Choro e música

1, Dezembro, 2009 at 7:19 am | In Artigos e textos | Leave a Comment

Choro_BEBE Neste primeiro dia do mês dedicado ao nascimento de Jesus, pela comunidade cristã-ocidental, compartilho com meus leitores este pequeno mas interessante artigo do Professor de Filosofia e História da Universidade Federal da Bahia, Fábio Freitas.

Apesar da ‘evocação’ ao tema religioso que fiz acima, o que mais se destaca no artigo é a notícia da comprovação científica de que os bebês quando choram tentam imitar a melodia da voz das mães. Assim desde que nasce o homem já inicia sua trajetória em busca do som e da comunicação. Vejam abaixo o inteiro teor do artigo, publicado originalmente no suplemento A Tardinha do jornal A TARDE, de Salvador-BA, no último sábado (28/11).Cifra

CHORANDO EM OUTRAS LÍNGUAS

Quando nós somos bebês, a principal forma de nos comunicarmos é chorando. E haja choro. Com o tempo, a mãe aprende a identificar o que cada choro quer dizer, mas isso leva algumas semanas, pois, quando o bebê é bem novinho, ele ainda não consegue controlar direito os sons que emite. Porém, cientistas alemães e franceses descobriram que o bebê tem uma forma a mais de se comunicar: ele imita a melodia da fala da mãe quando chora já nos primeiros dias de nascido.

Como cada idioma tem uma melodia diferente, os bebês de países diferentes choram com melodias diferentes! Isso funciona quase como se um bebê brasileiro chorasse em português e um bebê americano chorasse em inglês. Os cientistas explicaram que, como os bebês ainda não conseguem se expressar direito, ele lembra do som que sempre ouvia da mãe e tenta imitar, para tentar chamar a atenção dela. Essa descoberta serve também para ajudar a entendermos a nossa relação com a música, já que o bebê não está falando, mas cantando. Talvez seja por isso que vamos passar o resto da vida gostando de música. Cantar foi a primeira coisa que aprendemos a fazer!

O “cuenta cuentos” da América Latina

30, Novembro, 2009 at 5:18 am | In Baú de livros, Canto da poesia | Leave a Comment

EduardoGaleano Depois de ler a entrevista do escritor-cidadão latino-americano Eduardo Galeano na revista CAROS AMIGOS de novembro/2009 (nro. 152), a vondade é de reler “As Veias Abertas da América Latina” e “Nós dizemos NÃO” e correr à primeira livraria para comprar o “Espelhos”.

Inicia a entrevista espetando nossos corações quando diz sobre nossas crianças e jovens: Sinto pena das coitadas das criancinhas que vejo agora, prisioneiras na varanda de casa. Meninos ricos são tratados como se fossem dinheiro, meninos pobres são tratados como se fossem lixo. Muitos, pobres e ricos, viram prisioneiros, atados aos computadores, à televisão ou a alguma outra máquina.“.

E ai quando entra na questão das guerras nos traz dados estarrecedores quando diz: Atualmente os EUA possuem 850 bases militares em quarenta países. A metade do gasto militar mundial corresponde aos gastos de guerras dos EUA. Esse é um país em que o orçamento militar se chama orçamento de defesa por motivos, para mim, misteriosos e inexplicáveis. Porque a última invasão sofrida pelos EUA foi em 1812 e já faz quase dois séculos.“.

Sobre o terrorismo, ainda na sequência da questão anterior, criticando os que defendem ou justificam a guerra pelo seu combate coloca: Sabe quem esteve sessenta anos na lista oficial dos terroristas dos EUA? Nelson Mandela, Prêmio Nobel, presidente da África do Sul. Cada vez que viajava aos EUA, ele precisa de um visto especial do presidente dos Estados Unidos, porque era considerado um terrorista perigoso durante sessenta anos. Até 2008.“.

Passeando pela ecologia, nos recorda os índios e sua sabedoria ao dizer: É a tradição indígina mais velha e mais importante de todas: resgatar a certeza de que somos parte da natureza e todo crime executado contra a natureza se converte em suicídio, porque acaba sendo um tiro no pé da condição e do gênero humano.”.

A política do laissez-faire é igualmente criticado e só uma personalidade como a dele se permite dizer que a Rainha Vitória da Inglaterra era uma ‘narcotraficante’. E desnuda toda a velha teoria ao enfatizar: “… o livre comércio tem uma história horrível e está claríssimo que se os EUA tivessem aplicado o livre comércio logo após sua independência continuariam sendo colônia da Inglaterra. Portanto, essa identificação da liberdade do dinheiro com a liberdade das pessoas é mentirosa e inimiga da liberdade humana.”.

Brindo meus leitores com duas das três poesias publicadas na edição impressa da revista, uma que bem poderia ter o título “Sonhos Perdidos”, mas que o autor preferiu “Objetos Perdidos”, e outra sobre o Rio de Janeiro e sua saga:

OBJETOS PERDIDOS

O século XX, que nasceu anunciando paz e justiça, morreu banhado em

sangue e deixou um mundo muito mais injusto que o que havia encontrado.

O século XXI, que também nasceu anunciando a paz e a justiça, está

seguindo os mesmos passos do século anterior.

Lá na minha infância, eu estava convencido de que tudo o que na terra se

a parar na lua.

No entanto os astronautas não encontraram sonhos perdidos, nem

promessas traídas, nem esperanças rotas.

Se não estão na lua, onde estão ?

Será que na terra não se perderam ?

Será que na terra se esconderam ?

(Eduardo Galeano. Espelhos: uma história quase universal, LPM Editores)

 CRÔNICA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

No alto da noite do Rio de Janeiro, luminoso, generoso, o Cristo Redentor estende os braços. Debaixo desses braços os netos dos escravos encontro amparo. Uma mulher descalça olha o Cristo, lá de baixo, e, apontando seu fulgor diz, muito tristemente:

- Daqui a pouco já não estará mais aí. Ouvi dizer que vão tirar Ele daí.

- Não se preocupe tranqüiliza uma vizinha – Não de preocupe: Ele volta.

A política mata muitos, e mais ainda mata a economia. Na cidade violenta soam tiros e tambores: os atabaques, ansiosos de consolo e de vingança, chamam os deuses africanos. Cristo sozinho não basta.

(Eduardo Galeano, Livro dos Abraços, LPM Editores)

AsVeiasAbertas           NosDizemosNAO           Espelhos

A seguir trechos da entrevista que pode ser conferida na íntegra na edição impressa.

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O Anticristo

29, Novembro, 2009 at 7:14 am | In Baú de livros, Espaço ecumênico | Leave a Comment

Anticristo_livro Para um domingo talvez alguns leitores não apreciem muito este post, no geral os cristãos e em especial os católicos. Mas acabei de ler “O Anticristo” , e resolvi compartilhar aqui a pena ácida de Nietzsche sobre tema tão polêmico: o cristianismo. As filosofias do eterno retorno e mais precisamente a vontade de poder estão presentes em toda esta obra de leitura não muito fácil. Logo em seu início o autor diz que não escreve para seus contemporâneos, escreve para o futuro, quem sabe para nós desta era ? O livro foi originalmente concluído em 1888, mas só publicado em 1895. Nietzsche

A edição que tenho traz em seu início dois textos introdutórios: um de Scarlett Marton (1 – “O homem que foi um campo de batalha”) e outro de Mauro Araújo Souza (2 – “Introdução”), dos quais destaco o seguintes trechos:

1 – “… Certa tarde, ao fazer o seu passeio habitual, foi atravessado pela visão do eterno retorno. Tudo retorna sem cessar. Se o universo tivesse algum objetivo, já o teria atingido; se tivesse alguma finalidade, já a teria realizado.: Não existe um Deus, soberano absoluto, com desígnios insondáveis. Todos os dados são conhecidos; finitos são os elementos que constituem o universo, finito é o número de combinações entre eles; só o tempo é eterno. Tudo já existiu e tornará a existir. …”

2 – “… o Evangelho havia morrido na cruz. Portanto só existira um cristão autêntico: o próprio Cristo. Tudo o mais é montagem, elocubrações que se tornaram escritas para sustentar toda a prática daqueles que se fariam portadores e perpetuadores da ‘contade de Cristo’. … “; “… Quem é Paulo para Nietzsche ? Aquele que subverteu a prática de Cristo e a converteu em outra tipo de ‘boa-nova’ (uma ‘má-nova’, na verdade um ‘disangelho’)…”

A livro encontra-se disponível para download em: http://www.divshare.com/download/9535509-0d4

Na continuação deste post destaquei as partes que mais me chamaram a atenção.

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Seu Edibar, porque hoje é sexta

27, Novembro, 2009 at 5:30 am | In Piadas e causos | Leave a Comment

Para dar boas risadas uma sexta, este Power Point do Edibar, enviado pelo amigo e também professor Henrique Mustafa, vem em boa hora. E as mulheres, a quem tanto amamos, por favor me permitam a ‘licença bloguística’ um tanto quanto machista deste post.


O mundo ideal e o real

22, Novembro, 2009 at 10:10 pm | In Artigos e textos | 1 Comment

  O Dr. Eduardo Gonçalves de Andrade, o velho Tusta, o nosso Tostão de 70, já esteve TOSTAO1presente aqui várias vezes. Apenas para citar duas pérolas:

- A ÚNICA COISA PROIBIDA É AMAR SEM AMOR e

- A VIDA DÁ MUITAS VOLTAS, A VIDA NEM É DA GENTE

A presença dele aqui não é só pelo tema de suas colunas, o futebol, mas principalmente porque ele escreve de forma poética e sempre citando escritores com os quais me identifico, como o fez desta vez neste domingo com Fernando Pessoa:

“Sou o que penso, mas penso ser tantas coisas.”

 FernandoPessoa

O MUNDO IDEAL E O REAL

Este um mundo real, muitas vezes violento, injusto, ganancioso e preconceituoso, e outro ideal, que sonhamos viver, embora façamos pouco para isso. A melhor maneira de fazer algo não é ser bonzinho no Natal nem praticar alguns atos generosos para reparar a culpa real e/ou imaginária. É, principalmente, ser, todos os dias, um bom cidadão. Não é fácil. São muitas as tentações.
Quanto maior a distância entre o mundo real e ideal, maior é o desamparo. É a mesma relação individual entre ego e ego ideal. “Sou o que penso, mas penso ser tantas coisas“ (Fernando Pessoa).
Escuto, desde criança, que o esporte é o lugar ideal para as pessoas aprenderem e desenvolverem os valores éticos. Isso nunca foi verdade no esporte de competição e de alto nível. O gol, com a ajuda da mão, que classificou a França para a Copa é mais um de dezenas de exemplos. Nesses lances especiais e decisivos, em que não há dúvidas, o quarto árbitro, com a ajuda da TV, deveria anular o gol.
Na emoção de uma partida, os atletas, na busca por glória e dinheiro, pressionados para vencer, demonstram, em atos falhos ou conscientes, toda a desmedida ambição e toda a esperteza humana.
Um dos motivos relatados para o recente suicídio do goleiro Robert Enke, da Seleção Alemã, foi o medo que tinha do fracasso. Isso contribuiu para piorar sua crônica depressão. Perder é morrer.
No mundo ideal, os atletas entrariam em campo somente para jogar futebol, com alegria, e respeitariam companheiros, adversários, árbitros e auxiliares, além de tentar dar bons espetáculos.
No mundo real, os jogos, em todo o planeta, principalmente na América do Sul, estão cada dia mais tensos, tumultuados e violentos. Durante a semana, houve pancadaria em dois jogos no Brasil, um no Uruguai e outro na África.
Muitos treinadores e dirigentes, mesmo sem intenção, estimulam a violência com os discursos de ganhar a batalha, perder a guerra, jogar com muita pegada, além das ofensas aos árbitros.
O que houve com Obina e Maurício e também com Hugo e André Dias (estes não trocaram socos) já aconteceu várias vezes com outros jogadores. Os atletas não suportam a pressão de ter de vencer. Agridem antes de serem agredidos. Técnico adora também passar a mão na cabeça de jogador violento.
Se Obina e Maurício tivessem agredido os adversários, e o Palmeiras tivesse vencido, provavelmente os dois não seriam punidos pelo clube. Talvez, recebessem até elogios por suas bravuras.
No mundo ideal, a imprensa cobraria, com ênfase, mais qualidade técnica e menos violência. No real, parte da mídia incorporou o discurso dos técnicos de que o importante é o resultado e que, no futebol moderno e de muita marcação, não há mais lugar para futebol bonito e com poucas faltas.
No meu mundo ideal, queria assistir aos jogos somente com o olhar de um poeta e de um apreciador das coisas belas de um espetáculo. No meu mundo real, preciso ser também pragmático e um analista técnico e tático. Tento unir os dois mundos. Nem sempre consigo. Os dois se estranham.

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