Angústia

13/05/2018 às 18:38 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Fechando este Dia das Mães com a crônica dominical de Veríssimo, imperdível !


Angústia  Verissimo_sax

Uma das tantas teorias sobre o começo da civilização é a da angústia do pênis exposto. Quando os primeiros hominídeos desceram das árvores e foram viver na savana, uma das consequências de andarem eretos e terem que se espichar para pegar as frutas foi que seus órgãos sexuais ficaram expostos ao escrutínio.

Antes de darem às fêmeas, ou aos mulherídeos, a chance de organizarem uma sociedade de acordo com o que viam e determinarem que os mais bem aparelhados teriam o poder – o que inviabilizaria qualquer tipo de hierarquia baseada na inteligência e, principalmente, na antiguidade, além de decretar o fim da linhagem dos pintos pequenos, que nunca se reproduziriam – os machos tomaram providências, começando a tapar suas vergonhas, coisa que nenhum outro animal tinha feito antes. A civilização, portanto, começou pelas calças. Ou o que quer que usassem nas savanas para tapar o sexo.

Tudo que veio depois – a linguagem, o fogo, a roda, a escrita, a agricultura, a indústria, a ciência, as nações, as guerras, todas as afirmações masculinas que independem do tamanho do pinto – foi, de um jeito ou de outro, uma extensão das primeiras calças.

Um disfarce, um estratagema do macho para roubar da fêmea o seu papel natural na evolução da espécie ao escolher o reprodutor que lhe servia pelas suas credenciais mais evidentes e não pelas suas poses e seus poemas. Toda a nossa cultura misógina vem do pavor de que a mulher retome seu poder pré-histórico e, não sendo nem prostituta nem nossa santa mãe, queira tirar nossas calças.

A misoginia é um traço forte da tradição judaico-cristã. Nos espantamos com sua prevalência no mundo islâmico mas ela também subsiste, mal camuflada, nos costumes e nas artes do Ocidente, onde a mulher predadora é um terror constante. E o que é a supervalorização da virgindade e a estigmatização civil do adultério, como constam na lei brasileira, senão uma tentativa de garantir quer a mulher só descubra o tamanho do pênis do marido quando não pode fazer mais nada a respeito? Continuaríamos vivendo a angústia das savanas.

Independentemente das teorias, a virgindade é um tema para muitas divagações. Ninguém, que eu saiba, ainda examinou a fundo, sem trocadilho, todas as implicações do hímen, inclusive filosóficas. Já vi o hímen – que, salvo grossa desinformação anatômica, não tem qualquer outra função biológica a não ser a de lacre – descrito como a prova de que o Universo é moralista. E, levando-se em conta a dor do defloramento e mais as agruras da ovulação e do parto em comparação com a vida sexual fácil e impune do homem, também é misógino.

Mas em comparação com o que a mulher, historicamente, sofreu num mundo dominado por homens e seus terrores, o que ela sofre com a Natureza é pinto. Com trocadilho.

(Luis Fernando Veríssimo)

FONTE: Principais jornais do país, hoje.

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Antiginástica

17/04/2018 às 3:27 | Publicado em Artigos e textos, Piadas e causos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Antiginástica e antipsiquiatria. Interessante. Quem sabe isso não é apenas um começo para outros “anti” ? Antipoliticamentecorreto !? Assim que vi esse post no blog-irmão “O Bem Viver”, logo quis reproduzi-lo aqui. E, no mesmo momento, me lembrei de um médico (pediatra muito competente), hoje beirando os 90 anos, ativo, com saúde, bebendo menos mas com a mesma alegria de viver de sempre, irmão de um grande amigo do Rio, que dizia do alto de sua sabedoria: “– Sabe o que eu faço quando vem a vontade de praticar qualquer tipo de ginástica ? – Me deito no sofá e deixo a vontade passar !”.


O que é a antiginástica e o que ela pode fazer por você e seu corpo

Sessão de antiginástica

Image captionA antiginástica é realizada em grupos – às vezes são usados acessórios, como bolas ou almofadas, para facilitar algum movimento | Foto: KH Photography

A jornalista Carolina Robino, repórter da BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC, conta abaixo sua experiência com a antiginástica:

Cada vez que conto a alguém que estou fazendo antiginástica sou bombardeada por risadas e piadas:

– Como é? Você não faz nada? É perfeito para mim.

– Você senta no sofá e assiste à televisão? Que legal!

– Perder peso sem sair de casa? Maravilhoso!

Sim, o nome pode gerar mal entendidos, mas os piadistas estão muito longe da realidade.

A antiginástica é uma prática corporal que busca autoconhecimento do corpo e o entendimento de que várias partes diferentes se conectam. O método também busca reconhecer e despertar áreas que estão adormecidas, que perderam mobilidade ou sensibilidade, com o objetivo final de aumentar o bem-estar.

Por exemplo:

Em minha primeira sessão – que, diferentemente das outras, foi individual -, passei muito tempo deitada no chão apenas mexendo a língua e a mandíbula para todos os ângulos imagináveis e possíveis, tentei com relativo sucesso mover meu dedinho sem mexer os outros dedos e sem tirar o pé do chão, e mantive uma perna levantada para o teto por vários minutos.

Antiginástica com a língua

Image captionMover a língua pode beneficiar outras partes do corpo | Foto: KH Photography

E isso foi tudo.

Para minha surpresa, quando cheguei em casa, deitei no sofá e dormi profundamente durante pelo menos três horas. Estava esgotada. Algo raro? Nem tanto. O esforço para mexer algo há muito tempo parado pode ser extenuante, mas tem sua recompensa.

Rompendo padrões

A antiginástica foi criada na década de 1970 pela fisioterapeuta francesa Thérèse Bertherat, que dedicou boa parte da sua vida a observar o corpo e entender tanto o potencial que ele tem, quanto os obstáculos que criamos.

Seu trabalho foi inspirado principalmente nas pesquisas de sua colega e compatriota Françoise Mézières, que analisou com profundidade a poderosa cadeia de músculos entrelaçados na parte de trás do corpo, desde a base do crânio até debaixo dos pés.

Bertherat acredita que muitos dos males que nos assolam vêm do excesso de tensão, encurtamentos e contrações dessa cadeia de músculos. Ela apostou que exercícios de alongamento ajudariam a relaxar o corpo para que, eventualmente, todos os ossos, músculos, tendões e ligamentos voltassem ao lugar, naturalmente.

A criadora da antiginástica, Therese Bertherat

Image captionA criadora da antiginástica, Thérèse Bertherat | Foto: Isabelle Levy/Lehmann

“Minha mãe era uma mulher muito pragmática, estudiosa e observadora”, explica Marie, filha de Bertherat, que desde a morte da mãe, em 2014, administra o principal centro de antiginástica do mundo, em Paris.

Seu método se desenvolveu a partir de diversas disciplinas que ela investigou e praticou – psicanálise, acupuntura e rolfing (espécie de medicina alternativa), entre outros – mas, acima de tudo , da extrema observação de como nos movimentamos, paramos, caminhamos e nos sentamos.

Ela chamou de “antiginástica” um pouco por acaso, porque queria escrever sobre o tema e precisava de um nome. Nos anos 1970, era moda romper com modelos e padrões.

Seu próprio marido se ocupava com a antipsiquiatria, que defendia tratamentos mais brandos para pessoas com doenças mentais. Ironicamente, ele foi morto por um de seus pacientes.

Antiginástica nos pés

Image captionOs pés, a base do corpo, são fundamentais para os exercícios de antiginástica | Foto: KH Photography

O corpo e suas razões

Em 1976, Thérèse Bertherat publicou O corpo e suas razões, livro que virou best-seller instantâneo e expôs suas ideias a milhões de leitores em todo o mundo.

Depois de lê-lo, milhares de pessoas escreveram para ela pedindo ajuda para salvá-los e curá-los.

Isso a desconcertou. Inicialmente, ela pensou que esses leitores não tinham entendido a proposta. Se tornar uma espécie de guru era algo que estava bem longe de suas intenções.

“É uma pedagogia no sentido de que dá informações sobre si mesmo”, explicou ela.

“Mas não existe magia.”

Na antiginástica, tudo tem uma razão anatômica. Ela é direcionada a cada parte do corpo: pés, ombros, olhos, mandíbulas, costas, abdômen, períneo, diafragma, espinha, ombros, clavículas. Ao mesmo tempo, ela também se volta para as conexões entre essas partes.

Quando se esfrega repetidamente a palma de uma mão, pode-se estar, sem saber, ajudando de alguma maneira a alongar o músculo do trapézio. E, ao movimentar a língua repetidamente, estamos fortalecendo ou soltando a traqueia – ou, ainda que seja difícil notar, fortalecendo também as pernas.

Mariela Panero

Image captionA argentina Mariela Panero descobriu a antiginástica depois de ler um livro sobre o assunto | Foto: Santiago Ginzburg

Todos os exercícios são ferramentas para tomar consciência do próprio corpo e de como ele pode contar nossa história e emoções.

Bertherat descreveu essa ideia muito bem, usando uma metáfora:

“Há uma casa que tem seu nome, você é o único proprietário, mas você não pode entrar. Você fica afastado, na frente da fachada, porque você perdeu a chave (…) Mas as paredes sabem tudo, elas não se esquecem de nada.”

Dor crônica

Mariela Panero tem 47 anos e há dez descobriu a antiginástica. Ela é argentina e vive em Londres desde 1998. Sempre trabalhou com o corpo – primeiramente como bailarina e, em seguida, como professora de pilates.

“Eu acreditava que conhecia meu corpo, mas tudo que tinha feito era treiná-lo, forçá-lo e domesticá-lo”, conta.

“Como tanta gente, exigia muito (do corpo) e comecei a ter dores crônicas nas costas e na cabeça. Eu não queria passar pela rotina médica de injeções, remédios, exames. Então comecei a investigar, a ler”, diz.

Ela descobriu o livro O corpo e suas razões – e leu em dois dias.

“Vi que era o caminho que eu queria seguir”, afirma.

Panero estudou a técnica na Espanha, um dos países onde há praticantes e entusiastas do método criado por Bertherat. Há também cursos de formação em outros 32 países, como Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Peru, Uruguai e Venezuela.

Cada um por si

A antiginástica se desenvolve em ciclos de 11 ou 12 sessões. Ao fim de uma, começa outra totalmente diferente.

Ao contrário de outras técnicas de trabalho corporal, você nem sempre sabe a razão de estar fazendo aquele movimento. O instrutor dá apenas dicas, sem nunca mostrar como fazer exatamente. Também não há espelhos, para que o participante não copie o jeito de se movimentar do colega. Cada um trabalha com seu próprio corpo.

Antiginástica

Image captionA antiginástica não usa espelhos: cada um descobre como fazer os movimentos | Foto: KH Photography

Não é necessário ter experiência ou qualquer doença, embora muitos que começam a praticar o exercício sofram de dores físicas. A antiginástica pode ser praticada por qualquer pessoa.

“Você só precisa ter um corpo”, brincou Bertherat.

“Eu vi atletas que tentaram fisioterapia ou reabilitação, e que apenas com a antiginástica conseguiram competir novamente”, diz Panero. “Mas também há pessoas que não têm nada, que ouviram falar sobre o método e ficaram curiosas” .

“Talvez uma pessoa com excesso de peso, à medida que se conhece, acaba perdendo peso, mas não é cardiovascular”, ela esclarece.

“O corpo é maleável e, até morrer, há sempre a possibilidade de ser melhor”, diz ela. “O que estamos procurando nos exercícios é ser um pouco mais felizes, mais livres e mais autônomos”.

Ela acrescenta: “O corpo gosta de bem-estar e, uma vez que o encontra, vai querer mais”.

Talvez seja por isso que as pessoas resistem e insistem nas sessões, mesmo que algumas delas sejam francamente estranhas e até mesmo desconfortáveis.

Foi o que aconteceu com Peter, um londrino de 56 anos que pratica antiginástica há cinco anos:

“Algumas das aulas podem ser exigentes, mas quando terminam sempre me sinto mais confortável com meu corpo. É algo sutil e efetivo.”

“As lições se tornaram um oásis semanal em que descubro meu corpo, com tempo e paciência. Experimentei mudanças profundas não só nele, mas também na alma”, conclui.

Voltando às piadas, encontrei uma boa metáfora para explicar o que faço: é como ir ao psicólogo, mas quem fala é o corpo. Ouvir isso é surpreendente. Você pode nos contar as coisas mais interessantes sobre a autocobrança, a importância de reconhecer nossos limites e a felicidade.

Um dia, um tempo atrás, enquanto esperava o ônibus, comecei a sorrir. Se alguém tivesse me perguntado a causa, minha resposta teria sido: “Eu apenas senti como o fêmur se move na articulação do quadril”.

Pode não parecer grande coisa, mas eu garanto que a antiginástica provoca alegria.

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-42574030

Veja o vídeo abaixo (há legenda disponível, em português):

 

FONTE: https://obemviver.blog.br/2018/01/15/o-que-e-a-antiginastica-e-o-que-ela-pode-fazer-por-voce-e-seu-corpo/

O dia em que o Brasil quase entrou em guerra por causa de um canguru voador

01/04/2018 às 3:56 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Como hoje é primeiro de abril, dia de fato do Golpe de 64, e com todo o respeito aos militares sérios deste país, faço esse post com uma história inusitada de uma guerra que era para ser e não foi.


O dia em que o Brasil quase entrou em guerra por causa de um canguru voador

A gente tem a mania de repetir o bordão da Kate Lyra, “Brasileiro é tão bonzinho”, nos vendemos como povo pacífico e cordial, mas quando pisam no nosso calo somos um país igual aos outros, como os cheese-eating surrender monkeys descobriram em 1961, quando Brasil e França estiveram muito, muito próximos de uma guerra aberta.

Claro, escolher a França como inimigo é sempre uma boa opção, mas o ideal é não brigar, ainda mais por um motivo besta. Se bem que motivos bestas são a razão da maioria das guerras, Tróia foi invadida por causa de um rabo de saia, EUA e Coréia do Norte já se enfrentaram num arranca-rabo que resultou em várias mortes e o motivo foi uma árvore. El Salvador e Honduras entraram em guerra por causa de um jogo de futebol. EUA e Inglaterra quase guerrearam por causa de um porco.

Brasile França chegaram próximos das vias de fato por causa de… lagostas.

Por muito tempo ninguém dava bola pra lagostas, nos Estados Unidos elas eram usadas pra comida de cachorro ou de pobres, e se sobrasse, de cachorros pobres, mas a moda mudou, as pessoas começaram a gostar e a pesca se mostrou algo bem lucrativo. O Brasil como sempre demorou a perceber a oportunidade, mas nos Anos 60 já tínhamos uma indústria crescente, e quando começaram a falar que tinha lagosta por aqui isso encheu o olho de muita gente, inclusive os franceses.

Logo começaram a aparecer barcos pescando nas nossas costas, e o Governo de Brasília não gostou, botamos os caras pra correr, mas a França logo pediu permissão para mandar barcos “de pesquisa”. Nós topamos, e, claro, os caras enchiam os porões com lagostas.

A Marinha passou a patrulhar a costa do Nordeste, e em janeiro de 1962 a corveta Ipiranga apreendeu o pesqueiro Cassiopée, a uns 20Km da costa brasileira. A Ipiranga infelizmente naufragou em Fernando de Noronha, em 1983.

Com o Cassiopée apreendido, outros barcos espantados, criou-se uma saia-justa diplomática, com os franceses dizendo que tinham direito de pescar em alto-mar, e os brasileiros dizendo que não era pesca.

Apesar do que a gente aprende na escola as águas territoriais de um país, onde ele tem total soberania só vão até 12 milhas da costa, ou 22,2Km. Aquela groselha de 200 milhas é a Zona Econômica Exclusiva, sobre a qual o país tem controle sobre os recursos do leito marinho, mas não sobre as águas em si. Ou seja, você não pode impedir um navio de outro país de pescar por ali.

Essa foi a discussão. O Brasil alegou que as lagostas não eram peixes, que elas eram animais que andavam no fundo do mar, e portanto faziam parte dos recursos da plataforma continental, portanto não poderiam ser capturadas pelos franceses.

Eles por sua vez alegaram que as lagostas se movimentam saltando e percorrendo pequenos distâncias nadando, e que por isso deveriam ser classificadas como peixes. Não consta que ninguém tenha perguntado às lagostas em qual gênero elas se encaixavam, mas éramos muito transfóbicos nos Anos 60.

A melhor resposta veio do oficial e oceanógrafo da Marinha comandante Paulo de Castro Moreira da Silva:

“Se a lagosta é peixe porque se desloca dando saltos então o canguru é uma ave.”

Ém 1963 os franceses mandaram representantes para negociar licenças de pesca, mas com sua habitual arrogância avisaram que dois barcos já estavam a caminho. O Brasil não gostou, em resposta disseram que mais barcos já foram autorizados por Paris a seguir para o Brasil.

Pra piorar depois disso tudo o banana do João Goulart libertou os navios franceses apreendidos, e deu permissão para eles pescarem, mas a opinião pública foi tão negativamente contra que a permissão foi retirada. Em Paris DeGaulle ficou puto, afinal até os alemães mantinham a palavra.

Ele mandou um destróier Classe T53, o Tartu para proteger os navios pesqueiros franceses.

O Brasil por sua vez mobilizou uma força-tarefa com um cruzador e quatro destróiers, foi o que deu pra conseguir em tão pouco tempo. O porta-aviões, o Minas Gerais ainda estava em fase de incorporação, e não estava pronto pra combate.

Uma segunda frota começou a ser preparada, mas a situação do Brasil era periclitante. A Marinha estava caindo aos pedaços, vários dos navios não tinham nem a chamada “dotação de paz” de munição, que é o armamento levado no dia-a-dia, sem ser em tempo de guerra.

Não havia dinheiro nem tempo hábil pra comprar mais munição, e nos que conseguiram uma dotação de paz completa, isso significava munição para 30 minutos de combate.

Completando a desgraça, o adido naval dos Estados Unidos pediu uma reunião de emergência com o Estado-Maior das Forças Armadas brasileiras. Ele veio solicitar que os navios voltassem, pois o cruzador e os quatro destroyers eram arrendados, os EUA tinham alugado os navios pra gente, e nas cláusulas especificava que eles não poderiam ser usados contra países aliados dos EUA.

Em uma raríssima, quase inédita reação de macheza, os militares brasileiros lembraram aos EUA que quando eles pediram, nós declaramos guerra ao Japão, e lutamos lado a lado deles na Segunda Guerra, e de qualquer jeito o Tratado Interamericano de Defesa dizia que em caso de guerra os EUA deveriam nos ajudar.

Ficando o dito pelo não-dito, os navios seguiram adiante, mas os franceses tinham um ás na manga.

Na costa da África o porta-aviões Clemenceau e uma força-tarefa completa aguardavam para auxilia o Tartu, se fosse necessário, o que seria fatal para a frota brasileira.

Alguns navios não tinham munição para os canhões principais, o único submarino enviado, o Riachuelo, passou por reparos de emergência e foi enviado somente com torpedos de treino, quando chegou no nordeste técnicos de Arsenal de Marinha fizeram uma gambiarra instalando explosivo nas ogivas de treino, sem nenhuma garantia de que funcionaria.

A FAB fazia menos feio, identificaram a posição do Tartu e desde então ele era constantemente vigiado por aviões de patrulha e ataque, inclusive bombardeiros B-17. Os franceses faziam exercícios de tiro para tentar espantar os aviões, mas não adiantava.

Logo eles passaram a ser acompanhados por navios brasileiros, o Tartu e seis barcos de pesca. Os navios brasileiros começavam a quebrar, reparos de emergência eram feitos, mas o blefe foi mantido.

Depois do que pareceu uma eternidade, mas no total foi menos de um mês, os barcos franceses deram a volta e foram embora. Aparentemente a França havia se rendido!

Soube-se depois que os pescadores desistiram pois barco parado não faz dinheiro, e não podiam pescar com os brasileiros em volta. Negociações após o fim do conflito deram a 26 barcos franceses autorização para pescar na costa brasileira, por até cinco anos e parte do lucro seria dividido com pescadores brasileiros.

Entre mortos e feridos salvaram-se todos, o Brasil foi campeão moral e a França ganhou tudo que queria mesmo se rendendo.


Há que se admirar as tropas brasileiras, é muito pouca gente no mundo que pode se gabar de mesmo com armamento obsoleto, um mínimo de munição, treinamento deficiente e equipamentos quebrados, ter peitado uma potência nuclear e sobrevivido pra contar a história.

Só não foi final feliz pras lagostas.

(Cardoso)

FONTE: https://contraditorium.com/2018/02/24/dia-em-brasil-quase-entrou-em-guerra-por-causa-de-um-canguru-voador/

FIM: Um Sábado Qualquer

31/03/2018 às 3:24 | Publicado em Espaço ecumênico, Fotografias e desenhos | Deixe um comentário
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Sábado, com “Um Sábado Qualquer” !

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