CONVOCAÇÃO

09/12/2018 às 3:01 | Publicado em Midiateca | Deixe um comentário
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Um dos últimos domingos do ano… Mais um ano de decepção da Seleção Brasileira em Copa do Mundo e algumas convocações que ninguém entendeu, como sempre. Quem sabe o Porta dos Fundos consegue explicar com esse vídeo ?


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SOBERBAS VERDADES

06/12/2018 às 3:15 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Tostão mais uma vez nos brinda com uma bela crônica: nunca mais !

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SOBERBAS VERDADES  ad_tostao

Inspirado na coluna de Tati Bernardi “Meu primeiro livro”, eu me lembrei dos que li, desde a adolescência, e que continuam presentes em meu imaginário, como “Mar Morto”, de Jorge Amado, “Água Viva”, de Clarice Lispector, “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, as crônicas de Rubem Braga, “O Lobo da Estepe”, de Hermann Hesse, “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, “Encontro Marcado”, de Fernando Sabino, as obras de Freud, Fernando Pessoa e Carlos Drummond de Andrade e, mais recentemente, “Doutor Pasavento”, de Enrique Vila-Matas. Dê livros de presente!

Terminou o Brasileiro. O América, meu time de infância, retornou à Série B. Meu pai ficaria muito triste. Quando eu era menino, ia com ele assistir aos treinos do América. Voltávamos a pé e parávamos no Café Nice, no centro de Belo Horizonte, ao lado da Praça Sete, onde havia reuniões de americanos. Discutiam futebol e o América por horas. Eu observava. Continuo silencioso.

Todos precisam evoluir. O Palmeiras tem um ótimo elenco e uma estratégia eficiente, mas não foram suficientes contra adversários mais fortes, na Copa do Brasil e na Libertadores, o título mais desejado.

São Paulo e Atlético-MG começam a Libertadores mais cedo. O São Paulo substituiu um técnico experiente, que não agradava (Diego Aguirre), por um jovem com boas ideias (André Jardine), enquanto o Atlético-MG seguiu o caminho inverso. Trocou um técnico jovem (Thiago Larghi), que fazia bom trabalho, por um rodado (Levir Culpi), que, apesar de demonstrar cansaço pelo futebol, sabe das coisas. Diego Aguirre foi demitido pelo São Paulo na reta final do Campeonato Brasileiro – Marcello Zambrana-16.set.18/AGIF/Folhapress

O Atlético-PR, pelo bom futebol que tem mostrado e pela organização do clube, tem boas chances de ganhar a Copa Sul-Americana, participar da Libertadores e passar a fazer parte, rotineiramente, do grupo dos grandes times do Brasil. O jovem técnico Tiago Nunes faz bom trabalho, como Odair Hellmann, no Internacional, e Carille, no Corinthians, em 2017. Assim como os veteranos, técnicos jovens ganham e perdem.

Continua o futebol na Europa. No fim de semana, o Manchester City, dirigido por Guardiola, que não é jovem nem veterano, deu mais uma aula ao mundo de como jogar um futebol moderno, eficiente, agradável e inventivo. Mesmo assim, Gabriel Jesus continua discreto. Ele criou uma enorme expectativa e ficou nisso. O fracasso na Copa do Mundo mexeu com seu imaginário ou o futebol dele é esse mesmo? Nesta terça-feira (4), o Manchester City enfrentaria o Watford, pelo Campeonato Inglês.

Muitos vão argumentar que o Manchester City ainda não brilhou na Liga dos Campeões. Penso que a principal razão é a falta de um Messi, de um Cristiano Ronaldo, de um Neymar. Outros vão contrapor que as seleções desses grandes jogadores não foram bem na Copa e que o PSG ainda não fez nada importante na Liga dos Campeões. O futebol tem muitas variáveis, é muito complexo. Nós é que tentamos simplificá-lo, racionalizá-lo, com nossas soberbas verdades.

Nunca mais

O ano de 1968, 50 anos atrás, foi marcado pela peça Roda Viva, de Chico Buarque, pelo Álbum Branco, dos Beatles, pelo assassinato de Martin Luther King, por grandes protestos no mundo, pela invasão da Tchecoslováquia pela União Soviética, pelos Jogos Olímpicos do México e pela decretação do famigerado AI-5, em 13 de dezembro. Nunca mais!

Queremos democracia, segurança, desenvolvimento econômico e social e o fim da corrupção, do toma lá dá cá e do ranço moralista.

(Tostão)

FONTE: Principais jornais do país, 05.12.2018

Dois em um nessa sexta: Juca Kfouri e Veríssimo

17/08/2018 às 3:24 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 2 Comentários
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O primeiro, do Juca Kfouri, li na Folha de São Paulo em papel, curiosamente com o título diferente: “Roubaram a corrupção”. O segundo, do Veríssimo, li no A TARDE, de Salvador. Valem a pena !


Fifa roubou a corrupção do seu código de ética JucaKfouri

A CBF não pediu restituição do dinheiro que seus ex-presidentes surrupiaram da entidade, e a Fifa tirou a corrupção de seu código de ética.

Se a rara leitora e o raro leitor acham que estão lendo um texto de humor, se enganam. É de horror. Porque fiel à Lei da Omertà, a “nova” CBF se mantém fiel aos ex-chefes que, afinal, indicaram os atuais.

E a “nova” Fifa, para cumprir o que seu presidente prometeu ao assumir a transnacional mafiosa do futebol, que acabaria com a corrupção que a abalou tão seriamente, roubou a palavra maldita de seu código chamado de ética, na verdade de estética, mera maquiagem para tudo seguir como sempre. Daí não surpreender que o trio, até o ano passado soberano no futebol mundial, Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar Júnior, viva às voltas com o fisco.

Surpreendente é seguirmos loucos por futebol.

A Fifa, presidida por Gianni Infantino, simplesmente retirou de seu novo código de ética todas as menções à palavra "corrupção"A Fifa, presidida por Gianni Infantino, simplesmente retirou de seu novo código de ética todas as menções à palavra “corrupção” – Petr David Josek/Associated Press

Tivéssemos um mínimo de vergonha na cara, daríamos um bico a escanteio no futebol e iríamos tratar de coisas mais importantes. Como a política, por exemplo…

OK OK OK, como diz Gilberto Gil em seu novo disco.

Paremos de brincadeira porque está dito que o texto não é de humor e, segundo o filósofo escocês Bill Shankly (1913-1981), “é claro que o futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais importante que isso”. Shankly fez do Liverpool o melhor time europeu nos anos 1970 e não viveu para ver a Premier League virar o que virou, o melhor campeonato nacional do planeta.

Talvez tivesse inveja de ver o Manchester City de Pep Guardiola, campeão no ano passado e já vitorioso na estreia desta temporada, ao passar por cima do Arsenal, em Londres, por 2 a 0, num clássico que honra o nome dos clássicos.

Mas o que veio fazer aqui o velho Shankly numa história podre dedicada aos Infantino, Blatter, Havelange, Teixeira, Marin, Del Nero e seus seguidores espalhados pelo mundo em geral e pelo Brasil em particular?

Veio explicar, com sua devoção cristalina ao futebol, por que seguimos apaixonados por esse esporte em sua capacidade infinita de nos fazer retornar à infância, com todos os direitos permitidos pela ingenuidade.

Quando a bola que interessa rola, esquecemos de todas as demais, infames, na maioria das vezes impunes, embora somem milhões e milhões de dólares, de euros, de reais.

Porque o bicho homem é assim, precisa ter com o que se distrair, tem de se divertir, de acreditar na salvação do mundo, na utopia da justiça sendo feita, no drible do Mané, no passe do Tostão, no gol de Pelé.

Ou, vá lá, apesar de todos os pesares, no drible de Neymar, no passe de Messi, no gol de Cristiano Ronaldo.

A quarta (15) passou e ficamos hipnotizados por Flamengo e Grêmio e por Chapecoense e Corinthians.

Nesta quinta (16), a anestesia será aplicada por Palmeiras e Bahia, pelo São Paulo na Argentina.

Quem dera poder desistir, mandar tudo às favas e dizer em alto e bom som para os mafiosos que chega, basta, vocês não nos engabelarão mais. Como não cobrar o que foi desviado da CBF?! Como roubar até a corrupção no código da Fifa?!

É tarde, futeboleiras e futeboleiros, demasiado tarde.

Quem veio até aqui continuará se iludindo, esmurrará todas as facas que porventura ainda houver para esmurrar. E quando o apito na fábrica de torcidas vier ferir nossos ouvidos, estará pronto para soltar o grito de gol. Pois como ensinou o cardeal corintiano Dom Paulo Evaristo Arns, “não há derrotas definitivas para o povo”.

Coisa que o saudoso amigo Claudio Weber Abramo também sabia em sua luta permanente contra a palavra que a Fifa extirpou.

(Juca Kfouri)

FONTE: Folha de São Paulo, 16.08.2018


A bordo luis-fernando-verissimo-l

Numa das suas crônicas, o ótimo Antonio Prata lamenta que não é incomum ouvir-se, dentro de um avião, a voz de uma aeromoça perguntando se há um médico a bordo, mas até hoje ninguém ouviu uma aeromoça perguntar se há um cronista a bordo.

Tenta-se localizar um médico para atender um passageiro que está mal,éóbvio. Mas que emergência exigiria a presença de um cronista no avião? É, Antonio. Como dizia aquela música de alguns anos atrás, a gente somos inútil. Somos espectadores dessa coisa terrível que se convencionou chamar de “isso que está aí”, ou, pior, isso que está se armando nos horizontes da pátria, como as nuvens negras de uma ópera wagneriana. Fazer o que, salvo crônicas?

E vai piorar. A próxima voz de aeromoça que se ouvir no nosso avião metafórico pode estar pedindo mais do que um médico para tratar um doente ou, vá lá, um palhaço ou uma odalisca para distraí-lo. O que, decididamente, ninguém quer ouvir a aeromoça dizer é:

– Tem alguém que saiba pilotar um avião a bordo? Porque a sensação que se tem é a de estar num avião cujo piloto se jogou pela janela. Né não?

Consolemo-nos, Antonio, enquanto o pior não vem. Você conhece a história da mãe judia que, no meio de um espetáculo teatral, levanta-se e grita:

– Há um médico na plateia? O espetáculo é interrompido,três ou quatro médicos solícitos atendem ao chamado da senhora e perguntam o que ela quer.

A senhora responde:

– Quero apresentar a nossa Sarinha, dezenove anos, um mimo. E também cozinha…

E tem aquela do… mas não adianta. Não dá para fingir que não vemos as nuvens negras no horizonte. Algumas dicas para sobreviver no temporal que se aproxima: em hipótese alguma assista aos debates políticos para não se desencantar, não com os candidatos, mas com a espécie humana em geral. Beba muita água, tenha pensamentos positivos ou, na falta deles, pense na Patrícia Pillar. Se os sintomas persistirem, emigre.

(Luis Fernando Veríssimo)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 16.08.2018

SOMOS MUITOS EM UM SÓ

06/08/2018 às 3:34 | Publicado em Artigos e textos, Canto da poesia | Deixe um comentário
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Tostão, nessa sua crônica dominical de ontem, cita Fernando Pessoa. É ou não é diferenciado no meio da mesmice da crônica esportiva do país ?


SOMOS MUITOS EM UM SÓ  Tostao]

Escrevi, domingo passado, baseado em matérias publicadas por vários jornalistas, que estava decepcionado com Tite e com Edu Gaspar por darem privilégio aos familiares de Neymar, únicos entre os dos jogadores, hospedados no hotel da Seleção, em Sochi, na Rússia.

Tite me esclareceu que uma ala do hotel estava ocupada exclusivamente pela Seleção e que ele e Edu Gaspar não sabiam quem eram os hóspedes das outras duas alas. Deduzo que a presença somente dos familiares de Neymar em outra ala do hotel, o que é um fato, foi um privilégio dado pelos dirigentes da CBF, já que todos os outros familiares ficaram juntos em outro hotel reservado pela entidade.

Tite assistiu ao belíssimo jogo, no meio de semana, pela Copa do Brasil, entre Grêmio e Flamengo. Paquetá atuou muito bem. Ele e Arthur, já no Barcelona, provavelmente,serão convocados.

Se o técnico do Barcelona formar um trio no meio-campo,como o time jogou durante longo tempo, Arthur tem boas chances de ser titular, no lugar de Iniesta, ao lado de Busquets e Rakitic. Coutinho jogaria no trio de ataque, com Suárez e Messi. Se o Barcelona atuar com dois volantes e um meia de cada lado, como fez na maior parte da última temporada, Arthur deverá ser reserva de Busquets e Rakitic, com Coutinho, pela esquerda, e Dembélé ou Malcom, pela direita.

Neymar

Há uma enorme curiosidade, em todo o mundo, sobre qual será o comportamento de Neymar, dentro de campo, na Seleção e no PSG. Tenho muita esperança que ele, para recuperar o prestígio, deixe de lado os chiliques e brilhe intensamente, mais até do que antes. Porém, começou mal a fase de recuperação. Foi um desastre a união da propaganda comercial com o texto lido por ele, para tentar explicar o que ocorreu na Copa.Neymar parecia um robô, um roteiro sem alma.

Todos os seres humanos, de todas as épocas, especialmente as celebridades, vivem um conflito entre o criador e a criatura, entre o que desejam e o que é possível. Algumas celebridades convivem bem com essa dualidade, como Cristiano Ronaldo. Outros ficam perdidos, sem rumo, sem saber o que querem, o que são.

Há ainda os que tentam separar o público do privado, o ídolo do cidadão, como Messi. Existem também os que são tão célebres, que, naturalmente, sem perceber, sem planejar, a criatura engole, anula, o criador. Pelé é Pelé e ponto final.

Neymar, além de suas particularidades, de seu jeito de ser, mistura da genética com o  ambiente,é um produto de um novo mundo, o da internet,das redes sociais. As novas celebridades e até presidentes de países preferem não falar, não responder as perguntas. Publicam na internet o que querem, o que lhes interessa.

No futuro, haverá um novo homem,com uma inteligência artificial. Isso não é mais ficção, é realidade. Esse novo ser achará estranho o mundo em que vivemos hoje, assim como ficamos espantados com nossos antepassados, assim como as crianças e os adolescentes de hoje não entendem como era possível viver sem WhatsApp. Eu ainda sobrevivo. Não sei até quando.

O novo homem será contraditório como o atual? Fernando Pessoa, para tentar conviver com os muitos que havia dentro dele, criou 127 heterônimos, todos com identidade e vida própria. Alguns ficaram famosos, como Álvaro Campos: “Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? Sou o que penso? Mas penso ser tantas coisas”.

(Tostão)

FONTE: Principais jornais do país, 05.08.2018

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