Vamos, você consegue !

16/10/2018 às 3:21 | Publicado em Fotografias e desenhos | Deixe um comentário
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Gonzaguinha

14/10/2018 às 3:26 | Publicado em Midiateca, Zuniversitas | 1 Comentário
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Quanta falta nos faz um Gonzaguinha numa hora dessa !


MUNDOS DE LIZ

12/10/2018 às 3:35 | Publicado em Fotografias e desenhos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Quanta sabedoria e filosofia nesses Mundos de Liz


 

MundosLiz

O CAMINHO DA ÍNDIA

09/10/2018 às 3:16 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Numa de minhas viagens pela GOL desse ano, encontrei na revista de bordo de setembro o artigo que agora publico aqui. Observei que em todas as aeronaves, bem na parte da frente, com vista para os passageiros, foram colocaram fotos grandes, lindas, de nossos irmãos indígenas. Trata-se do projeto GOL MOSTRA BRASIL do fotógrafo Renato Soares, uma excelente e bela iniciativa.


O CAMINHO DA ÍNDIA

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Estados Unidos, Finlândia e Itália: esses foram os destinos visitados por ela apenas no último mês. Muitas horas de avião para conhecer pessoas e falar sobre seu trabalho. Durante o trânsito, o celular pipoca com mensagens no WhatsApp, no Facebook e e-mails perguntando sobre disponibilidade em sua agenda, sempre lotada. A cena, que pode lembrar a de uma alta executiva ou empresária de sucesso, é, na verdade, um dia comum na vida da pajé Hushahu Yawanawá, 38 anos, primeira mulher de seu povo a desempenhar um papel de xamã – provavelmente uma das primeiras no país a alcançar tal posto. “Nem acredito que estou aqui. Amanhã, preciso retornar ao Mutum, pois mulheres do mundo inteiro já estão chegando para a nossa vivência”, conta, tímida, ao desembarcar no saguão do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, para as fotos e a entrevista desta reportagem.

Mutum é o nome de sua aldeia, às margens do rio Gregório, no interior do Acre. O povo Yawanawá é dono de um território demarcado de 187 mil hectares na Amazônia legal e, de acordo com dados do Instituto Socioambiental (ISA), reúne 560 pessoas. Ao todo, o país contempla 254 povos indígenas, somando pouco mais de 896 mil pessoas, segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010 – nú- mero bastante inferior aos quase 5 milhões de índios que habitavam o Brasil antes da chegada dos portugueses, como estima a Fundação Nacional do Índio (Funai). Isso significa uma diminuição em mais de 80% dessa população, que deveria ter aumentado nos últimos 500 anos.

Hushahu é um dos exemplos que vai na contramão desses índices e, mais do que isso, tem sido figura indispensável para olhar a questão indígena de uma maneira atual. Uma prova disso é a tal vivência que ela organizaria no dia seguinte ao encontro em São Paulo, quando mulheres se reuniriam na tribo para falar sobre a força feminina, fazer trabalhos de cura e ouvir sobre sua jornada. “Ela provou que as mulheres podem dominar os conhecimentos da cura e rompeu um bloqueio cultural muito grande. Hushahu foi a primeira e, depois dela, várias outras passaram a estudar, principalmente a medicina da ayahuasca [chá alucinógeno feito de caules e folhas, considerado sagrado por seu povo]”, explica Dede Maia, professora indigenista e uma das fundadoras da Comissão Pró-Índio do Acre.

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FLORESTA ADENTRO

Se hoje Hushahu pode ajudar outras mulheres a encontrar verdadeira força, é porque ela passou por uma jornada cheia de desafios até descobrir a sua própria. Casou-se ainda criança e foi mãe pela primeira vez aos 10 anos – a segunda filha chegou aos 12. “Isso fazia parte da minha cultura, então, demorei a perceber o que estava acontecendo. Por que eu era mãe de uma criança sendo que eu ainda era criança?”

Para chegar às respostas, ela recorreu ao uní, nome indígena para a ayahuasca. Mas o processo não foi fácil, já que a tradição não autorizava as Yawanawá a consumirem a bebida, que poderia matá-las ou enlouquecê-las. “Percebi que isso era só um discurso dos homens para evitar que as mulheres fizessem parte do ritual”, lembra Hushahu, que passava por todo o processo em silêncio. Foi sua cunhada, Laura, uma índia Zapoteca (etnia que permite a participação das mulheres na espiritualidade), que convenceu os patriarcas da tribo – seu pai, Raimundo Luis, e o pajé, Tatá – a deixarem Hushahu participar oficialmente de um ritual de uní, aos 14. “Poder tomar a bebida na frente do meu povo e não precisar me esconder foi a realização de um sonho”, lembra.

Naquele momento, ela soube que queria seguir no caminho da espiritualidade. Viveu reclusa até os 18, sem interagir muito com outras meninas de sua idade, pois era isso que se esperava de alguém que quer se tornar pajé, até se embrenhar floresta adentro para começar o ritual de transformação. Orientada por Tatá, ela e sua irmã, Putani, passaram 1 ano e 3 meses vivendo isoladas no meio da mata, seguindo todas as regras sagradas para se tornarem pajés: não podiam tomar água, comer açúcar, olhar outras pessoas nos olhos e fazer sexo. E consumiam diariamente diferentes tipos de me – dicina indígena. “Foi um período muito forte, che – guei a acreditar que não conseguiria, mas toda vez que me perguntava por que tinha aberto mão de tudo para viver aquilo, os espíritos me respondiam ‘porque você é uma mulher’”, lembra. Durante esse período, Hushahu aprendeu os cantos sagrados e resgatou desenhos ancestrais de grande importân – cia para restabelecer a cultura Yawanawá. “Ouvia histórias do Tatá sobre o nosso povo e sonhava com elas enquanto estava sob o efeito do uní.”

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MULHERES NO PODER

O retorno de Hushahu para o convívio na aldeia inaugurou uma nova era para os Yawanawá – es – pecialmente para as mulheres. Era o início dos anos 2000 e, com a ajuda da irmã, Mariazinha, a primeira cacique do povo, a pajé passou a incenti – var todas as mulheres da tribo a participar dos ri – tuais de uní e trabalhar com o artesanato, usando miçangas para vender pulseiras, brincos e colares. Sua história e visão contemporânea logo come – çaram a ganhar fama entre antropólogos e, não muito tempo depois, entraram no radar de aman – tes da cultura indígena. Hoje, os Yawanawá são uma das tribos que mais pratica o chamado tu – rismo espiritual, em que povos originários rece – bem pessoas de fora para praticar rituais de cura. “Trata-se de um povo empreendedor, que faz par – cerias com o homem branco e valoriza os ativos de uso tradicional. Isso, mais do que tudo, é uma questão de sobrevivência”, reforça André VillasBôas, secretário-executivo do ISA.

“Os índios do Acre tiveram contato com o lado mais selvagem do sistema capitalista du – rante o ciclo da borracha. Eles entenderam que, para alcançar novos objetivos, precisavam ‘vender’ o que tinham de mais importante para o branco – e isso é a cultura. Com eles à frente, esses projetos estão sendo manejados de forma sustentável e melhoram a situação financeira da aldeia”, completa André.

Além de turistas e estudiosos interessados na liderança feminina Yawanawá, marcas também passaram a procurá-la. Caso da Cavalera, que criou uma coleção étnica com a ajuda dos índios e trou – xe vários deles para o desfile no São Paulo Fashion Week, em 2015; e da Farm, que convidou mulheres da tribo para pintar algumas peças e confeccionar acessórios artesanais em duas coleções.

Há quem diga que esse tipo de aproximação com a cultura do homem branco descaracterize a identidade indígena, mas a questão é muito mais profunda. “A ideia de sociedades isoladas, preocupadas em preservar uma cultura própria, que ignoram as inovações e os usos das outras sociedades, é o resultado da colonização. Há uma tentativa constante e reiterada de confinar os indígenas em um passado idealizado, o que sig – nifica, na prática, exterminá-los no presente”, ga – rante Marcos Matos, professor e antropólogo da Universidade Federal do Acre. Em um exemplo mais simples: se ter um smartphone fabricado na China ou comer sashimi, da culinária japonesa, não faz de ninguém menos brasileiro, por que os índios não poderiam também usar calças jeans ou estarem conectados à internet?

Se na sua casa, no Mutum, Hushahu passa o dia com as roupas sujas de terra, come peixe com as mãos e anda descalça, quando sai da floresta a história é outra. “Não poderia sair as – sim porque receberia ainda mais preconceito. Minha identidade é o que está dentro de mim. Estar com um celular na mão não me faz menos índia”, defende Hushahu. “A gente não está mais escondida, tem satélites passando por cima da nossa terra. Temos que usar a tecnologia e as conexões para proteger a floresta. Quanto mais parcerias para combater essa onda de destrui – ção que está no mundo todo, melhor.”

(Alexandre Makhlouf e jorge Lepesteur)


OS PRIMEIROS HABITANTES

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Especializado em registrar tribos indígenas, o fotógrafo Renato Soares leva seus cliques para o projeto GOL MOSTRA BRASIL, a primeira exposição de fotos a bordo do mundo

As expressões e os costumes indígenas não escapam das lentes do fotógrafo mineiro Renato Soares. Desde 1986, ele viaja pelas cinco regiões do Brasil atrás de registros das tribos e, agora, seus cliques podem ser vistos no projeto GOL MOSTRA BRASIL, a primeira exposição de fotos a bordo do mundo. Todo o acervo, de cerca de 60 mil imagens, foi cuidadosamente analisado durante seis meses pela plataforma especializada em produções culturais Arte que Acontece. Os 130 cliques selecionados podem ser vistos nas 119 aeronaves e no GOL Premium Lounge, nos aeroportos de Guarulhos, em São Paulo, e Galeão, no Rio de Janeiro. “Escolhi imagens que mostram particularidades das tribos, como pinturas corporais”, diz Esther Constantino, fundadora da Arte que Acontece e curadora da mostra. A segunda edição do projeto, que busca mostrar a diversidade étnica brasileira, fica em cartaz por seis meses e, depois, uma foto será doada ao acervo do Instituto GOL. Saiba mais no site golmostrabrasil.com.br.

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(Larissa Faria)

FONTE: Revista de bordo da GOL

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