20 de janeiro

20/01/2018 às 3:10 | Publicado em Artigos e textos, Fotografias e desenhos | 1 Comentário
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Hoje ela faria 94 anos, mas bateu asas há cinco e nos deixou com a sua famosa SAUDADONA. Em homenagem a essa mulher além do seu tempo, posto um de seus mais belos quadros.

Salve Borbulinha !

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A Caverna de Platão na Era da Informação: Servidão e Ignorância em tempos de rede

17/01/2018 às 11:01 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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O objetivo deste blog é exatamente esse: provocar o pensamento. É o que faz esse bom artigo de Erick Morais.


A Caverna de Platão na Era da Informação: Servidão e Ignorância em tempos de rede

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A partir da década de 1970, o mundo começou a passar por transformações que o modificariam substancialmente em vários aspectos. Era a terceira revolução industrial, ou como alguns gostam de chamar – “A Revolução tecno-científica-informacional”. O desenvolvimento da internet e do conceito de rede modificou a estrutura e a lógica da informação e dos meios de comunicação. Hoje, vivemos o auge dessa revolução (ou não), em que temos “acesso” ao mundo na palma da mão. Estamos ligados, conectados, cercados de informação por todos os lados e, portanto, livres da ignorância. Ou ainda mais ignorantes?

Não há dúvida de que a internet promoveu a democratização da informação e até mesmo do modo como se estruturam os meios de comunicação. A informação existe em atacado, de todas as formas, todavia, é preciso considerar algo básico e repetido por muitos: informação não é conhecimento. Dessa maneira, por mais que exista um manancial enorme de informação, isso não implica necessariamente mais conhecimento/sabedoria e, consequentemente, menos ignorância/alienação/escravidão.

Além do fato de que informação difere de conhecimento, também é necessário colocar em pauta qual o tipo de “informação” que circula na rede. Existe muito conteúdo de qualidade no oceano da internet, o qual consegue estimular no indivíduo médio o exercício do senso crítico, de pensar fora da caixinha, fora dos padrões, de questionar a estrutura de poder estabelecida e, assim, construir um conhecimento próprio. Esse tipo de conteúdo e/ou informação existe, volto a dizer, mas ele está perdido, escondido no fundo do oceano. Há uma dificuldade enorme de que eles consigam notoriedade, leia-se, atingir verdadeiramente um grande número de pessoas.

Por outro lado, mais do que dar voz a imbecis (que existem em todos os lugares), como disse certa vez Umberto Eco, a internet tem a capacidade de criar ídolos que mesmo não sendo imbecis (na maioria dos casos), não são produtores de conteúdo/informação que estimulam o pensamento crítico. Esse fato não é exclusivo dos novos meios de comunicação. Os mais antigos, como a TV e o Cinema, talvez sejam até piores nesse sentido, inclusive, porque no caso da TV especificamente, ela possui (ou deveria possuir) o direito de nos informar dignamente, com qualidade. Sabemos que não é bem isso que acontece.

O ponto-chave dessa problemática, por assim dizer, é que já está comprovado que o acesso à informação está muito mais fácil do que há um século. Entretanto, não houve o desenvolvimento de uma sociedade mais crítica, o que nos leva a repensar o papel da informação e dos meios de comunicação no pensar humano, bem como, do desenvolvimento real produzido com mais uma revolução industrial.

As notas na redação do Enem 2016 evidenciam o argumento supracitado, uma vez que havendo mais informação e acesso a ela na mesma medida, por que houve tantas notas baixas? Provavelmente, porque o excesso de “luz” presente na rede esteja causando uma “cegueira branca”, que direciona grande parte dos sujeitos para os mesmos locais, o que só pode permitir que os seus pensamentos comunguem para o senso comum de modo totalmente acrítico ao mundo que os cerca.

A cegueira colocada aqui pode ser interpretada como servidão, e pior, voluntária. Contudo, é necessário dizer que ela não surge do nada. Ela é fruto de um processo no qual os indivíduos não são estimulados a pensar, a fazer perguntas (todas elas); e sim, em se adaptar, se comportar bem aos olhos de um superior – fazendo tudo que ele quiser, obviamente – e não menos importante, aprendendo a como fazer as coisas, ainda que não se saiba o porquê do que está sendo feito. Ou seja, estou falando da educação, o que no caso do Brasil, principalmente da escola púbica, consegue ser pior do que o exposto e, assim, tornar-se extremamente difícil convencer uma massa programadamente ignorante de que o lado de fora da caverna é mais bonito. É o que Bauman diz em “Babel – Entre a Incerteza e a Esperança”:

“Se a variedade atual dos homens da caverna de Platão não se importa de estar encarcerada é porque esses homens foram espoliados do desejo de se aventurar do lado de fora, ou jamais conseguiram tomar conhecimento do propósito de fazê-lo. ”

Assim sendo, por mais que haja uma democratização no acesso à informação e conteúdos voltados para o pensamento crítico e libertador da condição servil que nos encontramos, há ainda muita dificuldade em relação ao desenvolvimento do interesse e compreensão, sobretudo, do homem médio, da importância de buscar conteúdos imprescindíveis para o seu despertar.

O mundo se moderniza, novas “revoluções surgem”, mas a condição de escravos presos à caverna permanece, o que na atual conjuntura se estabelece de modo ainda mais perverso e eficiente, pois passa-se a falsa impressão de que há acesso não só à informação, mas também à justiça, à educação, à moradia, à alimentação, à saúde, à segurança, e tantos outros direitos básicos que são sabotados dos cidadãos. Para piorar, presos nessa ignorante condição, os próprios escravos acabam alimentando o sistema ao consumir freneticamente como verdades absolutas tudo que lhes é passado, e posso lhes garantir que não são conteúdos que procuram estimular o questionamento do porquê das coisas.

Posto isso, há de se considerar que sejam nos novos ou velhos meios de comunicação, a informação existe, quer para libertar, quer para aprisionar. E, embora haja uma democratização da informação, acima de tudo com a internet, não houve uma modificação substancial da condição que nos encontrávamos antes dessa “transformação” ocorrer.

Entretanto, a mudança não ocorrerá de modo abstrato, a partir dos próprios meios de comunicação ou de quem os administra (e isso inclui os produtores de conteúdo na internet), e sim, de quem dá voz a eles. Por isso, por mais que as condições sejam adversas, reside em cada escravo na caverna um pequeno ponto de interrogação que pode levá-lo ao descobrimento do mundo exterior, longe de sombras e de correntes. É necessário que cada um assuma a sua responsabilidade, sem deixar os ouvidos fáceis para os mascates de ideologias, interessados tão somente no aumento das correntes que nos cegam e nos prendem.

FONTE: http://genialmentelouco.com.br/2017/08/23/a-caverna-de-platao-na-era-da-informacao-servidao-e-ignorancia-em-tempos-de-rede/

Um mundo com menos

15/01/2018 às 11:41 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Karnal, aquele que para alguns é o “filósofo do óbvio”, nos vem lembrar como era a infância dos adultos de hoje.

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Um mundo com menos  LEANDRO_KARNAL_03

Minha infância foi a comum da classe média brasileira de então. Se eu tivesse de identificar a grande diferença entre ser uma criança em 1970 ou 2018 no mesmo patamar social, eu apontaria para a variedade atual. Variedade do quê? Tudo.

Sobre a mesa da nossa cozinha repousavam bananas, laranjas, ocasionalmente maçãs. Havia um abacateiro por perto e, na época certa, os frutos ameaçavam carros e cabeças. Minha avó tinha uma videira com cachos de uma uva rosada. Gostávamos das mexericas, chamadas no Sul de bergamotas. Surgia de quando em vez um tipo de mamão amarelo e algum melão. Nada de kiwis ou da bela e insípida fruta-dragão. Desconhecíamos physalis. Vi minha primeira lichia já doutor.

Havia chocolates. Eram sempre doces e com leite. Hoje há com 75% de cacau, com leite, com pimenta e com grãos de flor de sal. O café chegou ao paroxismo máximo: descafeinado, com aroma, intensidades variadas, com espuminha de leite, nuvem leve de canela, traços de pó de cacau e até grãos defecados por um animal. O simples refrigerante, hoje, comporta as possibilidades de vir acompanhado de gelo, limão em rodelas, suco espremido ou fatias de laranja. Também pode ser zero, diet ou com sabores especiais.

Quase tudo que ocorreu faz parte de um processo de mundialização cada vez mais intenso. Exportamos e importamos com maior facilidade. Além dos fatos econômicos e geopolíticos, a informação circula mais e entre mais gente. Apesar da explicação óbvia, há mais coisas atrás do biombo.

Eu usava um calçado esportivo preto chamado ki-chute nas aulas de educação física. Hoje, uma prateleira de tênis na loja é uma festa de cores cada vez mais impressionantes. É difícil escolher um em 2018, em parte porque ficaram mais caros e em parte porque trazem excesso de informações. Sempre vejo nos tênis atuais a chance boa de que, em caso de cair em meio à neve em área isolada, serei visível até para um satélite do espaço.

Todo mundo que teve menos escolha e liberdade olha para hoje com a tendência de indicar que era mais feliz com menos e que as crianças atuais são mais entediadas. O desejo do consumo existe em todos os grupos sociais, ainda que nem todos possam atendê-lo. Zygmunt Bauman chega a sugerir que as lojas fossem denominadas farmácias, porque oferecem remédios para variados males. Está triste? Compre! Está eufórico? Compre! Está com tédio? Compre!

O mundo da internet tem um efeito secundário importante. Ele escancara as possibilidades de tudo para todos. Mesmo que eu não possa comprar X ou Y, estou exposto às ofertas. Sou seduzido como um Ulisses amarrado ao mastro, ouvindo sereias e ficando insano. A loucura passageira do rei de Ítaca pode ilustrar bem o desejo de consumir inexistindo a possibilidade. As sereias excedem a possibilidade de renúncia. Todos queremos nos atirar às rochas dos produtos.

Havia diferenças sociais (inclusive maiores do que as de hoje) quando eu tinha 7 anos. Havia pobres e ricos e, provavelmente, um maior conformismo com as desigualdades. É difícil comparar épocas. Queríamos coisas e desejávamos consumir. Tenho a sensação subjetiva de que aceitávamos melhor a recusa da nossa vontade. Não era necessário, parece, que as crianças fossem intensamente felizes 24h por dia.

Despontam duas diferenças notáveis que tornam a infância e a juventude de hoje distintas da minha. Associamos a ideia de variedade ao conceito de liberdade. Mais coisas a escolher parece representar maior liberdade, quando apenas quer dizer mais coisas a escolher. A expansão dos nomes das pizzas no cardápio não gera um aumento na qualidade do que é oferecido, tampouco alegria efusiva. Ter tudo à disposição roça em quase ter nada.

Temos equilibrado no mundo atual dois malabares no ar instável: a oferta excessiva de coisas para um grupo e a negação do consumo para muitos. Isso gera uma frustração muito grande. Seria como matar de fome uma pessoa em uma delicatessen com cheiros sedutores.

Como explicar que a diminuição visível da desigualdade de renda em alguns anos do século atual não foi acompanhada de uma queda de furtos ou roubos? Devemos levar em conta que a força do consumo aumentou e nem sempre o crime é famélico. A lei é quebrada pela busca de status, por um celular mais avançado e pelo tênis importado. Matamos e morremos por logomarcas e seu valor simbólico. Uns estão entediados pelo excesso e outros ressentidos pela falta. Ambos constituem uma dupla complicada para um projeto nacional.

O processo de globalização é irreversível. As promessas de variedade e abundância foram incorporadas no mundo do desejo de muitas pessoas. Todos querem ser felizes e isso, hoje, implica consumir. Lógico que, no modelo atual, o consumo é insustentável. O padrão da classe média norte-americana não pode ser universalizado, o planeta não aguentaria o modelo. O primeiro problema está aí. O segundo está na tensão causada pela exposição clara de altos padrões de consumo para todos, inclusive para quem não pode adquirir as coisas que deseja. Em função disso, aumenta tanto a dor social de quem nada tem como o endividamento dos que possuem pouco.

Por fim, o terceiro e último problema: acima dos padrões das necessidades básicas, o consumo não tem poder redentor ou de esteio de felicidade. É um ópio, uma cortina de fumaça, uma forma de não encarar as questões centrais. Eis um enorme desafio para ensinar às próximas gerações. Bom domingo para todos nós.

(Leandro Karnal)

FONTE: Estado de S. Paulo, ontem, recebido por email

Fotos e vídeos falsos: “O Estado da Arte”

12/01/2018 às 3:58 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Produzir fotos e vídeos falsos não é coisa nova. Novo é o uso de Inteligêcia Artificial e a rapidez com que se consegue, de forma fácil, fabricar imagens e vídeos falsos com qualidade. Nesse post publico  dois artigos a esse respeito. E, lógico, a discussão ética se faz necessária.


Tecnologia permite transferir expressões faciais em vídeo em tempo real

Pesquisadores criaram um programa de modificação de vídeo capaz de transferir as expressões faciais de uma pessoa para outra em tempo real. Nada melhor para explicar essa tecnologia do que o clichê: é preciso ver para crer.

O projeto é uma colaboração entre pesquisadores da Universidade de Erlangen-Nuremberga e do Instituto Max Planck, ambos localizados na Alemanha, e da Universidade de Stanford, dos Estados Unidos. O estudo intitulado “Transferência de expressão em tempo real para reconstrução facial” teve suas primeiras imagens divulgadas há cerca de um mês.

De acordo com os pesquisadores, a novidade do seu método reside na “transferência e na renderização fotorrealística das deformações faciais e detalhes para o vídeo alvo, de modo que as expressões recém-sintetizadas sejam visualmente indistinguíveis do vídeo real”.

Para capturar com precisão as expressões faciais dos indivíduos de origem e destino em tempo real, eles utilizaram sensores RGB-D. Com isso, é possível identificar modelos paramétricos para a identidade, expressão e cor da pele para organizar dados como cores, profundidade e também para reconstituir a iluminação da cena.

Para transferir a expressão facial, é preciso calcular a diferença entre as expressões de origem e destino e modificar os parâmetros do alvo para coincidir com as expressões do primeiro indivíduo. Um exemplo de utilização desta tecnologia é a aplicação de expressões e voz em tradutores, tornando a imagem mais natural durante uma dublagem, por exemplo.

Transferência expressão facial

Fonte: Universidade de Stanford

FONTE: https://canaltech.com.br/produtos/tecnologia-permite-transferir-expressoes-faciais-em-video-em-tempo-real-51127/


Estamos todos fodidos: a IA agora cola rosto de qualquer um em vídeos pornô

VICE BrasilThiago “Índio” Silva · 12/12/2017

Está rolando um vídeo da atriz Gal Gadot transando com seu meio-irmão na internet, mas há um detalhe: não é o corpo de Gadot. Trata-se de uma colagem do rosto da artista com corpo não tão destoante do dela em uma cena incestuosa pré-existente.

O vídeo foi criado com auxílio de um algoritmo de machine learning. O criador da peripécia usou materiais de fácil acesso e comandos de código aberto que qualquer um com o mínimo de conhecimento sobre a tecnologia pode fazer.

Trecho do vídeo completo, hospedado no SendVids, com o rosto de Gal Gadot no corpo de uma atriz pornográfica.

O material não engana ninguém que o analisa comcuidado. Por vezes o rastreamento dos movimentos faciais não funciona muito bem e rola aquele lance meio uncanny valley. Olhando de primeira, porém, a coisa até que funciona. Ainda mais se levarmos em consideração de que se trata do trabalho de uma única pessoa – um usuário do Reddit chamado ‘deepfakes’ – não um estúdio enorme capaz de recriar uma jovem Princesa Leia em Rogue One com auxílio de CGI.

O usuário, aliás, usa ferramentas de machine learning de código aberto tais como o TensorFlow, disponibilizado pelo Google gratuitamente para pesquisadores, universitários e qualquer um com interesse em machine learning.

Como aquela ferramenta da Adobe que faz com que as pessoas falem qualquer coisa e o algoritmo Face2Face capaz alterar um vídeo gravado com monitoramento facial em tempo real, este novo modelo de pornografia falsa mostra que estamos prestes a viver em mundo em que será ridiculamente simples criar vídeos críveis de gente fazendo e falando coisas que nunca de fato fizeram. Incluindo sexo.

Até então, deepfakes postou vídeos pornográficos com os rostos de Scarlett Johansson, Maisie Williams, Taylor Swift, Aubrey Plaza e Gal Gadot no Reddit. Entrei em contato com os representantes e agências dessas atrizes, informando sobre os vídeos falsos e atualizarei a matéria caso me respondam.

Pornografia forjada de celebridades em que imagens são editadas para se assemelharem a famosos sem roupa já não é novidade há tempos. Seus adeptos são muitos. O próprio deepfakes possui grandes fãs de seu trabalho. Ele é, afinal, o pioneiro.

“Não é mais tão complicado assim.”

De acordo com deepfakes – que não quis revelar sua identidade para evitar escrutínio público – o software tem como base diversas bibliotecas de código aberto, tais como Keras com backend TensorFlow. Para compilar os rostos das celebridades, deepfakes afirma ter utilizado fontes como a busca de imagens do Google, bancos de imagens e vídeos no YouTube. O deep learning consiste de redes de pontos conectados que rodam processos em cima dos dados que foram inseridos. Neste caso, ele treinou o algoritmo com vídeos pornograficos e o rosto de Gal Gadot e, após este “treinamento”, os pontos se organizaram de forma a completar uma tarefa específica como manipular vídeo em tempo real.

O pesquisador especializado em inteligência artificial Alex Champandard me disse via email que uma placa de vídeo boa, acessível ao consumidor comum, poderia processar este tipo de efeito em algumas horas, mas até mesmo um processador comum, sem placa de vídeo, poderia fazer o mesmo, ainda que de forma mais lenta, ao longo de dias.

“Não é mais tão complicado assim”, disse Champandard.

A facilidade com que se pode fazer algo do tipo assusta: deixando de lado toda a técnica envolvida, só seriam necessárias algumas fotos suas, coisas que muito de nós já fornecemos numa boa ao auxiliar na criação de gigantescos bancos de dados de nossos próprios rostos. (Vale lembrar: são 24 bilhões de selfies foram postadas no serviço de fotos do Google entre 2015 e 2016.) É de se considerar a possibilidade de um programador amador rodar um algoritmo de forma a criar uma sex tape de algum desafeto.

Em conversa por email, deepfakes comentou não ser um pesquisador profissional do ramo, e sim apenas um programador interessado em machine learning.

“Apenas encontrei uma forma inteligente de fazer trocas de rostos”, afirma, ao falar de seu algoritmo. “Com centenas de imagens de rostos, posso gerar com facilidade milhões de imagens distorcidas para treinar a rede. Depois disso, insiro o rosto de outra pessoa na rede e ela achará que se trata de mais uma imagem distorcida, então tentará fazê-la se parecer com o rosto utilizado nos treinos.”

Em postagem no Reddit, deepfakes mencionou estar usando umalgoritmo semelhante ao desenvolvido por pesquisadores da Nvidia que vale-se de deep learning para, por exemplo, transformar uma cena de verão em uma cena de inverno rapidamente. Os pesquisadores, por sua vez, negaram-se a comentar esta possível aplicação.

Os resultados estão longe de serem perfeitos nos exemplos postados por deepfakes. No vídeo de Gadot, por exemplo, há momentos em que uma caixa surge ao redor de seu rosto em que é possível ver a imagem original, assim como seus olhos e boca não batem com o que a atriz está falando – mas se você estiver disposto a crer, poderia muito bem ser Gadot. Em outros vídeos, o trabalho de deepfakes é ainda mais convincente.

A atriz pornográfica Grace Evangeline me disse via mensagem direta no Twitter que atrizes do ramo estão acostumadas a terem seu trabalho distribuídos gratuitamente por aí em sites como o SendVid, onde se encontra o vídeo de Gadot, sem sua permissão, mas que desta vez era algo diferente, algo que ela nunca havia visto.

“Algo importante que sempre tem que estar presente é o consentimento”, disse Evangeline. “Consentimento na vida privada e também em filmes. Criar falsas cenas de sexo com celebridades tira delas o direito ao consentimento, é errado.”

Mesmo para quem vive diante das câmeras, a violação de limites pessoais é problemática. Mostrei o vídeo à Alia Janine, atriz pornográfica aposentada há 15 anos. “É perturbador”, comentou ao telefone. “Mostra como alguns homens encaram mulheres apenas como objetos que podem manipular e forçar a fazer o que bem entendem… É um desrespeito total com os atores e atrizes do filme, bem como as atrizes em questão.”

Perguntei a deepfakes se ele já havia parado para refletir sobre as implicações éticas de sua tecnologia, se ele havia pensado em questões como consentimento, revenge porn e chantagem ao criar este algoritmo. Eis a resposta:

“Toda e qualquer tecnologia pode ser usada com motivações ruins, é impossível impedir isso”, comentou, comparando seu trabalho ao da tecnologia que recriou Paul Walker após sua morte no filme Velozes e Furiosos 7. “A principal diferença é como é fácil qualquer um fazer isso. Não acho que seja ruim para pessoas comuns começarem a mexer com pesquisas em machine learning.”

Em termos éticos, as implicações são “enormes”, de acordo com Champandard. O uso malicioso da tecnologia não pode ser evitado, mas rebatido de alguma forma.

“Precisamos ter um debate público sobre o tema em alto e bom som”, disse. “Todos precisam saber como é fácil criar vídeos e imagens falsas, ao ponto de que será difícil determinar o que é falso ou não em poucos meses. Claro que tudo isso já era possível há tempos, mas seriam necessários muitos recursos e profissionais envolvidos, e hoje tudo pode ser feito por um único programador com um computador relativamente novo.”

Champandard disse que pesquisadores já podem começar a desenvolver tecnologia para detecção de vídeos falsos, de forma a ajudar a determinar o que é real ou não. Já as regulamentações de internet podem ser alteradas de forma a moderar o que acontece quando tal tipo de material forjado e abusos ligados a este surgirem.

“De uma forma bem esquisita, trata-se de algo bom”, comentou Champandard. “É uma questão de focar em transformar a sociedade para que possa lidar com isso.”

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FONTE: https://newsstand.google.com/articles/CAIiEH5KPMo8uwGHv9U652vjvp4qGAgEKg8IACoHCAow56LTATC7wjUw596aAg

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