CORONAVÍRUS EXPÕE MALDIÇÃO DE CASSANDRA

22/04/2020 às 12:30 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Artigo muito bem escrito, tratando do papel da comunicação e tendo como pano de fundo a pandemia do corona. O autor lembra, da mitologia grega, a Maldição de Cassandra e faz o paralelo com os dias atuais.

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CORONAVÍRUS EXPÕE MALDIÇÃO DE CASSANDRA

Mito grego da vidente desacreditada por deus ciumento ecoa situação atual da imprensa, atacada por fãs de outro “mito”

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Desgastada por conta da sua parcialidade na cobertura da Operação Lava Jato, e agora na mira da extrema-direita, a grande imprensa, que se habilita neste momento como a fonte mais crível de informações referentes à pandemia causada pelo novo coronavírus, ironicamente é vítima da maldição de Cassandra.

Na mitologia grega, Cassandra, filha de Príamo, rei de Troia, conquista o amor de Apolo, que lhe regala o dom da profecia. Ao perceber que ela não o ama, a amaldiçoa. Por conta do seu poder divino, o filho de Zeus a descredita junto aos homens. Assim, todas as profecias, avisos e predições de Cassandra, ainda que verdadeiras, passam a ser consideradas mentirosas.

Com a divisão entre aqueles que negam ou simplesmente subestimam a pandemia, a exemplo do presidente Jair Bolsonaro e de seus seguidores, e os que contrariamente dão ouvidos à ciência, a mídia hegemônica, elogiada e ao mesmo tempo acusada de mentir e criar caos, se  equilibra em uma gangorra ocupada por dois senhores distintos: um deles tem apreço pela vida, seja de quem for, e para tanto não mede esforços em salvá-la, e o outro defende o “sacrifício de alguns tantos para evitar um mal maior”.

Sobre verdades e mentiras, enfim, numa avaliação do fio nada sutil que separa tais substantivos femininos, o Brasil é um dos poucos, senão o único país do mundo no qual o seu mandatário máximo ainda subestima a gravidade da situação. E se o faz, é por se sentir respaldado diante dos seus apoiadores, que acreditam, inclusive, que a terra é plana.

Esses contingentes fundamentalistas, aliás, brotaram como gafanhotos diante do vácuo criado pela narrativa disseminada apartirde2013cujo resultado foi a desconstrução da política. O problema é que em vez da renovação, de se respirar ares melhores, o que surgiu foi uma anomalia, algo que não fazia parte do projeto, diga-se de passagem.

Agora, como se fosse um castigo, diante da maior emergência sanitária dos últimos cem anos, que já ceifou dezenas de milhares de vidas e reduziu a economia planetária a pó, parte substancial da grande mídia brasileira vem sendo atacada justamente pelas hordas bolsonaristas, que mais parecem um exército de zumbis a seguir as sandices do seu chefe.

Sorte a nossa que os meios de comunicação, talvez por conta de um misto de pragmatismo e de bom senso, ou, quem sabe, por instinto de sobrevivência, mantêm-se firmes na defesa do isolamento social. O fazem mesmo diante dos muxoxos daquela parte mais insensível dos meios de produção e do próprio mercado, enfim, dos seus “senhores”, pois a imprensa no Brasil é empresarial, como o é na maioria dos países, diga-se de passagem.

Por tabela, pelo menos por enquanto, esqueceu da privatização das estatais, das reformas tributária e administrativa, da venda de tudo, sibilar repetido à exaustão nos últimos anos, como se fosse um mantra que salvaria o Brasil: a grande imprensa parece que descobriu o Estado.

Paralelamente,como nunca antes na história deste país, também voltou os seus holofotes para as periferias, onde vive a maioria da população, boa parte sem as condições mínimas de saneamento básico, entre outras mazelas, o que os torna, potencialmente, o segmento mais vulnerável à pandemia.

 

Apuração correta

Diante da exaustiva cobertura, que ainda vai durar meses, há, naturalmente, o perigo da espetacularização e saturação das notícias. A adrenalina, o contar dos mortos que se farão milhares, as horas seguidas de informações, muitas das quais repetidas, o martelar em um único assunto, enfim, tudo isso pode se voltar contra a própria cobertura.

Porém, apesar do cansaço, em tempos de fake news propagadas via aplicativos e redes sociais, mais do que nunca, a apuração correta dos fatos e a veiculação de conteúdos embasados se fazem fundamentais para salvar vidas. Vale lembrar que, em épocas de pandemias, as crenças populares muitas vezes se sobrepõem aos saberes da ciência.

Foi assim, por exemplo, no surto de gripe espanhola que se deu em 1918, quando, no Brasil, a ingestão de ovos, canja de galinha e limão eram recomendados como elixir para evitar a doença e até curá-la. Tudo muito parecido com os dias de hoje, pois há quem recomende água quente com vinagre e até óleo consagrado como remédio para combater a doença.

Há quem diga que, apesar das muitas mortes que ainda causará, o novo coronavírus nos fará pessoas melhores. Se tal raciocínio vai vingar, não se sabe. No entanto, a pandemia já elevou a imprensa brasileira a um patamar mais alto, justamente quando ela havia descido ao subsolo.

Por fim, se o presente é trágico, o futuro talvez se faça ainda mais difícil. Com a inevitável depressão econômica e o crescimento exponencial do desemprego, o Brasil terá um aumento significativo no seu contingente de miseráveis.

E, como está fazendo no enfrentamento da Covid-19, a imprensa hegemônica não poderá se omitir diante da agonia dos desvalidos, sob pena de sofrer um abraço ainda mais apertado de Cassandra.

O resto é silêncio e casa.

(Raul Moreira)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, hoje.

CONHEÇA O JORNAL QUE VIRA PLANTA

27/08/2017 às 3:06 | Publicado em Artigos e textos, Midiateca | Deixe um comentário
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Mais uma ideia interessante. Achei no blog-irmão “O Bem Viver” e compartilho agora. Como sou dos poucos que ainda leem jornal em papel quase diariamente, poderia montar um bom jardim no quintal de minha casa se a tecnologia tivesse chegado por essas plagas soteropolitanas


CONHEÇA O JORNAL QUE VIRA PLANTA

Green Newspaper (Foto: Reprodução/yoshinakaono)

Depois de ler o jornal, você pode rasgá-lo em pequenos pedaços e plantá-lo (Foto Reprodução/yoshinakaono)

Em tempos em que a sustentabilidade é cada vez mais pensada nas grandes e pequenas empresas, projetos de reutilização e reciclagem são muito bem-vindos. Pensando nisso, o jornal japonês The Mainichi Shimbunsha passou a produzir o “Green Newspaper” (jornal verde, em tradução livre). O produto é feito de papel reciclável e vegetal, que pode ser plantado após a leitura.
Esse tipo de jornal está no mercado há algum tempo, e é feito de uma mistura de papel, água e pequenas sementes de flores ou plantas. Depois de lê-lo, é só rasgá-lo em pedaços pequenos, plantá-los e não esquecer de regar para, em pouco tempo, ver pequenas mudas nascer.

Green Newspaper (Foto: Reprodução/yoshinakaono)

Green Newspaper (Foto: Reprodução/yoshinakaono)

No Japão, a iniciativa do Mainichi Shimbunsha atingiu todo o país. O jornal tem uma circulação de mais de 4 mil cópias e chegou também até as escolas para ensinar as crianças a importância da reciclagem para o planeta.
Aqui no Brasil, esse tipo de papel é produzido pela Papel Semente, em formatos diferentes.


FONTE: http://revistacasaejardim.globo.com/Curiosidades/noticia/2017/06/conheca-o-jornal-que-vira-planta.html

Bruno Aziz

19/06/2017 às 3:32 | Publicado em Zuniversitas | 3 Comentários
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Recentemente perdemos, os leitores do jornal A TARDE, Salvador-BA, o grande cartunista Simanca (ele fez uma espécie de carta via zapzap explicando a sua expulsão do jornal – seus admiradores nem precisavam ler para saber…). Ganhamos outro gênio, Jaguar, que certamente irá sair da mesma forma que Simanca, mais cedo ou mais tarde. Para os que não sabem, o jornal A TARDE, assim como a TV Bahia e outros veículos de comunicação dessa bela terra da Bahia de Todos os Santos são propriedades da família de ACM, aquele que NÃO morreu !

Salve Bruno Aziz, o que ainda permanece !


BrunoAziz_15_06_2017

O papel da mídia

12/05/2017 às 3:41 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 2 Comentários
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Dois artigos em um. Florestan Fernandes Júnior e Leandro Fortes. Confiram !


FLORESTAN FERNANDES EXPLICA POR QUE VOCÊ DEVE DUVIDAR DA MÍDIA

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O jornalista Florestan Fernandes Júnior lembra que, quando a economia ia bem, colunistas da mídia familiar diziam o contrário: apostavam no apagão, na inflação e no desemprego; hoje, quando tudo vai mal, tentam encontrar razões para dizer o contrário; confira sua análise

7 DE MAIO DE 2017

As voltas que a mídia dá

Por Florestan Fernandes Júnior, em seu Facebook

Revendo minhas postagens de 2013 aqui no facebook, topo com uma que é esclarecedora sobre a manipulação da notícia. Na época, o desejo dos donos dos meios de comunicação era explicitado pelos âncoras das emissoras de rádio e televisão nas críticas a nossa economia.

Vejam só, no início daquele ano, as manchetes das escaladas dos telejornais diziam que o país estava à beira de um apagão elétrico. O tempo passou, e nada!

Na sequência apostaram todas as fichas no aumento do desemprego, e a taxa fechou o primeiro trimestre do mesmo ano em 5,7%, o menor nível histórico para março, segundo o IBGE. Partiram então para a queda na produção automobilística.

No mês seguinte a produção de automóveis bateu novo recorde histórico. Logo em seguida, por conta da quebra da safra de tomate, batata, cebola e outros legumes, a bola da vez era a inflação que iria voltar. Como o esperado a produção se normalizou e os preços dos legumes caíram.

No Brasil do governo Temer, sem praticamente nada de bom para mostrar, o jornal Valor Econômico deu na última quinta-feira, em sua primeira página, que a Bolsa de Valores iria subir por conta da retomada empresarial. No mesmo dia a Bolsa de São Paulo caiu 2 pontos e o dólar subiu.

No início do ano as reportagens previam um aquecimento nas vendas por conta da liberação das contas inativas do FGTS. Bola fora, só em abril a produção de automóveis teve uma queda de 18,8% e a de material de construção uma retração de 5%. O setor industrial, de maneira geral, despencou 6,7% no primeiro trimestre de 2017.

E, para o desespero do trabalhador, o desemprego atinge hoje 14 milhões de brasileiros. Os únicos que se deram bem foram os bancos. O lucro do Itaú, por exemplo, cresceu 20% no primeiro trimestre, chegando à soma de 6,1 bilhões de reais. Agora, parte da nossa mídia garante que com as reformas trabalhista e previdenciária tudo irá melhorar. Você acredita?


Depoimento em Curitiba: Coletânea de frases de Lula que você não verá na Globo

Lula soltou a língua no depoimento em Curitiba.

ACABOU O LEXOTAN NA REGIÃO AGRÍCOLA
Leandro Fortes em 10/5/2017

Gente, fora da bolha protetora da mídia, o juiz Moro é fraquíssimo, titubeante, incapaz de formular questões diretas e objetivas.

Não tem talento algum para o papel que lhe impuseram.

Nem tem uma única prova contra Lula.

A Justiça brasileira, com todos os seus problemas, não merecia esse vexame sem fim.

***

FRASES DE LULA NO DEPOIMENTO
MORO: Senhor ex-presidente, preciso lhe advertir que talvez sejam feitas perguntas difíceis para você.
LULA: Não existe pergunta difícil pra quem fala a verdade.

***

MORO: Esse documento em que a perícia da PF constatou ter sido feita uma rasura, o senhor sabe quem o rasurou?
LULA: A Polícia Federal não descobriu quem foi? Não? Então, quando descobrir, o senhor me fala, eu também quero saber.

***

MORO: O senhor não sabia dos desvios da Petrobras?
LULA: Ninguém sabia dos desvios da Petrobras. Nem eu, nem a imprensa, nem o senhor, nem o Ministério Público e nem a PF. Só ficamos sabendo quando grampearam o Youssef.
MORO: Mas eu não tinha que saber. Não tenho nada com isso.
LULA: Tem sim. Foi o senhor quem soltou o Youssef. O senhor deve saber mais que eu [referindo-se ao escândalo do Banestado].

***

LULA: O Dallagnol não tá aqui. Eu queria o Dallagnol aqui pra me explicar aquele PowerPoint.

***

MORO: Saíram denúncias na Folha de S. Paulo e no jornal O Globo de que…
LULA: Doutor, não me julgue por notícias, mas por provas.

***

LULA: Esse julgamento é feito pela e para a imprensa.
MORO: O julgamento será feito sobre as provas. A questão da imprensa está relacionada a liberdade de imprensa e não tem ligação com o julgamento.
LULA: Talvez o senhor tenha entrado nessa sem perceber, mas seu julgamento está sim ligado a imprensa e os vazamentos. Entrou nessa quando grampeou a conversa da presidente e vazou, conversas na minha casa e vazou, quando mandou um batalhão me buscar em casa, sem me convidar antes, e a imprensa sabia. Tem coisas nesse processo que a imprensa fica sabendo primeiro que os meus advogados. Como pode isso? E, prepare-se, porque estes que me atacam, se perceberem que não há mesmo provas contra mim e que eu não serei preso, irão atacar o senhor com muito mais força.

***

MORO: Senhor ex-presidente, você não sabia que Renato Duque roubava a Petrobras?
LULA: Doutor, o filho quando tira nota vermelha, ele não chega em casa e fala: “Pai, tirei nota vermelha”.
MORO: Os meus filhos falam.
LULA: Doutor  Moro, o Renato Duque não é seu filho.

***

LULA: Doutor Moro, o senhor já deve ter ido com sua esposa numa loja de sapatos e ela fez o vendedor baixar 30 ou 40 caixas de sapatos, experimentou vários e no final, vocês foram embora e não compraram nenhum. Sua esposa é dona de algum sapato, só porque olhou e provou os sapatos? Cadê uma única prova de que eu sou dono de algum tríplex? Apresente provas doutor Moro?

***

MORO: O senhor solicitou à OAS que fosse instalado um elevador no tríplex?
LULA: O senhor está vendo essa escada caracol nessa foto? Essa escada tem dezesseis degraus e é do apartamento em que eu moro há 18 anos em São Bernardo. Dezoito anos a Dona Marisa, que tinha problema nas cartilagens do joelho passou subindo e descendo essa escada. O senhor acha que eu iria pedir um elevador no apartamento que eu não comprei, ao invés de pedir um elevador no apartamento em que eu moro, para que a Dona Marisa não precisasse mais subir essa escada?

***

LULA: O vazamento das conversas da minha mulher e dela com meus filhos foi o senhor quem autorizou.

***

MORO: Tem um documento aqui que fala do tríplex…
LULA: Tá assinado por quem?
MORO: Hmm… A assinatura tá em branco…
LULA: Então, o senhor pode guardar por gentileza!

***

FRASES DE LULA NO COMÍCIO APÓS O DEPOIMENTO
“Se não fossem vocês, eu não suportaria o que eles estão fazendo comigo”.

“O Jornal Nacional, em 12 meses, publicou 18 horas de matérias para me massacrar. Quero dizer que estou vivo”.

“Esperava que, depois de tanto massacre, eles tivessem o documento que eu comprei, reformei o apartamento, com escritura registrada em cartório. Mas nada, nada. Perguntaram se eu conheço o Vaccari [Neto, ex-tesoureiro do PT], o [Paulo] Okamotto [presidente do Instituto Lula]. Lógico que eu conheço e não tenho vergonha dessas pessoas. Não quero ser julgado por interpretações, mas por provas”.

“Eu só posso dizer uma coisa. Em meu nome, em nome do meu partido, em nome dos movimentos sociais que estão aqui, em nome dos partidos solidários, do movimento sindical: se um dia eu tiver que mentir, eu prefiro que um ônibus me atropele em qualquer rua deste país. Eu jamais poderia mentir para pessoas como vocês que acreditam e me seguem há tanto tempo”.

“Minha mãe viveu e morreu analfabeta. Ela dizia que conhecemos quando as pessoas estão dizendo a verdade, não pela boca, mas pelos olhos. Por isso, queria que as pessoas vissem os olhos de quem está perguntando e quem está respondendo”.

“Minha relação com vocês é de companheiros de projeto de país e construção de sociedade civilizada”.

“Quero dizer que estou vivo e estou me preparando para voltar a ser candidato à Presidência deste país. Nunca tive tanta vontade de voltar a ser presidente como agora”.

***

DILMA NO COMÍCIO EM CURITIBA
“Lula vai derrotar esse retrocesso que hoje o governo golpista está fazendo em Brasília a portas fechadas querendo acabar com a Petrobras, vender nossas terras para estrangeiros, abrindo nossa indústria para ser vendida a preço de banana”.

FONTE: https://limpinhoecheiroso.com/2017/05/11/depoimento-em-curitiba-coletanea-de-frases-de-lula-que-voce-nao-vera-na-globo/

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