Nicolelis e o golaço antes, durante e depois da Copa

11/06/2014 às 3:39 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 4 Comentários
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Esse para mim é o maior cientista brasileiro vivo. Confiram essas notícias. Já havia noticiado isso nos idos de 2011. Como disse o cientista americano, suponho de boca aberta ao ver o resultado da pesquisa: a Ciência é global ! Chegou a hora. Vou torcer muito, tanto pela nossa Seleção Canarinha quanto pelo sucesso desse “experimento coletivo” do nosso Nobel Nicolelis, todos deveriam fazer o mesmo !


(1) Maior gestor de ciência do planeta bate palmas para paraplégico andando com “roupa robótica”: “Maravilhoso!”

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Atento, Francis Collins (na foto, à direita de Nicolelis) acompanha os passos do jovem paraplégico “vestindo” o esqueleto-robô. Ao final, não resiste. “Encantado”, como ele mesmo diz, abre um sorriso enorme e aplaude

No meio científico, todo mundo conhece o médico e geneticista Francis S. Collins.

Pudera. Foi quem coordenou o Projeto Genoma Humano.

Desde 2009, é o diretor do maior agente financiador de pesquisa biomédica do mundo: o National Institutes of Health (NIH), dos EUA.

Ele tem nas mãos um orçamento de US$ 38 bilhões. É o maior gestor de ciência biomédica do planeta.

Pois Francis Collins está em visita oficial ao Brasil e quis conhecer os laboratórios do projeto Andar de Novo, montados na AACD – Associação de Assistência à Criança com Deficiência, em São Paulo.

O projeto é liderado pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, pesquisador e professor da Universidade  Duke, nos EUA,  e coordenador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS), no Brasil.  Dele participam 156 pesquisadores de 25 países.

Em 12 de junho, na abertura da Copa do Mundo, no Itaquerão,  o mundo assistirá ao vivo uma demonstração do projeto e um salto da ciência: um jovem paraplégico, “vestindo” uma “roupa robótica” (exoesqueleto), dará o chute inaugural na cerimônia.

Collins visitou os laboratórios do Andar de Novo na tarde dessa terça-feira 21.

No primeiro, uma jovem paraplégica, com fisionomia séria, aparentando 25 anos, se exercitava no simulador do exoesqueleto. Por razões éticas, o seu rosto não pôde ser fotografado pelos jornalistas presentes; apenas ela de costas. Também não pudemos conversar com a paciente. O Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), ligado ao Ministério da Saúde, proíbe, para preservar o paciente sujeito da pesquisa.

Aí, Nicolelis começou a descrever a Collins os experimentos que levaram ao resultado atual.

No segundo, apenas o exoesqueleto, sem nenhum paciente. Nicolelis detalhou então o funcionamento dos equipamentos.

No terceiro, o professor Nicolelis convidou-me para entrar junto com o doutor Collins para assistir com os dois e demais pesquisadores da equipe à demonstração de um jovem usando o exoesqueleto. Foi a portas fechadas.

Esse jovem ficou paraplégico aos 20 anos  (tem 27) devido a acidente de carro.

Foram duas comprovações. A diferença foi a velocidade do andar. A segunda, um pouco mais ligeira.

Ao final da segunda caminhada, o jovem abriu um sorriso imenso de alegria.

Eu, Conceição Lemes, chorei.

Collins não resistiu. Bateu palmas: “Maravilhoso!”

“Estou muito feliz em ver que o investimento de tantos anos resultou nessa aplicação da Ciência”, disse Collins na coletiva de imprensa.

Foi o começo da resposta à pergunta do Viomundo sobre como via uma ideia, cuja pesquisa básica foi financiada pelo NIH, virar realidade clínica. Durante os 25 anos de carreira, veio do NIH mais da metade dos US$ 60 milhões levantados nos EUA por Nicolelis para pesquisas.

Collins prosseguiu:

“Essa é a realidade da Ciência. Você tem de persistir em ideias que, no início, podem até parecer abstratas, sem conexão com alguma doença, mas que, depois de investimentos persistentes durante muito tempo, possam gerar, por exemplo, uma vacina para prevenir a infecção pelo HIV/aids. É  algo que esperamos que ocorra rapidamente”.

“No caso deste exemplo, que é o exoesqueleto, estou muito satisfeito pelo fato de o NIH ter participado dessa história. É assim que a Ciência funciona.”

“Quando nos Estados Unidos se defende levar todo o dinheiro do NIH para a pesquisa aplicada, as pessoas às vezes esquecem que é a pesquisa básica que permite que essas ideias floresçam do ponto de vista clínico”.

Perguntamos também o que ele acha da colaboração entre Estados Unidos e Brasil no projeto Andar de Novo. A pesquisa aplicada, envolvendo o desenvolvimento e construção do esqueleto-robô, foi financiada pela Finep, ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia: US$ 14 milhões.

Collins então afirmou:

“A colaboração é essencial. Se você precisa atacar um problema muito difícil, muito complexo, é necessário recrutar os melhores cérebros disponíveis e eles não necessariamente moram no mesmo país. Um grande exemplo é o doutor Nicolelis”.

“Estou muito satisfeito em ver que um investimento que o NIH fez em pesquisa básica nos EUA, durante 25 anos, no laboratório do doutor Nicolelis, deu frutos no Brasil, com a pesquisa clínica financiada pelo governo brasileiro. A Ciência é global”.

“Essa colaboração permitiu que EUA e Brasil estivessem aqui presentes. Possivelmente, essa pesquisa não poderia ter acontecido só nos EUA ou só no Brasil”.

“Admiro muito o espírito de Nicolelis de reunir pesquisadores e trazê-los dos EUA para o Brasil, para congregar todos no mesmo projeto”.

“Estou muito encantado, porque uma quantidade muito grande de gente, num evento esportivo, vai poder ver, pela primeira vez, uma demonstração do que a Ciência é capaz de fazer e dar esperança para milhões de pessoas no mundo todo”.

Sobre a interface cérebro-página, questionada por alguns pesquisadores, Collins disse:

“É uma das áreas de fronteira da neurociência. Nos EUA, atualmente há vários laboratórios trabalhando com ela”.

Nicolelis e seu colega John Chapin, da Universidade Duke (EUA), foram os primeiros.

Em 1999, comprovaram isso num estudo pioneiro com ratos. Em 2000, demonstraram em macacos. Em 2004, em seres humanos.

O termo interface cérebro-maquina (brain-machine interfase) também foi criado por eles.

“A demonstração de 12 de junho é apenas a primeira etapa do projeto Andar de Novo”, frisa Nicolelis. “O objetivo dessa pesquisa é permitir que mais adiante paraplégicos possam andar novamente. No futuro, esperamos contar com mais laboratórios e mais pesquisadores.”

Oito jovens paraplégicos participam da pesquisa. Um será escolhido para dar o chute inicial da Copa.

“Mas os outros estarão juntos”, avisa Nicolelis. “É uma vitória de todos eles.”

(por Conceição Lemes)

FONTE: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/maior-gesto-de-ciencia-do-mundo-bate-palmas-para-paraplegico-andando-com-roupa-robotica-maravilhoso.html


(2) Nicolelis: chute de paraplégico na Copa é apenas o primeiro passo

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Colocar um paciente paraplégico para caminhar dentro de campo e dar o pontapé inicial da Copa do Mundo no Brasil será apenas o primeiro passo de um projeto que continuará a ser desenvolvido, com o objetivo de ajudar pessoas com paralisia a andar novamente, afirmou o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis.

À frente de uma equipe de 156 cientistas de 25 países, Nicolelis está concentrado na reta final para a demonstração na abertura do Mundial, em 12 de junho, quando um paciente paraplégico caminhará pelo campo da Arena Corinthians usando uma estrutura robótica chamada de exoesqueleto e dará o pontapé inicial da partida entre Brasil e Croácia.

“A demonstração da Copa é simbólica… Não é ciência. A ciência nós fizemos aqui (no laboratório). Está sendo feita aqui… É quase que um presente do Brasil para a humanidade, mas é só o começo, é um primeiro passo, literalmente”, disse o neurocientista em entrevista à Reuters no laboratório instalado desde novembro na zona sul de São Paulo.

“O intuito, a longo prazo, de toda a rede Walk Again (Andar de Novo) pelo mundo afora, é criar tecnologias que possam ser usadas pelos pacientes. Não só o exoesqueleto, existem outras tecnologias em que estamos trabalhando”, acrescentou.

Todos os oito pacientes que participam do projeto já caminharam com o exoesqueleto, usando comandos cerebrais.

Eles também passaram pelo que Nicolelis chama de “treinamento cerebral” num sofisticado simulador em que os pacientes comandam os movimentos de um avatar na tela e recebem, por meio de sensores táteis, a sensação de estarem caminhando.

Para realmente deixá-los preparados para o ambiente da abertura do Mundial, o som ambiente é o de uma barulhenta torcida. Entre as torcidas ruidosas escolhidas pela equipe de Nicolelis estão a alemã e a turca.

“(A ideia) é fazer o cérebro imaginar que as pernas funcionam de novo”, explica o cientista sobre o simulador, que foi testado, inclusive, pelo ex-atacante da seleção brasileira Ronaldo, numa visita que fez ao laboratório de Nicolelis.

Após este treinamento cerebral, os pacientes passaram a usar o exoesqueleto, ferramenta que permitirá não apenas que eles andem novamente usando os comandos cerebrais, mas também que sintam a sensação de caminhar, graças a uma “pele artificial” coberta por sensores, que vai revestir o aparelho.

E a equipe de Nicolelis já mira melhorias no exoesqueleto, como a redução do peso dos atuais 70 quilos para 50 quilos, já antes da abertura da Copa, e num prazo um pouco maior, a inclusão de braços no aparelho para que ele também seja usado por pacientes tetraplégicos.

O projeto Walk Again (Andar de Novo) teve sua ciência básica – experimentos em animais, por exemplo – financiada pelos Institutos Nacional de Saúde (NIH, na sigla em inglês), órgão do governo dos Estados Unidos que é a maior agência de pesquisa biomédica do mundo. A fase clínica, que está sendo feita no Brasil, tem financiamento de R$ 34 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa de fomento à pesquisa ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia.

Mais fácil Palmeiras ser campeão
Formado em medicina pela USP e professor da Universidade Duke, nos Estados Unidos, Nicolelis é frequentemente apontado como favorito para se tornar o primeiro brasileiro a vencer o Prêmio Nobel. Perguntado sobre a possibilidade, o palmeirense roxo que não tirou o boné do alviverde em nenhum momento da entrevista, faz graça.

“É certamente bem mais fácil o Palmeiras ser campeão”, riu, antes de dar de ombros para a premiação sueca. “Existe um certo fetiche por prêmios no Brasil, é parte, num certo sentido, do nosso complexo de vira-lata, que saiu do futebol, mas não saiu de vários aspectos da nossa cultura”, comentou o cientista, que tem em Santos Dumont uma grande inspiração.

“Cientistas que eu conheci na minha carreira que não ganharam o Prêmio Nobel, fenomenais, nunca perderam o sono da noite, porque eles sabem que a contribuição deles vai entrar para a história, a despeito do que um grupo de pessoas decida na Suécia.”

O neurocientista, que mostra seu patriotismo com uma bandeira do Brasil sempre ao lado do exoesqueleto e com fotos da seleção brasileira espalhadas pelo laboratório, manifesta confiança na realização da Copa e vê um “pessimismo exacerbado” vigente hoje no País.

Reclama ainda do fato de que algumas pessoas “jogaram contra” seu projeto no Brasil, e atribui o fato à uma “polarização” que o País vive sem, no entanto, entrar em detalhes.

Nicolelis, 53 anos, guarda ainda um grande segredo: usará ou não o inseparável boné do Palmeiras diante de 68 mil torcedores na Arena Corinthians, estádio do maior rival do alviverde?

“Essa é a pergunta mais importante de todo projeto. É a pergunta que aterroriza o meu pai corintiano”, brinca. “Vou deixar em segredo isso, até o momento final.”

FONTE: http://noticias.terra.com.br/ciencia/pesquisa/nicolelis-chute-de-paraplegico-na-copa-e-apenas-1-passo%2c4e07871929426410VgnCLD200000b0bf46d0RCRD.html

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  4. […] Miguel Nicolelis, um dos nosos maiores cientistas. Desconhecido e incompreendido em nosso país, ele diz que só há uma solução para o Brasil: […]


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