Canal ZEducando: SEXTOU COM LIVROS -“SÓ OS PROFETAS ENXERGAM O ÓBVIO”, de Nelson Rodrigues

30/07/2021 às 8:18 | Publicado em Baú de livros, Midiateca | Deixe um comentário
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Neste vídeo do Canal ZEducando de hoje comento o livro “SÓ OS PROFETAS ENXERGAM O ÓBVIO”, do genial Nelson Rodrigues. No início faço um breve histórico da vida e obra deste que foi um dos maiores escritores e dramaturgos do Brasil.


DIFÍCIL DESCOBRIR O ÓBVIO 

21/03/2021 às 11:21 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Domingo é dia de boa música. Mas também dia de futebol. Confiram essa crônica do craque Tostão. É uma espécie de aula sobre o esporte mais popular do mundo !

BolaFutebol


DIFÍCIL DESCOBRIR O ÓBVIO  Tostao

Assisti, pela Netflix, dois dos seis capítulos da série “The English Game”, produzida no ano passado, sobre as relações entre a elite industrial inglesa e os trabalhadores. Na mesma história, a série trata do período inicial do futebol, em 1879, na Inglaterra.

Dizem que o futebol começou na China, há mais de dois mil anos. Ainda não aprenderam a jogar. Na Idade Média, chegou à Europa, e os trabalhadores brincavam com a bola no intervalo das construções das igrejas medievais.Deveser por isso que demoraram tanto para ficarem prontas.

Em 1863, foi fundada, em Londres, a Football Association, a primeira entidade a organizar o futebol no mundo. Foram definidos as 17 regras e os 11 jogadores de cada lado, que continuam até hoje. Em 1872, ocorreu o primeiro jogo internacional, entre Inglaterra e Escócia. Terminou 0 a 0. Nascia a retranca.

O futebol teria chegado ao Brasil em 1894, trazido Charles Miller, filho de um inglês com uma brasileira. Ele trouxe duas bolas,uma agulha para encher a bola, dois uniformes e dois livros de regras. Alguns contam uma história diferente, que o descobrimento do Brasil não foi por acaso. Cabral estava doido para jogar uma partida de futebol e já sabia que os índios eram bons de bola. Ao chegar perto da costa brasileira, Cabral gritou: “Bola à vista”. O jogo terminou 10 a 1 para os índios. Deixaram os descobridores fazerem um gol em troca de presentes. Nascia a pelada, pois os índios jogavam nus.

O árbitro da pelada entre portugueses e índios foi Pero Vaz de Caminha. Depois do jogo, ele escreveu ao Rei Dom Manuel I: “Em se treinando, bom futebol dá”. Aproveitou para pedir emprego a sua família. Nascia o nepotismo e o jeitinho brasileiro.

A série “The English Game” mostra, no primeiro capítulo, um jogo entre a elite industrial, que dominava o futebol, como aconteceu também no início do esporte no Brasil, e os operários. Patrões contra empregados. A equipe operária tinha contratado, para trabalhar e para jogar, um craque da Escócia. Começava o profissionalismo.

Na primeira parte do jogo, os patrões venceram com facilidade, graças a condutas escusas, trombadas, puxões de camisa e agressões, pois não havia faltas. Aí, o craque escocês reuniu o grupo de trabalhadores e disse: “Vamos sair da confusão. Cada um vai para um lado, e vamos trocar passes, passar, deslocar e correr para receber a bola”. Viraram o placar. Nascia a tática.

O craque escocês, uma mistura de jogador e técnico, mostrou também aos companheiros a estratégia de jogo, com dois zagueiros, três no meio-campo e cinco na frente (2-3-5). Foi o primeiro esquema tático usado no futebol, na Europa e no Brasil.

O jogo me lembrou alguns aspectos atuais do futebol. O Manchester City costuma atuar no 2-3-5, com dois zagueiros, três no meio-campo (um volante e os dois laterais que fecham para serem armadores) e cinco no ataque (dois pontas abertos, dois meias ofensivos e um centroavante). Uma característica marcante do City, dirigido por Guardiola, é trocar passes desde o goleiro, como já pedia o craque escocês aos companheiros.

Assim como o gol confirma a eficiência de uma equipe e o drible é o símbolo do jogo individua e da improvisação, o passe representa, em qualquer estratégia, o futebol coletivo, a solidariedade e a organização do time. Passaram-se quase 150 anos, e muitos ainda não descobriram o óbvio.

(Tostão)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 14.03.2021

Canal ZEducando: SEXTOU COM LIVROS – “A GINGA E O JOGO”

27/11/2020 às 8:04 | Publicado em Baú de livros, Canto da poesia, Midiateca | 1 Comentário
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No vídeo de hoje do Canal ZEducando comento o belo livro “A GINGA E O JOGO”, de Armando Nogueira. Futebol ? Sim, mas não apenas isso: poesia em prosa de um craque das palavras. Porque, como já disse Adélia Prado quem sabe parafraseando Ferreira Gullar, “A poesia existe porque nós não nos contentamos com a instância ordinária das coisas: precisamos do extraordinário.”


Pelé 80 anos !

23/10/2020 às 10:01 | Publicado em Artigos e textos, Midiateca | Deixe um comentário
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Nesses 80 anos do maior jogador de futebol de todos os tempos, faço aqui minha homenagem com essa bela crônica do Tostão e esse vídeo cheio de gols, além da citação do Drummond. Tostão, o craque da bola e da pena, cita Nelson Rodrigues e o ótimo livro “VENENO REMÉDIO”,  de José Miguel Wisnik.


Pele_Carlos_Drummond


A PERFEIÇÃO EXISTE ?

No dia 23, Pelé completa 80 anos. Nelson Rodrigues, com seu delicioso exagero, dizia que a maior qualidade de Pelé era a “imodéstia absoluta”, a certeza de ser muito superior a todos. Nelson dizia ainda que a bola o procurava, com a humildade de uma cadelinha.

Pelé sabia que era o melhor, mas também que precisava dos companheiros para brilhar intensamente. Escutava também opiniões. Contra a Inglaterra, no Mundial de 1970, ele estava muito marcado. Cheguei até ele e falei: “Por que você não muda de lado”? Ele me olhou e, com seus olhos vivos,meperguntou:

“Você acha”? Afirmei que sim. Ele foi para a esquerda, e atuou melhor. Nós todos, coadjuvantes, precisávamos ajudá-lo, pois sabíamos que, quanto mais ele se destacasse, seria ótimo para a equipe e melhoraria a atuação de todos. Isso é jogo coletivo. Um necessita do outro. O restante é conversa fiada.

Conheci Pelé, fora dos gramados, quando começaram os treinamentos para o vexame da Copa de 1966, quando o Brasil foi eliminado na primeira fase. A apresentação foi em Lambari, no interior de Minas Gerais,seguida por dezenas de outras cidades por todo o Brasil. Foi uma estratégia da ditadura para agradar políticos e governantes.

Em Caxambu, outra cidade mineira, houve um jogo-treino contra o Cruzeiro. Meu pai foi de ônibus,com a delegação do time mineiro. Foi me ver e queria conhecer Pelé. Apresentei-o ao Rei, que deu um longo abraço em meu pai, que, emocionado, chorou. Não é todo dia que um súdito conhece o rei.

Vivi, ao lado de Pelé, dois momentos emocionantes, um triste e outro alegre. O triste, no dia seguinte à eliminação da Copa de1966, na voltada Seleção,de trem, ao seu lado, de Liverpool, onde a Seleção ficou concentrada, para Londres, onde pegaríamos o avião para o Brasil. Estávamos todos muito tristes. Um grande silêncio. Pelé parecia que queria me dizer: “Daqui quatro anos, será diferente”.

O outro momento, alegre, foi logo após o fim do jogo contra a Itália, em 1970. Pelé, além de conquistar mais um grande título, estava eufórico, porque tudo tinha dado certo. O Brasil venceu, deu show, e Pelé, que, antes do Mundial, começava a ser criticado porque estaria em decadência, mostrou, para sempre, que era o maior de todos os tempos.

Antes de a bola chegar, Pelé meolhava como se quisesse me dizer tudo o que iria fazer. E fazia. Eu tentava acompanhá-lo, ajudá-lo. A comunicação analógica, pelo olhar, pelos movimentos do corpo, é menos precisa que a digital, porém riquíssima. O corpo não mente.

José Miguel Wisnik, em seu excepcional livro “Veneno Remédio: o futebol e o Brasil”, escreveu que: “Pelé parece funcionar em uma frequência diferente da dos demais jogadores, como se ele tivesse mais tempo para pensar e ver o que se passa, assistindo, em câmera lenta, ao mesmo jogo do qual está participando,em altíssima velocidade, enquanto os outros, em torno dele, parecem estar assistindo ao jogo em altíssima velocidade e jogando em câmera lenta”.

Pelé tinha, no mais alto nível, todas as qualidades técnicas, físicas e emocionais para ser um super atacante. Por isso, era o melhor. Diante das dificuldades, se tornava possesso, uma fera cutucada e enjaulada. Messi não tem as virtudes físicas e emocionais de Pelé, e Cristiano Ronaldo não possui a fantasia, a inventividade, e não dá tantos passes decisivos quanto o Rei. A perfeição existe? Seria Pelé perfeito?

(Tostão)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 21.10.2020


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