Campanha do Cruzeiro que expôs a realidade das mulheres ganha prêmio em Cannes

23/07/2017 às 3:27 | Publicado em Artigos e textos | 1 Comentário
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PARABÉNS AO CRUZEIRO DE MINAS GERAIS !


Campanha do Cruzeiro que expôs a realidade das mulheres ganha prêmio em Cannes

Em março desse ano, o time do Cruzeiro subiu em campo estampando, na parte de trás das camisas dos jogadores, dados sobre violências cotidianas sofridas pelas mulheres no Brasil, em parceria com a ONG Azminas, que republicamos várias vezesaqui no PapodeHomem.

De acordo com o site Trivela:

Nesta quarta, a campanha recebeu o Leão de Bronze na categoria Media do 64º Cannes Lions. Os cruzeirenses competiram com outras 290 ações, 18 delas brasileiras. Reconhecimento merecido não apenas pela originalidade da ideia, mas também pela força da mensagem transmitida. A exposição que o projeto teve na imprensa contribuiu bastante na discussão e na conscientização sobre um tema tão pertinente.

“Estamos felicíssimas. A AzMina é uma ONG que ainda não possui dois anos de existência. Então é um reconhecimento muito grande pelo trabalho feito e também proporcionará uma continuação na campanha que fizemos em 8 de março”, declarou Letícia Bahia, diretora institucional da organização.

A Letícia Bahia, diretora institucional da ONG Azmina, disse que “muita gente pensa que a luta pelos direitos das mulheres não faz mais sentido. Mas os dados que os jogadores vão exibir mostram o quanto essa questão segue sendo atual”.

Mais um golaço em Minas. Mais um golaço do Cruzeiro.

FONTE: https://www.papodehomem.com.br/campanha-do-cruzeiro-que-expos-a-realidade-das-mulheres-ganha-premio-em-cannes

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Os artilheiros que superaram Pelé

09/07/2017 às 3:32 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Domingo, dia de futebol. Vejam que artigo interessante !


ESPECIAL: Jósef Bican, Arthur Friedenreich e outros artilheiros que superaram Pelé

O brasileiro ocupa o quinto lugar na ordem dos grandes artilheiros, apesar de ser considerado o maior jogador de todos os tempos

Campinas, SP, 16 (AFI) – Fazer 1.000 gols em toda a carreira profissional não é tarefa fácil para qualquer jogador de futebol. Muitos até tentaram, chegaram perto, mas não conseguiram superar a barreira dos 1.000 gols, marca histórica para os jogadores de ponta. E não foi só o “Rei da bola”, Pelé, que registrou esse feito com muita festa, merecendo inclusive comemorações no estádio do Maracanã, num jogo entre Santos e Vasco pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa, e diante de mais de 65 mil torcedores.

Nesse jogo, o goleiro do Vasco era o argentino Edgardo Andrada, ex-jogador do Rosário Central, e que passou para a história como o goleiro que tomou o milésimo gol de Pelé, aos 33 minutos do segundo tempo, cobrando pênalti, no dia 19 de novembro de 1969. Pelé comemorou com muita festa, sendo ovacionado freneticamente pelos torcedores brasileiros que compareceram ao Maracanã. Ele deu a volta olímpica em torno do gramado, chorou de emoção e se lembrou das criancinhas carentes brasileiras. Foi até um gesto humanitário do “Rei da bola”.

Jogando pelo Santos, Pelé foi 11 vezes o principal artilheiro do Campeonato Paulista, sendo nove vezes consecutivos, de 1957 à 1965, além de 1969 e 1973. Só em 1958 registrou uma marca histórica e que nunca foi superado: 58 gols. Em toda a carreira Pelé fez 1.268 gols. Nas pesquisas Pelé aparece com 1.284 gols, mas foram incluídos 13 gols que ele fez jogando pela seleção do exército brasileiro, e mais três gols entre sindicatos de São Paulo e do Rio. Esses 16 gols foram desconsiderados por mim para efeitos de estatísticas.

 

 

Para surpresa geral, Pelé não é o único jogador no mundo a superar a barreira dos 1.000 gols - Foto: Santos FC / Arquivo

Para surpresa geral, Pelé não é o único jogador no mundo a superar a barreira dos 1.000 gols

PELÉ É APENAS O QUINTO MAIOR
Para surpresa geral, Pelé não é o único jogador no mundo a superar a barreira dos 1.000 gols. Também não é o maior artilheiro de todos os tempos como muita gente pensa. Na verdade, Pelé ocupa o quinto lugar na ordem dos grandes artilheiros do futebol, apesar de ser considerado o maior jogador do mundo em todos os tempos.

A repercussão de Pelé na mídia foi muito maior em relação aos outros jogadores. E ele viveu futebolisticamente numa época em que o destaque dos seus feitos teve maior amplitude, o que não aconteceu com outros jogadores do passado, que foram geniais em suas épocas, e que muita gente nem ficou sabendo. Passaram para a história como mero coadjuvantes do futebol mundial. Mas quero resgatar a história desses grandes talentos que se perderam ao longo do tempo.

CONHECE JÓSEF BICAN?
O maior artilheiro do mundo em todos os tempos foi o austríaco Jósef Bican, mais conhecido como Pepi Bican, de origem tcheca, e que fez na carreira 1.468 gols. Ele viveu nas décadas de 20 à 50 do século passado. Se destacou jogando em equipes austríacas e tchecas, principalmente no Rapid Viena e no Slávia Praga. Comenta-se que ele teria feito cinco mil gols em toda a carreira. Mas isso é um mito. Bican jogou durante 25 anos e seria impossível ter chegado a essa marca. A diferença é de 3.532 gols. Bican também participou da Copa do Mundo de 1934, na Itália, e deixou a sua marca de artilheiro contra a França.

O maior artilheiro do mundo em todos os tempos foi o austríaco Jósef Bican, mais conhecido como Pepi Bican - Foto: Arquivo / Slavia Praha

O maior artilheiro do mundo em todos os tempos foi o austríaco Jósef Bican, mais conhecido como Pepi Bican

Para muita gente isso pode ser uma surpresa, um jogador pouco divulgado pela imprensa mundial e que teria superado Pelé com 200 gols a mais. Porém, os números provam que Jósef Bican foi tão genial quanto Pelé, mas não teve a mesma repercusão na mídia. Os tempos eram outros e os meios de comunicação totalmente diferentes.

Pela ordem, o segundo maior artilheiro foi o alemão Gerd Müller, autor de 1.461 gols. Esse jogador foi astro do Bayern Munique com 571 gols, brilhou na Copa do Mundo de 1974, realizada na Alemanha Ocidental. Foi uma estrela de quinta grandeza e deixou a sua marca na história. Müller, além de habilidoso, era um grande artilheiro, mostrando as qualidades dos grandes jogadores da Alemanha. E sem dúvida alguma Gerd Müller foi o maior de todos.

MAIS UM BRASILEIRO
Depois de Gerd Müller vem outro brasileiro, bastante conhecido pela mídia esportiva, e que muita gente não viu jogar. Trata-se de Arthur Friedenreich, filho de pai alemão e mãe brasileira (negra). Por isso Friedenreich nasceu mestiço. Ele viveu nas décadas de 10 à 30 do século passado, quando o futebol no Brasil ainda era amador. Mas segundo aqueles que o viram jogar, foi um talento que marcou a sua época no futebol. E se não fosse a briga entre a cartolagem brasileira (cariocas versus paulistas), poderia ter disputado a Copa do Mundo de 1930, realizada no Uruguai. E o mundo perdeu a oportunidade de vê-lo em ação. Friedenreich marcou mais gols que Pelé, num total de 1.329 gols.

E segundo historiadores, teria feito dois mil gols na carreira. Mas esses números não foram confirmados . Fried foi astro do Paulistano, de São Paulo, além de outros times como o São Paulo da Floresta. Ele foi oito vezes o principal artilheiro do Campeonato Paulista, sendo três vezes consecutivas, 1917, 1918 e 1919, além de 1912, 1914, 1921, 1927 e 1929. A exemplo de Bican, Friedenreich viveu num período em que não existia os meios de comunicação como existem hoje. Os números apresentados por historiadores sobre a carreira de Friedenreich são contestados até hoje. Mas existem provas de que ele teria feito 1.329 gols em 1.239 jogos.

O sérvio Slobodan Santrac, que jogou no período em que existia a antiga Iugoslávia nas décadas de 60 e 70 do século passado, também foi um grande artilheiro, figurando em quarto lugar pela ordem. Ele foi destaque do Belgrado, onde fez história. Em toda a carreira ele fez 1.301 gols, sendo o maior artilheiro em seu país.

 

 

Arthur Friedenreich é o primeiro brasileiro da lista, tendo marcado 1.329 gols - Foto: São Paulo FC / Arquivo

Arthur Friedenreich é o primeiro brasileiro da lista, tendo marcado 1.329 gols

HÚNGARO QUE ENCANTOU O MUNDO
Outro grande talento e considerado como um dos maiores jogadores de todos os tempos foi o húngaro Ferénc Puskás, que encantou dois países: Hungria e Espanha. Aliás, ele jogou pelas duas seleções em Copas do Mundo: 1954 pela Hungria, e 1962, pela Espanha. Na época os jogadores tinham a possibilidade de atuar por países diferentes desde que se naturalizassem. E Puskás fez história no Real Madrid, tendo feito por essa equipe 156 gols. Mas a fase de ouro de Puskás foi no Honvéd, da Hungria, onde fez 352 gols. Em toda a carreira Puskás marcou 1.176 gols.

Logo abaixo vem o polonês Ernest Wilimowski, jogador veloz e que tinha muita intimidade com a bola. Ele se destacou na Copa do Mundo de 1938, disputada na França, principalmente no jogo de mata-mata com o Brasil. Foi um jogo emocionante e de muitos gols. Apesar da derrota da Polônia para o Brasil por 6 a 5, Wilimowski fez quatro gols nessa partida e deu muito trabalho para o Brasil. O atacante foi astro do Ruch Wielkie Hajduki. Fez 112 gols por essa equipe e em toda a carreira 1.175 gols.

Eusébio, a “Pantera de Moçambique”, foi o maior jogador do futebol português e um dos principais destaques da Copa do Mundo de 1966, realizada na Inglaterra. Brilhou e conquistou muitos títulos no Benfica. Era chamado de “Pelé português”, principalmente pela habilidade e toque de classe. Era um fenômeno dentro de campo e que deixou saudades nos torcedores portugueses. Pelo Benfica Eusébio marcou 638 gols e em toda a carreira 1.137 gols.

FECHANDO A LISTA
Mais um polonês que aparece na lista dos jogadores que fizeram mais de 1.000 gols é Waclaw Kuchar, que além de um grande artilheiro, foi um grande atleta e participou de várias competições de atletismo. Foi recordista dos 400 e 800 metros rasos na Olimpíada de 1920, realizada em Antuérpia, na Bélgica. No futebol defendeu o Pogón Lwów. Marcou 1.065 gols por essa equipe e mais cinco pela seleção da Polônia. Ao todo fez 1.070 gols em toda a carreira.

Outro sérvio que figura na lista dos artilheiros com mais de 1.000 gols foi Blagoje Marjanovic, mais conhecido como Mosa Marjanovic, que também atuou pela antiga Iugoslávia nas décadas de 20 à 40 do século passado. Também brilhou no Belgrado, o time mais popular e famoso da Sérvia. Nessa equipe ele fez 575 gols e em toda a carreira 1.018 gols.

E finalmente, mais um austríaco aparece na lista. É Franz Binder, mais conhecido por Bimbo Binder, astro do Rapid Viena, e que jogou nessa equipe nas décadas de 20 a 30 do século passado. Foi um grande artilheiro, bastante habilidoso, deu muitas alegrias aos torcedores austríacos e fez em toda a carreira 1.006 gols.


JOSÉ MANOEL DRESSLER é jornalista esportivo, trabalhou nos jornais A Gazeta Esportiva, Popular da Tarde, Diário Popular, Folha da Tarde e Agora São Paulo. Ele publicou o livro Almanaque dos Artilheiros. tendo feito uma pesquisa profunda sobre os grandes artilheiros do mundo em todos os tempos. É um livro inédito e interessante para os amantes do futebol, que gostam de pesquisas, números e estatísticas. esse livro está à venda pela internet nas Livrarias Cultura, Asabeça e Martins Fontes.

FONTE: https://www.futebolinterior.com.br/futebol/4/noticias/2017-05/Josef-Bican-Arthur-Friedenreich-e-outros-que-superaram-Pele

SAUDADE DO JOÃO

03/07/2017 às 3:19 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Para mim ele foi o melhor treinador e melhor comentarista de futebol que tivemos até hoje. Em 2013 li o livro “João Saldanha – uma vida em jogo”, excelente, e fiz um post aqui sobre a obra. O “João sem medo, sinônimo de paixão” faria hoje 100 anos. Ele é daqueles que só aparece mesmo de século em século. Tostão redigiu ontem uma crônica em sua homenagem sob o prisma do jornalismo e do futebol, que reproduzo a seguir neste post, mas sabemos todos que esse João alçou outros voos.


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SAUDADE DO JOÃO Toatao2

João Saldanha completaria cem anos nesta segunda (3). Na Copa de 1990, na Itália, ele comentou partidas ao vivo pela TV e morreu em Roma, quatro dias após o fim do Mundial.

O comentarista e o treinador João Saldanha não tinham o comportamento convencional de outros comentaristas e treinadores. No rádio, na TV e como colunista, João era espontâneo, polêmico, irreverente, falava e escrevia com conhecimento técnico, de uma maneira coloquial, como se estivesse na mesa de um bar. O público gostava. Hoje, como seriam recebidas suas opiniões nas redes sociais?

Certamente, João Saldanha não seria hoje um treinador moderno, estrategista, fascinado por milhares de estatísticas, pelos mapas de calor da movimentação dos jogadores em campo e por outras engenhocas. Ele era preocupado com detalhes sobre cada jogador, que iam além do jogo. Era um humanista.

Quando Saldanha assumiu a seleção, o futebol brasileiro vivia uma fase de grande pessimismo, após a eliminação na primeira fase do Mundial de 1966. João chamou os jogadores de “Feras do Saldanha”, incendiou o time e o público. Foi um momento brilhante da seleção, uma situação parecida com a fase atual, com a chegada de Tite.

Ainda não foi bem explicada a razão da saída de João Saldanha. Não foi, certamente, por alguns jogos-treino ruins. Dizem que houve um encontro, em Brasília, entre o ditador Médici e membros da CBD, para dispensá-lo.

Saldanha, com algumas atitudes inesperadas, como dizer que Pelé não enxergava bem, por causa de uma miopia, também passava a impressão de que desejava sair. Ele, comunista, parecia constrangido em treinar a seleção de um país que vivia uma ditadura militar.

Em um artigo, escrito no jornal “O Globo”, antes da Copa, João disse que o mais difícil não era entender sua saída, mas sim a razão pela qual tinha aceitado ser treinador da seleção. Não compreendo também por que foi contratado pela CBD. Só pode ter sido por populismo, para agradar ao torcedor. Será que os militares foram consultados?

João foi importante na conquista do Mundial. Além de ter recuperado a confiança do torcedor, o planejamento científico para a Copa foi feito por um grupo de especialistas, escolhidos por João Saldanha e comandados por Lamartine Pereira da Costa, oficial da Marinha que tinha tido a mesma experiência com a seleção de vôlei nas Olimpíadas de 1968, na altitude do México.

Contam que o primeiro encontro entre Saldanha, Lamartine e o capitão Cláudio Coutinho, coordenador técnico da seleção, que, depois, se tornou treinador, foi em uma churrascaria, abaixo do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. João, em seu jeito simples e informal, teria escrito em um guardanapo as palavras-chave do que foi programado. Foi uma preparação científica, inovadora, elogiada em todo o mundo.

Em um país de tanta troca de favores, de escolhas por amizades e outros interesses, Saldanha convidou militares para a comissão técnica, em razão apenas do conhecimento técnico. Foi um gesto de grandeza do treinador.
Por outro lado, alguns acham que faltou a João, na seleção, a companhia de verdadeiros amigos.

Na concentração da equipe, João gostava de conversar sobre tudo. Eu aprendia com ele. Ele era inteligente, culto. Viajava e fantasiava. Tenho muita saudade do João.

(Tostão)

FONTE: Principais jornais do país, ontem, 02.07.2017

Uma seleção de craques progressistas

12/02/2017 às 3:41 | Publicado em Artigos e textos, Midiateca, Zuniversitas | 2 Comentários
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Domingo, dia de futebol. Confiram !


Uma seleção de craques progressistas

Certa vez, Reinaldo, ex-atacante e ídolo do AtléticoMG, declarou em entrevista concedida à Revista Placar que “o futebol sempre foi um meio reacionário”. E continua sendo até os dias atuais.

Recentemente, nas últimas eleições presidenciais, Ronaldo Fenômeno e Neymar, dois dos principais atacantes da história da seleção brasileira, manifestaram explicitamente o seu apoio ao candidato conservador Aécio Neves (PSDB-MG). Outro dianteiro que também fez história vestindo a “amarelinha”, Romário (PSB-RJ), foi mais além e elegeu-se senador para defender medidas reacionárias. Até Pelé, o melhor de todos os tempos, chegou a ser garoto propaganda do ditador militar Emílio Médici e teve seu nome vinculado a um projeto educacional de seu governo, o Plano Pelé para a Educação.

Mas, se a escuridão é vasta, mais as estrelas brilham e se destacam. Sendo assim, selecionamos um timaço extremamente politizado, cujo posicionamento destoa do pensamento dominante dessa classe ultraconservadora.

1 – Fernando Prass


Em uma partida, válida pelo Campeonato Brasileiro de 2016, entre Flamengo e Palmeiras, ocorreu um conflito entre torcidas, mais uma vez violentamente reprimido pela PM dentro do estádio. O uso de gás de pimenta feito pelos policiais chegou a atingir os jogadores dentro do campo, o que causou revolta de parte deles que se manifestaram com declarações na saída do campo. Fernando Prass, goleiro do Palmeiras e convocado para defender a seleção nas últimas Olímpiadas, foi além em suas críticas e, ao ser questionado em rede nacional, mexeu em uma ferida que seguramente a emissora conservadora Rede Globo não esperava transmitir ao vivo:

“Não é o futebol. É o nosso país que está assim. A gente viu o que aconteceu há uma semana, no Rio de Janeiro, com a menina, aconteceu agora em São Paulo, com o garoto de 10 anos. Isso é o fim do país, uma criança de 10 anos ser morta pela polícia, independente da versão. Ela estando armada ou não. Na verdade, não sei qual é a pior.”

 

 

2 – Cafu


Marcos Evangelista de Morais, o Cafu, foi um dos maiores laterais direitos da história. Fez parte das equipes vencedoras das Copas do Mundo de 1994 e 2002, sendo ele o capitão do Penta. Jogou também nas copas de 1998 e 2006. Hoje, o ex-jogador toca a Fundação Cafu, que se define como uma “entidade sem fins lucrativos, geradora de oportunidades de desenvolvimento que atua no combate à desigualdade social”.

No ano passado, em participação no programa “Boa Noite FOX” do canal fechado Fox Sports, Cafu aproveitou para dar seu recado em solidariedade aos estudantes daUniversidade de São Paulo, em greve, e ainda defendeu as cotas sociais.

“Estão dizendo que os alunos são vândalos, são baderneiros, pelo contrário. Os alunos da USP estão lutando pelo direito de igualdade, pelo direito de cota racial, cota social, direito de igualdade de grandes funcionários, professores gabaritados que estão sendo mandados embora e não estão colocando os professores à altura para que nosso ensino possa ser melhor.

Acabaram com a cota do HU da USP, estão eliminando os dormitórios para os alunos que vêm de fora”, denunciou.

Na TV, ele ainda cobrou do governo maior atenção às reivindicações dos estudantes e destacou que a universidade “é do povo”.

“Acho que tem que levar em consideração o que esses meninos estão reivindicando. Não são baderneiros, não são bagunceiros, estão reivindicando aquilo que é deles. A USP é do povo. E o povo merece ter um ensino adequado. A USP era uma de nossas maiores referências. E tem que continuar sendo uma das maiores referências no ensino brasileiro. Vocês que têm o poder deem uma olhada melhor o que está acontecendo lá na USP”, concluiu.

3 – Carlos Alberto Torres

Lateral-direito detentor de forte poder de marcação, a ponto de poder ter atuado, já como veterano, na zaga – posição na qual é escalado em nosso time -, Carlos Alberto Torres foi eternizado na conquista do tricampeonato mundial na Copa do Mundo de 1970 no México – quando foi capitão da seleção – sendo um dos símbolos do clássico futebol brasileiro.

Falecido no ano passado, aos 72 anos, vítima de um enfarto fulminante, o “Capita”, como também é conhecido, era filiado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT) de Leonel Brizolae Darcy Ribeiro. Foi vereador de 1989 a 1993, ocupando a vice-presidência e a primeira secretaria da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, e em 2008 chegou a tentar uma vaga para vice-prefeito da capital fluminense, na chapa de Paulo Ramos – à época no PDT, hoje no PSOL – porém não se elegendo.

4 – Wladimir


Considerado por muitos como o melhor lateral-esquerdo da história do Corinthians, Wladimir Rodrigues dos Santos será improvisado na zaga nesta seleção.

Em 1982, o politizado Wladimir foi um dos líderes da Democracia Corinthiana, um movimento cujo objetivo era revolucionar o futebol brasileiro e permitir que os jogadores participassem de todas as decisões técnicas (os jogadores votavam se queriam ir para a concentração ou não, por exemplo), em plena ditadura militar. Tal mobilização causou muitas controvérsias, mesmo com o time conseguindo ser campeão paulista daquele ano. No entanto, mais importante que o regimento do próprio Corinthians naquele período foi a forma como o time usou isso para externar o engajamento na luta pela redemocratização no país.

5 – Sorín


Completando a linha de defesa, aparece o primeiro gringo da lista: o lateral-esquerdo argentino Sorín.

O ex-jogador da seleção argentina e do Cruzeiro manifestou seu apoio ao movimento dos estudantes das escolas estaduais paulistas, o Ocupa Escola, contra as medidas da reorganização propostas pelo governo de Geraldo Alckmin, assim como o nosso lateral oposto Cafu.

“Sou Juan Pablo Sorín, jogador de futebol, comentarista. Me formei na escola pública na Argentina. E a partir de agora, a escola nunca mais será a mesma. Espero que o mundo do futebol, através de vídeos, das manifestações, apoiem vocês”, disse Sorín, em vídeo divulgado no seu Twiter.

6 – Sócrates

Médico e futebolista, Sócrates Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, mais conhecido como Sócrates e também referido como Dr. Sócrates, Dr. ou Magrão, é um dos maiores do futebol mundial.

Ídolo do Corinthians que fez parte da memorável seleção canarinho de 1982, foi um dos principais idealizadores do movimento Democracia Corintiana, ao lado do já citado Wladimir, e participou da campanha Diretas Já que reivindicava eleições diretas e o fim da regime militar. Por suas atividades e opiniões políticas, chegou a ser “fichado” pela ditadura que oprimia o Brasil na época, juntamente com seu colega de equipe e grande amigo,Casagrande.

Durante sua segunda internação, em 2011, Sócrates declarou que gostaria de trabalhar com o presidente venezuelano Hugo Chávez em projetos sociais ligados ao esporte.

Também foi articulista da revista Carta Capital e batizou um de seus filhos como Fidel Brasileiro, em homenagem ao dirigente cubano (que muitos se referem como ditador) Fidel Castro (para saber mais sobre Fidel, leia 12 fatos sobre ele aqui), do qual era admirador.

 

7- Afonsinho

Afonsinho é considerado por muitos como um verdadeiro pioneiro na conquista dos direitos dos atletas no Brasil. Em um certo dia de 1971, no auge da tensão repressora do regime militar, o meia teve a combinação de barba e cabelos compridos considerada como “subversiva” por seu clube. O jogador do Botafogo então se recusou a adaptar o visual e foi impedido de atuar pela diretoria. Assim, resolveu ir à Justiça para se tornar o primeiro atleta do país a conquistar o passe livre, instantaneamente virando um emblema de liberdade, um ícone para a resistência da esquerda.

Após a morte de Sócrates, o primeiro futebolista emancipado do Brasil substituiu-o como colunista da Carta Capital.

8- Petkovic


Ídolo da torcida do Flamengo, Dejan Petkovic, ou simplesmente Pet, nasceu no ano de 1972, em Majdanpek, um pequeno município da antiga Iugoslávia, localizado na República Socialista da Sérvia, perto da fronteira com a Romênia. Na época de seu nascimento, o líder iugoslavo ainda era o Marechal Josip Broz Tito, que em 1945, junto dos partisans (guerrilheiros), livrou o país das garras do fascismo durante a segunda guerra, em seguida proclamando-o socialista.

Por isso, Pet nunca hesitou em defender o regime titoísta, frente à propaganda negativa da mídia tradicional conservadora, sempre quando teve oportunidade.

9- Maradona


Dentro das 4 linhas, Diego Armando Maradona foi o maior jogador da história do futebol argentino e um dos maiores de todos os tempos no âmbito mundial. Fora delas, o craque é mais conhecido pelos seus problemas acerca da dependência química.

No entanto, não só de polêmicas é feita a vida pessoal de Maradona. Extremamente politizado, ele manifesta suas posturas quase como um ativista – e com um êxtase que também caracterizou seu estilo como jogador.

Desde o ano 2000 até 2004, o ex-astro realizou um tratamento contra a dependência das drogas em Cuba. Daí em diante, o ex-jogador transformou-se em um ferrenho defensor do regime castrista. Maradona tatuou a efígie do argentino e ex-líder guerrilheiro ErnestoCheGuevara, além de também ostentar, em sua panturrilha esquerda, a imagem de Fidel Castro – falecido no fim de 2016 – o qual considerava como um segundo pai.

Em 2005, esteve ao lado de Kirchner, Chávez, Lula e Evo, quando estes disseram, na cara deGeorge W. Bush, que a América do Sul rejeitava a ALCA. O transgressor Diego chama osEstados Unidos de “ianques imperialistas”.

No ano passado, após a admissibilidade do processo de impeachment no Senado e o afastamento da presidente Dilma Rousseff, o argentino publicou uma foto em seu perfil doFacebook segurando uma camisa da seleção brasileira com o nome de Lula e o número 18, o que pode ser uma referência às eleições presidenciais de 2018 e, ainda, afirmou ser “um soldado de Lula e Dilma”.

Também foi amigo de Hugo Chávez e jogou bola com Evo Morales no topo de uma montanha, a seis mil metros de altura, quando a FIFA tentou proibir os jogos na altitude. Tornou-se o futebolista-símbolo do bolivarianismo e fala da “pátria grande” com a mesma ênfase usada pelos presidentes da região.

Na Argentina, defende enfaticamente o kirchnerismo e a polêmica Ley de Medios.

10- Éric Cantona

Explosivo e e habilidoso, o francês Cantona foi eleito (pelos próprios torcedores do clube) o melhor jogador da história do Manchester United. Mas, ainda assim, o ex-craque será sempre lembrado, também, por suas polêmicas. Uma das mais famosas é sua voadora seguida de socos em um torcedor do Crystal Palace no Selhurst Park em 1995.

A vitíma foi Matthew Simmons, um hooligan – torcedor que vai ao estádio para agredir torcedores rivais. O astro bad boy reagiu a provocação de Simmons que da arquibancada dizia aos berros: “Volte para a França com a vagabunda da sua mãe, seu francês de merda”.

Mais recentemente, o ex-jogador e agora ator, garantiu em uma entrevista que está disposto a alojar refugiados em sua casa e ainda pediu que cada compatriota faça o mesmo, para ajudar a população que chega diariamente à Europa.

Antes disso, em 2010, Cantona também havia feito um apelo para que todos seus compatriotas retirassem dinheiro dos bancos, como forma de protesto contra o sistema financeiro.

 

11- Reinaldo

Dos grandes atacantes da história do futebol brasileiro, José Reinaldo de Lima é o único que ousou assumir um posicionamento político diferenciado. O maior ídolo do Atlético-MG defendia abertamente a queda da ditadura, o retorno da democracia e, numa época de preconceitos contra tudo, peitou a todos ao defender sua amizade com o radialista Tutti Maravilha, declaradamente homossexual.

Reinaldo também comemorava seus gols com o punho erguido, imitando o gesto do grupoPanteras Negras que lutava pelos direitos civis dos negros nos EUA, o que provocara a ira dos chefes militares que comandavam o país na época.

Técnico: João Saldanha

Para comandar uma constelação subversiva, é necessário o pulso firme de um “João Sem Medo”. Filiado ao PCB, Saldanha foi assistente político do grupo que conduziu a guerrilha camponesa do Porecatu, no Paraná, em sua fase mais dedicada da militância no partido.

Em 1957, o Botafogo o convidou para técnico. Ele não tinha experiência, no entanto isso não o impediu que conseguisse tornar o clube vitorioso do campeonato estadual. O título credenciou João Saldanha a assumir o comando da seleção brasileira após o fiasco da Copa de 1966.

Quando Saldanha foi convocado, o Brasil vivia sob ditadura militar, durante a era do generalArtur da Costa e Silva, que mantinha uma fachada “democrática”. Contudo 1968 foi um ano de grandes mobilizações de massa, especialmente do movimento estudantil, e, em dezembro, veio o AI-5, o golpe dentro do golpe.
Em agosto de 1969, Costa e Silva, considerado da ala moderada das Forças Armadas, adoece. Assume uma Junta Militar e, a seguir, é nomeado para a chefia da Ditadura o general Emílio Garrastazu Médici. Este não simpatizava com um comunista dirigindo a Seleção, especialmente quando convocou a CBD para uma reunião, e João Saldanha não compareceu. Ele justificou:

“…Eu não teria prazer em apertar a mão de um homem que tinha matado vários amigos meus. Não sei se foi ele quem mandou ou deixou. O caso é que, coincidentemente, trezentos e tantos morreram naquele Governo, o mais assassino da História do Brasil”.

No dia que Médici resolveu fazer um comentário, dizendo que gostaria de ver Dadá Maravilha — limitado centroavante do Atlético Mineiro — na seleção, Saldanha não fez por menos:

O general nunca me ouviu quando escalou o seu Ministério. Por que, diabos, teria eu que ouvi-lo agora?

Após ‘peitar’ Médici e não convocar Dario para Copa de 70, João Saldanha foi destituído do cargo de treinador da seleção.

FONTE: http://voyager1.net/politica/conheca-uma-selecao-de-futebol-que-tambem-e-craque-fora-dos-campos/

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