadas e éticas. Isso não o livra de pagar por seus erros. Se os infratores, em todas as atividades, não forem punidos, será o caos.

Mascote da Copa

26/09/2012 às 14:54 | Publicado em Fotografias e desenhos | 1 Comentário
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